Aymê

2774 Words
Aymê narrando- Não é que eu me acho melhor que os outros, é assim que eu sou obrigada oa ser , eu sou mulher, preta e favelada, e tenho que ser a melhor em tudo, eu tenho que fazer melhor , e ainda assim sou vista como a pior , desde pequena desenho vestidos, roupas e sempre sonhei em ser estilistas, as paredes sem reboco da minha casa não me impedem de sonhar com o mundo lá fora , em viajar e me ver sendo uma estilista famosa, reconhecida e bem conceituada, a única saída para alguém como eu é estudar , mesmo sendo uma saída difícil foi nela que eu me apeguei, estudei para o ENEM e passei com uma nota boa, consegui bolsa integral pelo PROUNI para o curso tão sonhado de moda, achei que meu sonho estava começando , más a realidade é outra ao invés do sonho, o pesadelo estava apenas começando, por vezes eu sai de madrugada de casa para ir andando e juntar o dinheiro da passagem para comprar apostilas, as vezes tenho que esconder a fome e ficar até tarde na biblioteca por não ter o livro que todos conseguem comprar, tentei trabalhar e estudar más minhas notas estavam caindo e o risco de perder meu sonho eu não quiz correr. Na sala de aula pessoas diferentes de mim , um curso formado por pessoas ricas, que pagam o curso com o próprio dinheiro, bem vestidas que frequentam desfiles famosos pelo mundo, não sou notada ou quando sou me olham de cara feia, amizade apenas com a Isa e a Rafa que são do curso de farmácia, para elas funcionam um pouco diferente já que a Rafa usa o dinheiro do irmão e a Isa é de família rica más vive do dinheiro do LK. Me achar melhor pode ser feio para você , más para mim é a forma de provar que eu sou e posso ser melhor , odeio bandido com todas as minhas foças, se eu pudesse exterminava todos dessa terra, mataram meu pai na minha frente por engano, eles pagam de ajudadores dos oprimidos , más são os próprios opressores, sonho com o dia que vou sair dessa favela e me livrar disso tudo. Me senti sem saída ao ter que depender de um deles, o pior de todos eles, que se acha o dono do mundo, o dono do morro, más eu não podia perder meus desenhos, a foto do meu pai, a polícia não ia dar ouvidos então tive que apelar para o Samurai, por mais que isso me provoque raiva, eu não tenho opção, a causa vale o sacrifício. Falei para os soldados as características do ladrão e fui para o meu quarto orar, pedir a Deus que ajude eles a acharem as minhas coisas, e que se acharem o ladrão que Deus tenha piedade dele, porquê a justiça da favela não quer saber se a fome falou alto, se a vontade de usar a droga que eles mesmo vendem gritou na alma, o tribunal na favela não tem defesa,tem só acusação . Orando e chorando por horas eu fiquei. Bateram na porta de madeira do meu quarto, uma porta quebrada más por trás dela eu escondo meus medos e minha tristeza e também o sonho de um dia sair daqui. Abri a porta é o Jeff. Jeff- Aymê o Samurai tá te chamando na boca para reconhecer o ladrão. Senti meu estômago revirar, de medo por terem achado ele e não só as coisas. Subi o morro na intenção de falar que não conheço, que não é ele, fiquei imaginando uma vida sendo levada como levaram a do meu pai. Entrei na boca, pela segunda vez estou aqui , e a sensação é a mesma, de que o d***o mora aqui dentro , é possível sentir a distancia do céu mesmo que ele esteja mais próximo, entrei na sala do dono do mundo, ele estava concentrado mexendo no celular e olhou por cima quando me viu. Samurai- bora reconhecer o rato, que meu tempo é curto. Ele parece cansado, o homem mais bonito que eu já vi, más não adianta uma embalagem