Querido diário, se é que ainda posso chamá-lo assim… Aqui onde estou, o tempo não existe mais. Os dias não passam — eles se fundem em um só, eterno e luminoso. Mas mesmo assim, às vezes sinto vontade de escrever, de registrar as lembranças que ainda moram em mim, porque o amor, quando é verdadeiro, não se apaga nem com o sopro da eternidade. Daqui de cima, vejo tudo. A mansão, as árvores, o carvalho que agora abriga nossas raízes e histórias. Vejo Helena andando pelo jardim com o mesmo olhar sereno que eu tinha quando aprendi a amar a vida ao lado de Fernando. Ela tem a alma calma, mas forte — é o espelho do pai e o coração da mãe. Vejo Thomas com o filho no colo, ensinando-o a andar. E quando o menino cai e sorri, o som ecoa até aqui, como uma sinfonia que só o amor consegue com

