A mansão Brin, que há poucas semanas vibrava com o som dos choros e risadinhas dos recém-nascidos, agora era um lar de paz e esperança.
Veluma se recuperava aos poucos, o corpo ainda frágil, mas o coração pleno.
Fernando não se afastava dela e dos meninos por nada.
Chamavam-se Liam e Edward, e o pai orgulhoso dizia que eles eram o reflexo do amor que renascera das cinzas.
Mas nem todos compartilhavam daquela felicidade.
Nas sombras da cidade, um homem observava a família Brin com olhos frios e rancorosos.
Seu nome era Félix Moreau — o passado que Veluma julgava esquecido.
Félix havia sido seu primeiro amor, um homem de fala doce e intenções disfarçadas.
Quando Veluma o deixara, anos antes, ele jurara vingança.
Agora, ao saber que ela vivia sob o teto do homem mais poderoso de Londres — e mãe de seus herdeiros —, a inveja queimou em seu peito como fogo.
— Então é isso — murmurou, segurando o jornal que trazia a manchete: “O magnata Fernando Brin apresenta seus filhos gêmeos à sociedade”.
— Ela trocou a miséria pelo luxo… mas eu vou tirá-la desse sonho.
Naquela noite, a mansão dormia em silêncio.
Fernando havia passado horas no escritório resolvendo assuntos da fazenda, e Veluma, exausta, adormecera no quarto dos bebês, observando os dois pequenos dormirem lado a lado.
Do lado de fora, sob a névoa que cobria o portão principal, uma carruagem parou discretamente.
Dois homens vestidos de preto saltaram dela, acompanhados por Félix.
Ele conhecia cada canto da propriedade — fora jardineiro ali anos atrás.
Com passos silenciosos, infiltraram-se pela porta dos fundos, guiados pela escuridão e pela lembrança amarga do passado.
No quarto, Veluma despertou sobressaltada.
Um barulho leve — talvez um rangido de porta.
Ela se levantou, o coração acelerado, e foi até o berço.
O quarto estava meio às escuras, e por um instante, ela pensou ter imaginado o som.
Mas então viu a sombra se mover.
— Quem está aí? — perguntou, a voz trêmula.
Antes que pudesse reagir, uma mão forte tapou sua boca.
— Silêncio, minha bela — sussurrou uma voz familiar, carregada de veneno. — Não quero machucar você… só levar o que é meu por direito.
Veluma lutou, tentou gritar, mas Félix a empurrou com brutalidade, derrubando-a no chão.
— Félix! — murmurou, sufocada. — O que está fazendo?
Ele se inclinou, o olhar cheio de rancor.
— Recuperando o que perdi. Você me deve, Veluma.
— Eles não são seus! — gritou ela, desesperada. — São filhos de Fernando!
Félix riu friamente.
— Justamente por isso. Esses meninos valem mais do que ouro.
Enquanto ela tentava se erguer, os comparsas dele envolveram os dois bebês em mantas e os levaram pela janela lateral.
Veluma correu, cambaleante, gritando o nome deles.
— Liam! Edward!
O som ecoou pelos corredores, acordando os criados e fazendo Fernando sair do escritório em desespero.
— O que aconteceu?! — berrou, ao ver Veluma caída.
Ela, chorando, m*l conseguia falar.
— Eles… levaram os bebês… Félix… ele os levou!
O rosto de Fernando empalideceu.
Por um segundo, ficou imóvel — depois, o instinto de pai o dominou.
— Samuel! — gritou para o mordomo. — Reúna os homens! Tragam os cavalos!
A chuva voltava a cair fina, e o som dos cascos ecoou pelo pátio enquanto Fernando montava.
Veluma tentou segui-lo, mas ele a segurou antes de partir.
— Fique aqui. Eu juro que trarei nossos filhos de volta.
— Cuidado, Fernando… ele é perigoso! — implorou ela, agarrando-lhe a mão.
— Não há homem mais perigoso do que um pai quando tiram o que ele ama — respondeu, com os olhos flamejantes.
E então partiu, sumindo na escuridão.
Félix seguia com a carruagem pelos campos encharcados, rindo satisfeito.
Os dois bebês choravam baixinho, e ele, impaciente, os olhou.
— Silêncio, pequenos. Logo vocês estarão longe daqui.
Mas m*l terminou a frase, o som de cascos se aproximou — forte, determinado.
Fernando Brin surgia entre a neblina como uma fúria viva.
— Félix! — rugiu, a voz cortando o vento. — Pare essa carruagem!
Félix tentou acelerar, mas Fernando alcançou-o.
Com um golpe preciso, pulou sobre o cocheiro e o derrubou.
A carruagem balançou violentamente e parou.
Félix saltou, empunhando uma faca.
— Não se meta comigo, Brin!
— Você mexeu com meus filhos — disse Fernando, a voz fria como gelo. — E por isso… não há perdão.
Os dois lutaram sob a chuva, o barulho metálico do ferro misturado ao trovão.
Félix tentou atacá-lo, mas Fernando o desarmou e o jogou ao chão.
— Olhe bem para mim, Félix — disse, com a respiração ofegante. — Se algum dia chegar perto da minha família de novo… não haverá misericórdia.
Félix, derrotado e ferido, tentou se arrastar, mas os homens de Fernando o capturaram.
Quando Fernando se virou, o choro dos bebês o guiou até a carruagem.
Liam e Edward estavam ilesos, os olhinhos marejados, as mantas molhadas.
Ele os pegou nos braços, o coração desabando em alívio.
— Meus meninos… — murmurou, com lágrimas caindo. — Papai está aqui.
Horas depois, de volta à mansão, Veluma correu ao encontro deles.
Quando viu Fernando entrar com os gêmeos no colo, soluçou de alívio e desabou em seus braços.
—Hai meu Deus os meus filhos eu achei que tinha perdido vocês— chorava, beijando os rostinhos das crianças.
Fernando a abraçou forte, com a voz trêmula.
_Eu quero dar mamar a eles devem está com fome! Veluma coloca leite na madeira e para eles que mamaram e dormiram
_Obrigado amor eu te amo muito memos
— Enquanto eu respirar, ninguém tirará vocês de mim meus amores vocês são tudo que eu tenho nessa vida.
E naquela noite, enquanto o luar voltava a brilhar sobre a propriedade, Fernando jurou silenciosamente que nenhum m*l voltaria a alcançar sua família.
O magnata da terra, outrora solitário, agora era um leão que protegeria seu lar com a própria vida os seus pequenos.