Capítulo 7

921 Words
Ayla Solano O primeiro toque foi avassalador. Os lábios dele encontraram os meus com uma força que me desmontou por dentro. Não havia hesitação, não havia gentileza contida. Havia fome, intensidade, um fogo que me consumia de dentro para fora. Minha mente gritava para parar, mas meu corpo cedeu sem resistência. Minhas mãos agarraram sua camisa, como se eu precisasse de algo para me ancorar à realidade. Mas a única verdade naquele momento era ele. Meu coração batia tão forte que eu m*l conseguia ouvir meus próprios pensamentos. Cada movimento dele era um choque elétrico na minha pele, cada toque uma promessa não dita. Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, dei um passo à frente, encurtando o espaço entre nós. — Você é perigoso, Rick. Ele sorriu contra meus lábios, um sorriso lento, predador, carregado de uma certeza que me fez tremer. — Eu sei. — E eu não confio em você. — Acrescentei, mesmo sabendo que era uma mentira. Rick inclinou a cabeça, seus olhos fixos nos meus, intensos e desarmadores. — Então confie no que sente. Sua voz era rouca, um convite e um desafio ao mesmo tempo. Sua mão subiu lentamente, os dedos quentes traçando um caminho ardente pela minha pele. Quando tocou meu rosto, o ar foi sugado da clareira, como se o universo prendesse a respiração junto comigo. Eu deveria recuar. Deveria fugir. Mas algo nele me fazia querer ficar. Algo nele me fazia precisar dele. — Você me assusta. — confessei, minha voz quase um sussurro. Os olhos de Rick brilharam, escuros como a noite, carregados de algo muito mais profundo do que palavras poderiam expressar. E então, ele me beijou novamente, me arrastando para um abismo do qual eu sabia que nunca mais escaparia. — Eu também me assusto. — A voz de Rick era baixa, rouca, mas carregada de uma honestidade crua que me desarmou. Ficamos ali, presos em uma tensão quase insuportável, como se o próprio ar ao nosso redor estivesse carregado de algo invisível, prestes a explodir. Meu coração martelava contra o peito, minha respiração presa na garganta. Eu sabia o que viria a seguir. Sempre soube. Rick se inclinou. Quando seus lábios finalmente tocaram os meus, tudo desapareceu. O beijo não foi terno, não foi hesitante. Foi urgente, feroz. Meu corpo reagiu antes da minha mente, minhas mãos agarrando seus ombros com força, puxando-o para mais perto. O calor dele me envolveu, cada músculo rígido e tenso contra mim, como se ele estivesse lutando contra a própria necessidade de me ter. Mas não havia mais luta. Eu estava entregue. Seu toque era exigente, possessivo, explorando cada resposta minha com precisão, como se já soubesse exatamente como me fazer perder o controle. O mundo girava ao nosso redor, mas nada importava além daquele momento. Quando finalmente nos afastamos, ofegantes, um sorriso lento e perigoso surgiu nos lábios de Rick. — Acho que você acabou de decidir. Ri, balançando a cabeça, tentando esconder o quanto aquela afirmação era verdadeira. — Talvez. — Murmurei, mas minha voz falhou, carregada de algo que eu não queria admitir. Rick estreitou os olhos, como se enxergasse direto através de mim. Ele avançou mais um passo, fechando a distância entre nós até que não restasse nenhum espaço seguro. — Não existe, talvez Ayla. Não com a gente. Mas ao ouvir aquelas palavras, algo dentro de mim se partiu. Não era medo, era algo mais profundo, mais antigo, algo que eu nunca quis admitir que existia. Eu estava tão envolvida naquele momento, tão tomada pela intensidade dele, que me sentia completamente perdida. Será que ele era realmente o que eu precisava? Ou seria apenas uma tempestade que eu não saberia controlar? Eu sustentei seu olhar, sentindo o peso esmagador de suas palavras. No fundo, eu sabia. Não havia talvez. Não havia meio-termo. Rick não era apenas perigoso. Ele era inevitável. O silêncio que se seguiu não era vazio, nem desconfortável. Era denso, carregado de tudo o que ainda não tinha sido dito. Eu ainda não confiava nele completamente, mas confiava naquilo que sentíamos. E isso me aterrorizava mais do que qualquer outra coisa. — Você pode ser meu destino, Rick… — murmurei, minha voz quase um sussurro. — Mas saiba que, se você me quebrar, eu não vou esquecer. Rick soltou uma risada baixa, sombria. Seus dedos deslizaram lentamente pelo meu rosto, um toque suave e reverente, como se estivesse lidando com algo precioso. — Se eu te quebrar, Ayla… será porque me quebrei primeiro. Seu olhar encontrou o meu, e naquele instante, compreendi. Rick estava tão perdido quanto eu. Éramos duas forças opostas, colidindo, nos destruindo e nos reconstruindo no processo. O que era mais aterrador do que o medo de nos destruirmos era a atração inevitável que nos consumia. Não importava o quanto eu tentasse resistir. Ele era a tempestade em meu céu tranquilo, e eu não sabia se queria me proteger ou me entregar. Então, ele estendeu a mão. Uma oferta silenciosa. Minha respiração vacilou, o peito apertado pela decisão que pairava no ar entre nós. Meus dedos tremiam quando se entrelaçaram nos dele, selando um destino que eu sabia que não poderia evitar. O toque dele era quente, firme, como se fosse a última coisa que eu precisasse para me manter em pé. Mas a cada segundo que passava, o medo de cair só aumentava. Eu não sabia se era força ou fraqueza, mas algo dentro de mim sabia que esse caminho estava marcado. E naquele momento, entendi. Não havia volta.
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