averiguação

902 Words
Pensamento Khadija. Nova York City Hospital 🏥 Fui intimada a comparecer, ao último andar, na parte superior da diretoria. Por ter ocorrido um escândalo na hora do evento, pela acusação acerca do caso do paciente que faleceu durante a cirurgia, a comissão de Ética Médica do Hospital resolveu chamar todos os profissionais envolvidos que estavam presentes durante o procedimento cirúrgico. Quem está sendo ouvida agora, é a enfermeira que entregou bebida álcoolica para o cirurgião na hora da cirurgia. O nome dela é Candice, provavelmente tem um caso amoroso com o médico, os dois são bem próximos. Escutamos tudo que ela diz, e as perguntas que são feitas pelos três membros da comissão. — Ocorreu alguma anormalidade no procedimento?— um dos analisadores que avaliam, pergunta. — Não que eu me lembre.— a enfermeira dá de ombros, e entreolha para o dr. Richard. — A cirurgia ocorreu conforme os protocolos. — Houveram complicações?— o outro analisador interroga. — Sim.— ela diz, sendo direta. Ergo o olhar, até achando que vai relevar a verdade...a esperança surge em meus olhos. — Mas o doutor Richard fez tudo que podia, o paciente era diabético, estava com nível alto de glicose elevado no sangue, o que ocasionou a parada cardíaca. A mulher de cabelo loiro alega, fazendo os três membros anotarem algo nas folhas. Fico observando de pé, a cara que meu chefe faz. Quem vê, até acredita que ele seja esse médico exemplar que demonstra ser. Todos parecem temer a ele. Quando Candice é dispensada, ela levanta. Mas antes de deixar a sala, vejo-a piscar disfarçadamente para doutor Richard e os dois trocam sorrisos de cúmplices. As duas enfermeiras que reprovaram a conduta dele ontem, elas me olham inseguras, ambas parecerem se sentirem pressionadas. Cada uma, é interrogada. As duas respondem quase a mesma coisa. — Não houve nenhuma irregularidade. — Durante a cirurgia não teves erros. As enfermeiras são liberadas a retornar para o trabalho. E chega a minha vez, de ser ouvida. Me sento, com rosto tenso. Recebo os olhares dos profissionais, por eu estar de hijab, as pessoas me olham diferentes. — Entende inglês?— um dos analisadores questiona. — Sim.— pronuncio, com meu sotaque um pouco puxado. — Quer ser interrogada somente por uma mulher?— o homem faz a pergunta, em referência a minha religião. — Não precisa. — Vamos iniciar as perguntas.— o m****o da comissão avisa. Minha atenção se volta ao meu chefe, este que me olha sério. Desvio o olhar, assim que escuto: — Nos conte como foi a cirurgia.— a avaliadora de jaleco, pede. Suspiro fundo, olhando outra vez em sentido ao meu chefe. Acabo me sentindo intimidada pelo doutor Richard, que fica me olhando fixamente. Os membros da comissão acabam notando o meu nervosismo. — Doutor, poderia esperar lá fora? — Claro.— ele se levanta, e olha ultima vez para trás, antes de deixar a sala. Ele fica me observando do vidro transparente da sala da diretoria. — Diga para nós, o que sucedeu. Respiro, e início dizendo: — O paciente estava com pressão arterial estável, durante todo o procedimento. No entanto....– pauso, levando atenção pro cirurgião. – A pressão começou a cair, por causa de uma hemorragia. Relato, e os membros da comissão de Ética se entreolham uns pros outros, porque as demais que vieram aqui omitiram essa informação. — Ocorreu alguma conduta negligente, que possa nos relatar?— a profissional que parece mais focada em descobrir, questiona. Olho em direção ao meu chefe, que me repreende com o olhar frio. — Não.– n**o; E na hora abaixo a cabeça, me sentindo tão incompetente como médica. – Como residente, acha que o doutor Richard tenha cometido algum erro médico?– sou questionada. Daí, ergo o meu rosto.... – Ele é o cirurgião, ele sabe o que faz.— solto as palavras, com o nó na garganta.— Não posso avaliá-lo, eu ainda estou aprendendo. —Está dispensada, doutora. Levanto, e saio andando. Quando me retiro da sala, o primeiro rosto que me esbarro, é com ele. Ele fica parado na minha frente, encarando-me. Encolho os ombros, estando coagida diante da presença intimidadora. — É assim que funciona, muçulmana. Mexer com alguém do meu patamar, só te traria dor de cabeça. E de agora em diante, seja cega pelo que você vai ver durante as cirurgias. Ele pisca o olho pra mim, e na maior arrogância passa reto, ao ser chamado. Fico me sentindo m*l, por ficar calada. O observo, mentindo, para comissão de Ética Médica. — Paciente iria morrer de qualquer jeito.— dr. Richard justica, com tom indiferente — Ele assinou um termo consciente dos riscos da cirurgia. Não tinha nada a ser feito ao meu alcance, ele estava com câncer no estômago, a família não estava ciente, achava que era um procedimento simples, mas não! Eu respeitei a decisão do meu paciente como médico. Está aqui prontuário de todos os diagnósticos, alegação da esposa do paciente não condiz com a realidade. Não houve qualquer erro médico. Dr. Richard faz revelações, no qual me faz arregalar os olhos. Fico chocada. De boquiaberta. — Outro detalhe, quem abriu o paciente, foi a minha residente, e eu a monitoriei o tempo todo– ele me cita. Tais palavras, me faz crer, que queira jogar culpa em mim de qualquer conduta errada que possa vir à tona.
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