Caio
— QUE MERDA É ESSA? SÓ PODE SER BRINCADEIRA, SÓ PODE! — Dou um salto na mesa indignado. Fabrício vem até a mim e toca no meu ombro.
— Calma, Caio! Ficando assim não tem como resolver isso. — Ele tenta me tranquilizar, mas não adianta, já estava puto.
— Calma? Você ouviu o que esse velho disse? — De pé aponto para o advogado da empresa, que me fita sério.
— Olha como o senhor fala. Mais respeito, por favor! — Disse o advogado.
— Por favor, pode repetir o que está no testamento? — Indaga o meu amigo. O Senhor Monteiro solta o ar, em seguida ele senta e lê o bendito testamento.
— Eu, Reginaldo Lacerda, brasileiro, viúvo, formado em administração, gestão financeira… — O corto. Estou sem paciência!
— Pode pular essa parte! Vai logo no principal, por favor! — Ele me encara e volta a ler.
— Está bem… Aham…. — Pigarreou. — Para meu filho Caio deixo:
Dois carros importados, da marca Porsche e BMW 320i, avaliados em aproximadamente 800 mil reais. Acrescente um ordenado mensal, no valor de um mil e quinhentos reais, essencial para suas despensas do mês. Com relação ao patrimônio deixado e sobre a empresa e rede de hotéis R&L, a posse só será concedida após a confirmação legal do casamento, realizado e com duração de pelo menos trinta dias. Enquanto isso, Caio deverá tomar conhecimento dos procedimentos e trâmites da empresa, atuando como assistente do senhor Clécio Gonçalves, meu braço direito e em quem sempre depositei toda a minha confiança.— Olho para ele que está sentado na minha direita, que inclina-se para baixo para não me encarar. O advogado continua. — Estou no meu juízo perfeito, e em pleno g**o de minhas faculdades mentais, na presença do meu advogado Marco Monteiro e de Clécio Gonçalves. — Ele parou de ler, no impulso dou um soco na mesa de raiva.
— NÃO PODE SER. MEU PAI NÃO ESTAVA BEM QUANDO FEZ ESSE TESTAMENTO, NÃO ESTAVA MESMO! — Levo as duas mãos na cabeça, não acreditando que aquilo era verdade.
— Garanto que estava bem da cabeça quando fez esse testamento. — Disse o advogado com suavidade. Estou muito puto, tô com uma vontade de esmurrar esse velhote!
— Está gozando com a minha cara? Claro que não estava! — Saí da mesa retangular e vou até o senhor Monteiro que continua me fitando.— Ele estava doente, p***a! Estava com um tumor na cabeça! — Olho para o meu amigo. — Fabrício, você também é advogado, posso recorrer a isso, né?
— Acho que sim, mas para isso tem que ter todos os exames dele e ter uma prova que ele não estava no seu juízo. — Disse o meu amigo. O Advogado da empresa se intromete.
— Não vai dar em nada. Estou com exames e o laudo do médico confirmando que ele estava em pleno juízo e perfeito nas suas faculdades mentais. — Ele tira uns papéis da sua pasta e joga sobre a mesa. Na mesma hora dou uma olhada, Fabrício se aproxima. Entrego para ele esperando que não seja autêntico aquilo, mas me enganei. Ele balança a cabeça confirmando aquilo que já sabia. Merda!
— Como já está tudo explicado e resolvido de ambas as partes, então posso me retirar? — Levanta-se Clécio, e o senhor Monteiro também se levanta da cadeira.
— Vou lhe acompanhar e sair, não tenho mais nada para ficar aqui. — Fecha a sua pasta e caminha até a porta com o “braço direito” do meu pai. Quando estava saindo, Clécio se vira e olha para mim.
— Te espero amanhã, não se atrase. Chegue às nove da manhã. — Se despede e depois fecha a porta. Desgraçado! Estava indo atrás dele e meu melhor amigo segura o meu braço.
— Não faz isso! Não vai adiantar de nada. — Ele disse me soltando e vou a mesa de vidro, chuto a cadeira de raiva.
— p**a que pariu! O que vou fazer? Mil e quinhentos não dá para nada, gasto isso em uma balada… Isso aqui é meu por direito! — Encosto na mesa.
— Mas seu pai não achava isso… — Ele encosta na mesa de vidro ficando do meu lado. — O jeito vai ser você se casar!
— p**a que pariu! Ainda não estou acreditando nisso!
— Tem um jeito… Mas seria loucura… Deixa pra lá. — Disse Fabrício. Olho para ele com o brilho nos olhos.
— Diga, quem sabe pode me ajudar. Por que nesse momento estou ferrado! — Toco no seu braço, ele me observa por um instante, depois suspira e diz o que pensou.
— Está bem… Você poderia colocar um anúncio, pode ser nas suas redes sociais mesmo, que está à procura de uma noiva e que pagaria para isso, você escolhe o valor, tá? — Continuo observando ele falar. — Eu poderia fazer esse contrato, que seria durante um mês, depois disso consegue a sua empresa. — Parou de falar. Me afasto e ando para um lado e para outro. Com isso resolveria os meus problemas, mas por outro lado ia aparecer cada louca querendo ser a minha noiva. Pensa, Caio. Pensa! Fabrício diz que não pode ser qualquer uma, tem que ser uma mulher da nossa classe social: linda, elegante e dona de um negócio. Concordo e topo em fazer essa loucura, pego o meu celular e começamos colocar o anuncio no meu i********:. Agora é esperar alguma resposta. Tomara que dê certo isso, senão estou fudido.