Capítulo 6

1826 Words
Rick Dawson Eu não sei como aconteceu. Talvez tenha sido a força do destino, ou simplesmente a inevitabilidade do desejo que queimava dentro de mim. Quando percebi, minha boca já estava na dela. O gosto de Ayla era uma mistura perigosa de doçura e caos. Algo nela despertava meu lobo, me incendiava de dentro para fora, me arrancava do controle que sempre julguei ter. Meu corpo reagiu no mesmo instante, cada fibra clamando por mais. Eu a queria. De um jeito visceral, selvagem. Como se ela fosse feita para mim. Mas não era a hora... ainda. Mesmo que algo em mim gritasse que já a conhecia há séculos. Ayla estava ali, deitada perto da entrada da caverna, o símbolo em sua mão brilhando de forma pulsante, como se tentasse me dizer algo que eu ainda não compreendia. Seu sono era profundo, mas inquieto, como se ela carregasse o peso de um destino c***l demais para ser suportado sozinha. Eu a observava de longe, tentando entender o que era essa força invisível que me puxava para mais perto. O universo parecia conspirar para me prender a ela. Irritante. Enlouquecedor. E, acima de tudo, inegavelmente viciante. Eu precisava me afastar, manter o controle. Mas então, senti. Não era o cheiro dela que dominava o ar dessa vez. Era sangue. Levantei-me de um salto, os sentidos se aguçando no mesmo instante. O cheiro era fresco. Recentemente derramado. Mas havia algo mais. Algo sombrio e predatório se misturava ao aroma metálico. Minha pele se arrepiou. — Algo está vindo — murmurei, minha voz baixa e tensa. Ayla se mexeu. Mesmo dormindo, parecia sentir o perigo se aproximando. Em um segundo, seus olhos estavam abertos, e ela os cravou nos meus. — O que foi? — Sua voz ainda carregava a rouquidão do sono, mas meu lobo reagiu a ela como se fosse um chamado. Eu precisava protegê-la. — Fique aqui. — Minha ordem foi firme, irrefutável. Mas antes que eu pudesse dar um passo, ouvi seus movimentos rápidos atrás de mim. É claro que ela não obedeceria. Ayla não sabia o que era submissão. — Você só pode estar brincando. — Ela me enfrentou, os olhos brilhando na escuridão com a mesma intensidade do símbolo em sua mão. — Não vou ficar sentada enquanto você enfrenta seja lá o que for sozinho. Eu me virei, o peito subindo e descendo, dominado pela raiva e pelo desejo que ela despertava em mim. — Isso não é um jogo, Ayla. Seja lá o que está lá fora, está caçando. Mas, para minha surpresa, seus lábios se curvaram em um meio sorriso desafiador. — E eu também. A resposta dela foi cortante, afiada como uma lâmina. Ela cruzou os braços, me encarando com uma intensidade que fez meu lobo rugir por dentro. Eu a queria. Maldição, como eu a queria. Meu sangue ferveu. Eu podia puxá-la para mim agora. Pressionar meu corpo contra o dela, mostrar na pele o perigo que corríamos. Mas, em vez disso, apenas rosnei baixo, deixando meu olhar dourado deslizar sobre ela com um aviso claro. Ela não recuou. Ayla nunca recuava. A tensão entre nós pulsava como uma tempestade prestes a explodir. Eu me inclinei ligeiramente para ela, o cheiro de sua pele e do perigo que nos rondava se misturando em algo intoxicante. — Só não se coloque no meu caminho — murmurei, minha voz baixa e carregada de um aviso velado. Ela arqueou uma sobrancelha, os lábios se curvando em um sorriso que não prometia nada além de caos. — Não posso prometer isso. E naquele momento, percebi que Ayla não era apenas um desafio. Ela era a própria perdição. Ela sorriu, um desafio estampado nos lábios, como se soubesse exatamente o que estava fazendo comigo. — Só se você não se colocar no meu. Sua resposta foi cortante, carregada de uma ousadia que incendiava meu sangue. Meu lobo rugiu em resposta, dividido entre a vontade de protegê-la e a necessidade de reivindicá-la. Saímos juntos da caverna, e a floresta nos engoliu com sua escuridão sufocante. O ar estava carregado, denso com algo que não pertencia apenas à noite. A tensão entre nós era palpável, cada passo lado a lado aumentando o desejo que eu lutava para conter. Mas havia algo mais lá fora. Algo perigoso. E eu sabia que proteger Ayla não era apenas uma escolha era uma necessidade primal, um instinto que eu não podia ignorar. O cheiro de sangue ficou mais forte. Meus instintos rugiram em alerta. Não era só o perigo que rondava. Havia algo mais. Algo ancestral e sombrio, pulsando ao nosso redor como uma presença invisível. E, ao meu lado, Ayla. Meu lobo não parava de chamá-la, de desejá-la. Ela era um fogo que eu não podia apagar, uma chama que consumia cada pedaço de controle que eu tentava manter. — Então, o que estamos enfrentando? — A voz dela cortou o silêncio. Firme. Mas havia uma ponta de curiosidade, um brilho em seus olhos que só me fez querer protegê-la ainda mais. E, ao mesmo tempo, puxá-la para mais perto. — Ainda não sei. — Minha voz saiu tensa, mais rouca do que eu queria. Meu lobo rosnava sob minha pele, inquieto. — Mas te garanto uma coisa: não é humano. O calor do corpo dela ao meu lado parecia intensificar cada sensação, cada alerta dentro de mim. Meu lobo queria protegê-la. Queria possuí-la. Ele a queria tanto quanto eu. Quando chegamos à clareira, um arrepio correu minha espinha. A cena à nossa frente fez minha respiração falhar. No centro do espaço aberto, corpos