bonita com o coração feio. Segui ele em passos lentos até uma parte da mata, onde o cara estava sentado em uma cadeira de ferro enferrujada, amarrado os braços e as pernas, um pano dentro da boca, de cabeça baixa, em volta três soldados seguravam seus fuzis , entre cigarros de maconha com as expressões fechadas, como se possuíssem a própria face da morte, eu não posso carregar a culpa da morte de uma pessoa , eu não posso fazer isso, eu cheguei perto e olhei o homem, é ele! foi ele que me roubou, ele me olhou com um olhar de misericórdia, lembrei do olhar do meu pai. Aymê- não é ele. Samurai- como assim não é ele, é o cara que você deu as características . Aymê- não é ele, eu não sei tava escuro. ele jogou um saco preto na minha frente, um saco de lixo. Samurai- abre! Eu abri o saco e reconheci todas as minha coisas, o celular não estava , más eu não me importo com isso, abracei meu caderno abaixada no chão de terra sem me importar se eu me sujaria, não me controlei e chorei, o barulho da serra me fez acordar para a realidade, cortaram as mãos dele com uma serra, o sangue jorrava com tanta força que me fez vomitar, um tiro na nuca fez o homem jogar a cabeça para frente, eu me senti igual ou pior do que ele, levantei com o saco na mão e sai apertando contra o peito, estava saindo da boca quando senti uma mão me puxar forte. Samurai- como é que se fala? Eu não conseguia falar, não conseguia pensar , ver aquele homem morrendo trouxe para a minha mente o pior momento da minha vida, e dessa vez a culpa foi minha. Samurai- Fala c*****o, não consegue agradecer? Com medo eu respondi. Aymê- obrigada! Ele ficou me olhando por um tempo, e soltou meu braço, eu segui a descida do morro, com os joelhos sujos de barro, abraçada em um saco preto, sem sentir meus passos, sentindo as batidas do meu coração que a cada batimento machuca, as lágrimas escorrem sem que eu sinta, a dor de cabeça lateja me tortura, o olhar do ladrão não sai da minha cabeça. Samurai narrando- O rato da quebrada foi eliminado, no meu morro se não anda pela ordem já viu, ladrão aqui não parceiro, não tem tolerância. Alguns dias se passaram a quebrada tá suave, na paz que eu gosto de ver, tá em paz de mais e tá bom assim. Fim de plantão, dou um salve na rádio é de lei, meu bom dia para o morador, desço na padoca tomo um café forte e partiu casa , descansar todo trabalhador merece. Cheguei em casa fui tomar um banho, o olhar dela não sai da minha cabeça, ela não sai da minha cabeça, quando toquei ela no braço parecia que eu tava tocando o céu , que mulher gata da p***a, ela ainda vai me querer e vai implorar por mim e eu vou usar e fazer como faço com todas, é só um pente e rala! Dormi pensando nela, eu só posso tá ficando doidão, pensando em uma moradora da favela, petulante , arrogante e gostosa pra c*****o, tenho que dar um rolé pegar uma gata, tomar um chá de b****a que me faça esquecer até meu vulgo. Acordei a tarde, tranquilo , suave ninguém barulhou , cheio de fome, vou descer o morro dá uma telada no movimento, comer uma parada , coloquei uma bermuda, e sai sem camisa, minha sombra já fica no aguardo para me seguir. Neném- e aí mano! Samurai- e ai irmão, vai arrumar uma mulher sai da minha cola doidão. Neném- é o meu trabalho c*****o, fazer a segurança da celebridade, não preciso de mulher já tenho a minha... Samurai- que mulher? Que eu não tô ligado. Neném- minha máquina aqui Lili, minha de fé. Samurai- que p***a de fuzil Lili c*****o, tô falando é de mulher p***a! Neném- eu sou delas e elas são minhas. Descemos de pé mesmo, cumprimento os moradores, os cara do