Daniel Ferraz
O dia foi tranquilo. Finalizei alguns projetos que só precisavam de acabamento. Mas a maldita imagem da morena do sinal insistia em martelar minha mente.
— Droga... não sou assim — resmungo, esfregando o rosto.
Tento focar. Me afundo nos últimos ajustes, até que olho o relógio: 16h. Como não há mais pendências urgentes, decido correr na praia. Preciso liberar a tensão. E, com sorte, expulsar essa mulher da minha cabeça.
Troco de roupa, coloco os fones e desço. Tenho o privilégio de morar de frente pro mar — a vista é minha terapia particular.
Durante a corrida, sou surpreendido por uma visão inesperada.
Ela.
Sentada na areia, admirando o mar como se o mundo lá fora não existisse.
Dra. Alexa Smith. A minha morena atrevida.
Aproximo-me devagar, tentando confirmar se é ela mesmo. E é. Só pode ser coisa do destino. Ou da provocação divina.
Conversamos por alguns minutos, o clima começa a aquecer, até que me aproximo um pouco demais… e ela me acerta com um chute certeiro nas joias da família.
Me dobro de dor, mas juro pra mim mesmo:
— Você vai pagar por isso, Alexa Smith. Ou eu não me chamo Daniel Ferraz.
Depois de me recompor, volto pra casa, ainda com o ego e o… "amiguinho" doloridos. Entro no banho tentando relaxar, mas a cada movimento, a imagem dela aparece de novo. Aquela boca atrevida, aquele olhar, o corpo…
— Diaba… atrevida — murmuro, sentindo o volume crescer de novo.
Me seco, coloco uma calça de moletom e desço pra comer alguma coisa, mas antes que chegue à cozinha, meu celular vibra. Pedro.
Ligação ON
— Fala, irmão!
— Fala, mano! Bora dar uma passada na boate hoje? Faz tempo que a gente não se diverte.
— Tô dentro. Preciso me distrair.
— Ainda pensando na mulher do sinal?
— Cara… reencontrei ela hoje. Tentei me aproximar e levei um chute no meio do jogo. Tô até falando fino ainda. — rimos.
— Hahaha! Não acredito! Ela não caiu no seu papo? Tá perdendo a moral, hein?
— Vai à merda. Eu continuo o mesmo de sempre e hoje à noite vou te provar.
— Aposta?
— Claro.
— Dois mil dólares.
— Fechado. Vou buscar minha grana.
Ligação OFF
Lurdes aparece na cozinha, me lança um olhar de reprovação. Ela já me conhece. Mas essa aposta é diferente. Não é sobre ganhar dinheiro. É sobre provar que nenhuma mulher me resiste.
Subo pro quarto, abro o notebook e vejo um e-mail do Vinícius — meu brother desde a faculdade. Convida pro churrasco de noivado dele amanhã e me lembra das plantas que eu prometi revisar.
Respondo confirmando presença. E, claro, dou uma zoada: “Nem acredito que o garanhão Vinícius vai se amarrar em uma só mulher…”
Eu, hein. Melhor assim — mais mulheres livres pro papai aqui. Mas aí… surge ela de novo na minha cabeça.
Alexa.
Suspiro, irritado comigo mesmo. Já são quase 20h. Hora de tomar banho e partir pra ganhar meus dois mil com estilo.
Chego na boate. A área VIP tá no clima: bebida cara, luz baixa, música pulsando. Pedro já tá me esperando com duas acompanhantes ao lado.
— Chegou o perdedor. — ele provoca.
— Perdedor, não. Tô aqui pra ganhar. — retruco, confiante.
Mal sento, uma loira estonteante vem até mim e se joga no meu colo. Pedro já desanima.
— Gostoso… vamos pra um lugar mais reservado?
— Ótima ideia, delícia.
Antes de sair, pergunto ao Pedro se vai no churrasco amanhã.
— Não posso, tenho outro compromisso.
— Azar o seu.
