Pensamento Khadija.
Nova York City
Apartamento/21:30 PM.
Sou trazida até em casa, cabisbaixa.
Assim que destranco a porta, retiro os meus saltos, para poder entrar. Dr. Richard observa meu gesto, e seu olhar confuso, acaba fazendo ele tomar a atitude de retirar os sapatos que usa.
— Lá, não precisa!– o interrompo.
Meu chefe franze a testa intrigado; arrogância não transborda em sua face.
— Shukran.— o agradeço, e me coloco entre a porta.
— O que significa esse shukran aí?— dr Richard indaga.— Não entendo essa língua.
— Na minha terra significa "obrigada " — digo.
Seus olhos azuis cruzam-se diretamente para minha fisionomia, exprimindo algo a mais. Sua postura, não é como do dia-a-dia.
O médico que costuma ser prepotente com todos, me olha com pena. Suas orbes focalizam na minha face carregada de choro.
— Nova York é perigoso, não se pode sair andando sozinha, muçulmana. Peça para alguém da sua família ir buscá-la.
Ele dá "conselho" e se vira para ir embora. No entanto, a minha voz triste o faz parar.
— Eu não tenho família. Eu abri mão disso...para vir viver esse sonho.— exponho, e vejo-o engolir em seco, levando os olhos para o meu rosto.
— Você não tem ninguém aqui?
Balanço a cabeça, negativamente, com meus olhos cheios de lágrimas.
— De onde você vem?— o meu chefe interroga, curiosamente.
— Arábia Saudita.— conto.
— E por que resolveu cursar medicina na América?– o médico questiona, intrigado.
— Primeiro porque as mulheres não têm tanta oportunidade no meu país, e nem podem trabalhar. E segundo, porque recebi uma bolsa em Harvard, a universidade pagou toda minha estadia nos Estados Unidos.
Ele morde o lábio inferior, bem surpreso.
— Foi uma decisão corajosa, muçulmana.
— O meu nome é Khadija, doutor Richard. — pronuncio. E ao corrigi-lo, o próprio ergue a cabeça.– Acredito que não saiba, já que têm que gravar tantos nomes.
Mesmo receosa falo, e o homem de camisa branca, me mira de relance pensativo.
— Não precisa trabalhar amanhã.— sou dispensada.— Descanse. E se precisar de mais folgas, comunique a Lígia, que ela me avisa.
— Eu prefiro ir para o hospital.— ao dizer, meu chefe faz uma expressão.— É o único lugar que eu tenho para ir.
— Ok, se prefere assim, nos vemos amanhã.— o mesmo se despede, para ir embora.
Mais eu faço uma coisa, que foge dos meus princípios.
— Dr Richard!— o chamo, e seus passos param bruscamente.— Fica hoje aqui, eu tô com medo.
Seus olhos azuis se direcionaram até mim, e sinto frio no estômago quando nos olhamos.
Sua reação é de incredulidade com o meu pedido.
E mesmo sem saber o que fazer, o meu chefe do hospital retorna.
Permito que ele entre no imóvel.
Embora não seja adequado que eu esteja sozinha na presença de um homem, acabo quebrando uma regra.
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O que acharam da Khadija chamando Richard para dormir na casa dela???
hein
será que ele vai começar a mudar com ela, depois de tudo que ela contou?
Deixem aí nos comentários.