corre, p***a ela vem subindo vestida em uma calça e um cropett, os cabelos balancando , contra o sol que deve tá brilhando só pra ela, fiquei imaginando ela sentando de costas pra mim, com esses cabelos de mola seguindo o compasso da sentada. Neném- vai pra onde? Meu p*u tá ficando duro, e eu não consigo me concentrar em mais nada. Neném- responde p***a! Samurai- quê? Ela passou por mim, levantou a cabeça fingiu que não me viu, só balançou a cabeça para o neném , e se foi deixando um perfume doce no ar, eu maior o****o ri sozinho, tá ligado àquelas cenas lentas de filme p***a é o rebolado dessa morena, virei a cabeça para olhar para ela. Neném- que p***a é essa ? Tá apaixonado? Samurai- eu apaixonado ? Fumou orégano neném? Ela podia me agradecer e sentar pro pai né? Neném- irmão, a mina mora aqui desde sempre tú nunca se ligou nela agora tá cismado? Samurai- eu nunca reparei no tanto que ela é gostosa, nunca vi ela nos bailes, nem por aqui. Neném- ela é mais de ficar entocada mesmo, não curte a favela e nada que tem nela, só sai pra faculdade. Samurai- tú conhece ela e vai entrar na mente dela pra ela ser minha , é só uma noite e nada mais, não quero forçar más quero ela, ao invés de cuspir no chão ela vai babar no meu p*u. Neném- sei não mano! Samurai- é uma ordem neném, se não der não deu, más tu vai fazer a mente dela. Entramos no restaurante da tia, essa hora só tem comida por aqui, más o rango da tia é de responsa, o LK chegou, sentou na mesa também pediu comida. Lk- é aí vai rolar festa de play boy , bora? Samurai- que bora o que p***a? Tu vai descer o morro pra ir pra festa de play boy? Lk- eu vou, festa da faculdade da Isa, eu não vou deixar minha bebezinha sozinha no meio de um monte de play? Neném- tô ligado nessa festa aí, boto fé que vou colar lá também. Samurai- tá ligado como? tá fazendo faculdade? Neném- a Aymê me falou. Ele gaguejou. Samurai- gaguejou porquê fdp? Tá pegando ela c*****o? Se tiver pegando eu saio fora. Neném- tô pegando não pô, ela é minha amiga e comentou só isso. Samurai- então eu vou nesse baile chique aí, vai que desenrola alguma coisa. Lk- aí o dono do morro em festa de faculdade, vai se disfarçar de bom moço? Samurai- eu sou um bom moço. Todos riram, bora lá saber de qual é dessa festa de play boy , vou me divertir e vou enquadrar a favelada petulante, depois que ela cair nos braços do chefe vai pedir para beijar o chão que eu piso. Aymê narrando- vai rolar uma festa com o pessoal da faculdade, para comemorar o fim do semestre, vai ser em uma boate que foi fechada somente para a festa, não tô afim de ir, não tenho roupa para ir, não tenho dinheiro para comprar é melhor ficar em casa mesmo, adiantando os estudos do próximo semestre, eu gosto de estar com pessoas que não são da favela, más eu sei bem o meu lugar mesmo que ele seja passageiro. Estava vindo da faculdade quando me deparei com a visão do inferno, bandido maldito, assassino, c***l, fingi não ver ele, mesmo sabendo que ele estava ali na minha frente, senti medo só de passar por ele, nos vemos poucas vezes na favela, não sou de sair de casa , odeio esse lugar, então evito tudo que acontece por aqui, principalmente gente como ele. Eu não tenho namorado, meu foco é um só ,conseguir sair daqui , dar uma vida melhor para minha família bem longe desse lugar, meu coração só tem espaço para o meu objetivo, com homens eu me divirto e saio fora, não quero nada que tire o meu foco. Cheguei cansada e acabei cochilando, acordei com a Rafa me chamando , levantei ainda meio desnorteada , abri a porta e ela entrou. Rafa- oi Mê! Aymê- Oi