Levo a loira pra minha casa e dou um trato que ela não vai esquecer. Mas… no meio do ato, é a Alexa que invade minha mente.
Queria que fosse ela. Queria ouvir aquela boca atrevida me chamando de safado.
Na manhã seguinte, acordo com a loira nua na minha cama. Meu amigo lá embaixo desperta, e como não sou de negar fogo, puxo ela de volta.
Depois da segunda rodada, tomo um café forte, reviso as plantas do projeto do Vini e me arrumo para o churrasco. Bermuda jeans rasgada, camiseta preta colada, perfume caro.
Pego a chave da minha Harley BMW, minha bebê, e parto.
Quando Vinícius abre a porta… eu congelo.
Ela.
Alexa.
A morena do sinal. A dona do chute. A mulher que me tirou do eixo.
— Você?! — falamos ao mesmo tempo.
Vinícius nos olha, perplexo.
— Vocês se conhecem?
— Infelizmente. — ela diz, revirando os olhos. — Ele é o i****a que eu atropelei.
— E ela é a morena atrevida que te falei. — completo.
— Você falou de mim pro meu irmão? Seu i****a! — diz ela, brava.
— Como eu ia saber que o Vini era seu irmão, morena?
— Aqui estão as plantas, irmão. Tá tudo certo. — digo, entregando os papéis.
— Valeu, mano. Fica à vontade. Já volto. — Vinícius sai.
Assim que ficamos sozinhos, encosto Alexa na parede. Olho nos olhos dela. A centímetros da sua boca.
— Morena… você me deixou muito puto ontem. Meu amiguinho ainda tá se recuperando daquele chute. — falo, e guio a mão dela até o volume que cresce de novo.
— Você quer outro chute? Dessa vez, ele vai precisar de UTI. — rebate, tentando escapar.
— O que eu quero é isso aqui, desde o dia que você bateu na minha moto.
— O qu…?
Não dou tempo. Tomo sua boca num beijo quente, faminto. E que beijo…
Ela me empurra, tenta fugir. Mas seguro seu braço.
— Não terminei com você. Não gostou?
— Eu… não gostei. Você beija m*l. E quem você pensa que é?
— Certeza que não gostou?
— Absoluta. — mente.
— Seu corpo não pareceu concordar.
— i****a. — diz, tentando puxar o braço.
Mas eu a encosto na parede novamente. Sussurro no ouvido:
— Vamos tirar a dúvida…
E a beijo outra vez. Agora mais intenso, mais possessivo. Passo as mãos pela sua cintura, encosto nossos corpos. Ela treme. Gême. Mas, no momento em que penso em avançar… ela me empurra com força e sai correndo.
Fico parado, sorrindo.
— Você ainda vai ser minha, morena.
Depois de recuperar o fôlego — e o controle do meu corpo — vou até a piscina. E lá está ela… conversando com um tal de Cris. Ele fala demais, sorri demais, chega perto demais.
E ela sorri de volta.
Sinto o sangue ferver.
Vinícius aparece e me distrai:
— Mano, valeu pelas plantas. Trabalho impecável.
— Tava quase tudo certo. Só fiz ajustes mínimos.
— Mas agora... preciso saber: o que tá rolando entre você e minha irmã?
— Primeiro: eu juro que não sabia que ela era sua irmã.
— Eu sei, cara. Faz pouco tempo que ela voltou pra Miami. A gente não teve chance de se encontrar todos esses anos.
— Verdade. Eu era mais da farra naquela época. — dou uma risada.
— Como se tivesse mudado.
— Mudei. Agora não corro atrás. Elas vêm até mim. — sorrio, convencido.
— Olha… só te digo uma coisa: não brinca com a Alexa. Ela não é como as outras. E ela odeia romances.
— Relaxa, irmão… não vou fazer nada.
Mas assim que ele se afasta, sussurro pra mim mesmo:
— Não vou parar até ela estar gemendo meu nome na minha cama.