Depois de um longo banho eu saí do banheiro com o coração apertado e vi Alice sentada no colo da minha avó assistindo tv.
- Vó, eu vou dormir agora... Boa noite para vocês. - Falei forçando um sorriso para esconder o meu rosto abatido. Automaticamente Alice saiu do colo da avó dela e veio até a mim.
- Eu posso dormir com você de novo? - Alice perguntou segurando em minha mão e eu confirmei me sentindo completamente deprimida, talvez dormir com a minha filha fosse a melhor idéia... Fomos para o meu quarto e Alice subiu na cama pulando enquanto eu tirava o excesso de travesseiros.
- Alice para de pular, você já está muito agitada. - Eu a repreendi séria e rapidamente ela parou de pular sentando na cama e me olhava animada.
- Mamãe eu posso ir para o seu trabalho novamente amanhã? Aquele novo amiguinho disse que eles estão na Cidade para a virada do ano ele se chama Lucas e ele é muito legal! Ele e o padrinho dele me ensinaram a girar um pião... Ele disse que eles devem jantar lá no restaurante de novo porque eles estão em uma pousada perto, e ele disse que iria levar um outro pião que brilha quando ele gira! - Alice falava empolgada me fazendo chorar e eu sentei na cama triste e logo ela parou de ficar animada e me olhou preocupada sentando no meu colo.
- Mamãe. - Alice me chamou resmungando angustiada e rapidamente eu limpei minhas lágrimas e fui me recompondo em seguida eu a abracei.
- Está tudo bem... Eu só estou sentindo dores nos pés! Amanhã eu não vou poder te levar, mas eu prometo que volto do trabalho com um pião que gira no escuro! - Respondi segurando o choro e forçando um sorriso e ela compreendeu.
- Mas se você achar o meu amiguinho lá, avisa que eu também vou ter um pião que brilha quando gira e quando eu for para o seu trabalho eu vou brincar com ele. - Alice falava sorrindo e eu acenti forçando um sorriso.
- Certo... Agora vai deitar! Está tarde. - Eu falei séria e ela deitou e eu a cobri e beijei sua testa em seguida.
- Eu já volto... - Falei sussurrando enquanto ela fechava os olhos, eu saí do quarto e apaguei a luz suspirando. Eu peguei o meu celular em minha bolsa e fui para a varanda da casa e liguei para a minha amiga de confiança.
- Vitória?! Ele apareceu! - Respondi assim que ela atendeu.
- Como assim?! Ele sabe da sua filha? - Vitória perguntou nervosa.
- Não... Eu acho que não, mas ele viu ela e até mesmo a ensinou a girar um pião e agora eu não consigo parar de chorar, ele me viu mas eu dei um jeito de sumir. - Eu falava chorando soluçando.
- Calma... Eu vou aparecer aí! - Vitória falava nervosa e eu desliguei a chamada. Vitória é a única que sabe de toda a minha história, ela é uma amiga meio doidinha da cabeça... Mas é a amiga. Ela morava bem perto e não demorou para ela aparecer em frente de casa e abriu o portão nervosa e veio respirando pesado com um cigarro na mão e deu um trago antes de entrar na varanda.
- Conta tudo! - Vitória falou nervosa sentando ao meu lado.
- Simplesmente ele apareceu no restaurante com Izabel e William para jantar enquanto Alice brincava na área infantil junto com o filho de Izabel e William! - Eu fui desabafando com a voz trêmula.
- p**a merda! E agora?! - Vitória perguntava nervosa.
- Agora?! Eu não sei! Já tenho alguns anos que faço uma boa economia para comprar a minha casa, talvez eu use essa economia para ir embora da Cidade... Se minha avó morrer os parentes todos vão brigar pelo pedaço dessa casa e eu não quero confusão com ninguém! Tão pouco com a minha mãe.
- Cara! Você não pode sair da Cidade assim tão de repente! Eu te avisei na época você se lembra?! Ele tem o direito de saber que ele tem uma filha. - Vitória me aconselhava dando mais um trago em seu cigarro.
- Eu também já te avisei para parar de fumar esse cigarro fedorento e você também não parou. - Respondi rindo tantando mudar de assunto. Vitória encarou o cigarro em seu dedo e voltou a me olhar.
- O que o meu cigarro tem a ver com o pai da Alice?! - Assim que Vitória perguntou aquilo acabamos rindo e eu suspirei.
- Vitória ele está tão lindo... Ele está mais forte e mais másculo e fez uma tatuagem grande em seu braço esquerdo.
- Como assim?! Pensei que você sentia raiva dele. - Vitória falava segurando a risada.
- Eu estou falando da beleza dele e não do que eu sinto por ele! - Respondi segurando a risada.
- Então me fala! O que você sentiu quando viu ele? - Vitória perguntou me encarando.
- Bom.. E-eu senti raiva é claro. - Respondi engolindo seco.
- Mentira! Carol larga de ser mentirosa! Está na cara que você ficou abalada com a presença dele! Eu fico imaginando como deveria está os seus hormônios na hora em que ele falou com você!
- Não fala besteira! Eu não gosto mais dele, isso já faz tanto tempo! - Tentei me defender.
- E você continua mentindo para você mesma... Olha amanhã eu passo aqui na sua casa a noite para saber mais! Eu vou precisar sair com uma galera. - Vitória falou se levantando.
- Tudo bem... boa festa Vivi. - Falei rindo e ela mandou um beijo para mim ainda com o cigarro na mão e eu balancei a cabeça negando rindo do jeito bobo dela.