amiga. Sentamos no sofá que tá mais duro e velho do que tudo, ela encostou a cabeça no meu ombro Rafa- amiga você já sabe o que vai vestir na festa da faculdade? Aymê- eu não vou amiga. Rafa- a festa mais falada do ano, é claro que você vai. Aymê- não dá Rafa. Rafa- por favor? Aymê- não amiga vou ficar em casa, você e a Isa se divertem por mim. Rafa- não tem graça sem você. Aymê- vocês não vão sentir minha falta. A Isa entrou . Isa- não vamos mesmo porquê você vai eu trouxe um vestido e um salto que vai ficar maravilhoso em você. Eu sei que ela faz por bem sabe, más eu me sinto m*l por isso, eu me sinto ainda mais inferior do que eu já sou. Aymê- desculpa Isa más não precisa eu não quero ir. Ela deixou a sacola em cima do sofá. Isa - é um presente é seu! Rafa- a não Mê pensa direito, gatos, bebidas, dança, gatos, a cara das inimigas olhando nosso lacre, eu já falei gatos? Aymê- três vezes. Olhei pra ela, o gato dela não pode ir então ela vai aproveitar horrores, a Isa não sabe do lance da Rafa com o neném. Isa- amiga eu vim também para te perguntar se você topa me ajudar a cuidar da Iasmim,o LK vai te pagar é uma grana boa, é aqui perto ela pode ficar aqui na sua casa também você é alguém que eu confio. Não sei se é uma boa ser funcionária de bandido, más aqui em casa não tá fácil, está faltando as coisas e ver a minha mãe desesperada para trazer o pouco me corta o coração. Aymê- eu topo amiga. Isa- graças a Deus, a última babá dela era muito descuidada. Passamos a tarde conversando , depois elas foram embora, olhei a sacola em cima do sofá, abri , o vestido é realmente lindo, um dia eu vou ter um vestido desenhado por mim vestindo alguém, levei a sacola para o quarto, sentei na cama e fui ler um livro de romance, mesmo não querendo amar eu me deixo viajar no amor de outras pessoas, ainda estou sem celular , não sei quando vou ter outro, não me faz muita falta. Comi um biscoito e um copo de leite e fui desenhar imaginando modelos lindas desfilando nas minhas criações, meu nome assinado nas revistas de moda, sendo anunciado nos grandes desfiles eu posso ouvir os aplausos, na verdade eram apenas os fogos comemorando o gol do Flamengo, eu ri dos meu pensamentos , dormi fazendo planos como sempre faço. Acordei cedo é sábado más hoje eu começo a cuidar da Iasmim, a Isa vai sair com o LK , ainda bem que ela vai ficar aqui em casa, me arrumei e fiquei esperando. Um carro businou e eu saí, me tremi toda quando vi o Samurai. Samurai- e aí, o LK pediu para deixar a Iasmim aqui. Ele desceu do carro, pegou a Yasmim no colo e colocou no meu, eu sinto até minha unha do dedão tremer, o medo a repulsa, nojo , um monte de sentimento se misturam aqui dentro. Ele beijou a Buchecha da Iasmim e olhou bem no meu olho, se teve alguém que me segurou de pé foi Deus, porquê eu só queria correr, lembrei do cara sendo morto por ele, eu consigo ouvir o barulho do tiro na minha cabeça, abracei a Iasmim e voltei para casa, me assustei quando bateu na porta, coloquei a Iasmim no sofá e fui abrir, no impulso eu gritei quando vi ele na porta. Aymê- haaaaaa Samurai- iiii qual foi? vim deixar a bolsa da Iasmim, e o dinheiro o LK falou para comprar o que ela precisar. Peguei a bolsa, ele puxou minha mão e colocou o dinheiro e ficou segurando minha mão por alguns segundos, eu puxei a mão e ele saiu dando tchau e sorrindo para a Iasmim que ficou toda sorridente para ele. Olhei pra ela depois que fechei a porta. Aymê- como você consegue sorrir pra ele Iasmim? Ela riu, claro ela é inocente não sabe do que ele é capaz.
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