estavam dispostos em um padrão macabro. Símbolos riscados no chão pulsavam com uma energia densa, quase viva. Um cheiro de morte e magia antiga impregnava o ar. Mas o que realmente chamou minha atenção foi Ayla. O símbolo em sua mão brilhou mais forte, quase como se estivesse respondendo ao ritual diante de nós. Eu a observei de relance. Seus olhos estavam fixos no círculo, mas havia algo mais nela. Algo que parecia pulsar de dentro para fora, como se aquele lugar estivesse tirando tudo o que ela tentava esconder. Meu lobo se retesou. Ele queria envolvê-la, protegê-la. Mas, ao mesmo tempo... queria marcá-la, reivindicá-la como nossa. — Isso não é normal. — Ela sussurrou, e eu percebi o tremor em sua voz. Não era medo comum. Era algo mais profundo, mais instintivo. Algo que eu sentia também. Me ajoelhei, analisando as marcas com atenção. Elas me eram familiares. Não porque eu já as tivesse visto antes, mas porque os anciões falavam delas. Em histórias que eu sempre considerei lendas. — É uma invocação. — Minha voz saiu mais grave, o lobo ainda à superfície. Olhei para Ayla, e ela me encarou com uma intensidade que me deixou sem fôlego. — E se já estiver aqui? A pergunta dela ecoou no silêncio. Meu peito apertou. Antes que eu pudesse responder, o som veio. Um movimento rápido e cortante entre as árvores. Girei sobre os calcanhares no mesmo instante, instinto puro dominando meus músculos. Empurrei Ayla para trás, meu corpo automaticamente se colocando entre ela e a ameaça invisível. Minhas garras e presas surgiram sem que eu sequer percebesse. — Fique atrás de mim. — O rosnado saiu de minha garganta antes que eu pudesse controlá-lo. O desejo de protegê-la e possuí-la era quase indistinguível agora. — Já ouvi isso antes. — Ayla rebateu, desafiadora como sempre. Mas então, ela fez algo que me surpreendeu. Levantou a mão. E o símbolo brilhou. Uma luz intensa e cortante explodiu ao nosso redor, clareando toda a área. E foi quando vimos. As sombras ao nosso redor se contorceram. Algo se movia entre elas. Algo que não deveria estar ali. Algo que estava nos observando. E esperando. Foi quando eu vi. A criatura emergiu das sombras, grotesca, um emaranhado de escuridão mutável, como se o próprio vazio tivesse ganhado forma. Seus olhos vermelhos brilhavam com uma fome primitiva, consumindo tudo ao redor. O ar ao nosso redor se tornou gelado, sufocante, como se o próprio ambiente fosse distorcido por sua presença. Meu corpo reagiu antes que minha mente pudesse processar o que estava diante de mim. Avancei. Minhas garras cortaram o ar, rasgando aquela coisa, mas não importava o quanto eu atacasse. A criatura se recompunha a cada golpe, como se minha força fosse insignificante contra ela. Maldição. Um rosnado saiu do fundo do meu peito quando me preparei para atacar novamente, mas então a voz dela veio, cortando o caos ao meu redor. — Rick! — O grito de Ayla me atingiu como um raio, seu tom carregado de desespero e comando. — Você não pode enfrentá-la assim! Meu lobo reagiu à urgência em sua voz. — Então me diga o que fazer! — gritei de volta, mantendo a criatura afastada, mesmo sentindo que cada segundo era uma luta perdida. A coisa não parava, seus movimentos eram erráticos, imprevisíveis. Cada golpe que eu desferia parecia inútil. Mas mesmo no meio da batalha, meu corpo ardia por Ayla. Era irracional. Mas inevitável. Cada vez que seus olhos encontravam os meus, eu sentia meu lobo se retesar. Não apenas por desejo, mas pela necessidade de tê-la, de protegê-la, de marcá-la como minha. E no fundo, eu sabia. Ela não era apenas uma humana qualquer. Ela era minha. Mas ela não respondeu imediatamente, e isso só aumentou minha inquietação. De relance, vi que seus olhos estavam fechados. Os lábios dela se moviam em um sussurro baixo, palavras desconhecidas escapando como um feitiço antigo. A energia ao seu redor começou a mudar. Havia algo nela. Algo primal e irresistível. O símbolo em sua mão começou a pulsar, sua luz crescendo, vibrante, como se a própria floresta estivesse respondendo ao seu chamado. O ar ficou denso, carregado de algo poderoso e selvagem. O que diabos ela era? Meu lobo rugiu dentro de mim, inquieto, fascinado pela força que emanava dela. Então a terra tremeu. A criatura hesitou por um breve momento. E eu aproveitei. Com um rugido, lancei-me contra o que parecia ser sua forma principal, cravando minhas garras naquela coisa sombria com toda a força que meu corpo e meu lobo podiam oferecer. A dor foi instantânea. O toque da criatura era puro gelo e trevas, queimando minha pele como se eu tivesse mergulhado em um abismo de escuridão. Mas eu não soltaria. Não até que Ayla terminasse o que quer que estivesse fazendo. — Ayla! — Rosnei, minha voz carregada de urgência, fúria e algo mais profundo, algo que queimava apenas por ela. — Seja lá o que você está fazendo, termine logo! A luz em sua mão explodiu. Intensa. Ofuscante. A clareira inteira foi tomada por aquela energia, uma força tão poderosa que fez a criatura se contorcer, seus olhos vermelhos agora refletindo algo inédito: medo. Ela não era mais apenas um predador. Agora, ela sabia que Ayla era algo muito pior. E pela primeira vez... A coisa tentou fugir.
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