Incêndio

2474 Words
Samurai narrando- o jeito que essa dona desestabiliza meu sistema é diferente, ela fode a minha mente e derruba minha postura, que mané sonho? sonho é pra quem tá dormindo , eu tô acordado e ligeiro, o plano é um só fazer dinheiro e viver. Neném - eai desenrolando as ideias com a morena? Samurai- eu sou de desenrolar idéia p***a? Meu papo é reto. Neném- falou , falou e não falou nada, deu bom ou não deu? Samurai- bora trabalhar p***a! Nenem- deu r**m kkkk Samurai- irmão tú não me testa que hoje eu não tô pra zueira c*****o. Já tô pesado só de pensar que ela deu pro play boy filho da p**a, eu comi umas donas , más o f**a é que eu posso comer mais de mil, que ainda vou ficar com fome, até o meu corpo essa p***a tá sacudindo. Subi pra boca com o neném, que Deus abençoe o plantão, que essa favela durma em paz, sem treta e que o nosso faturamento cresça. E tava na maior paz até eu senti um cheiro forte de fumaça, olhei no relógio três da manhã, eu e os cara do plantão jogando dominó, suave na tranquilidade. Samurai- é aí tá sentindo esse cheiro de queimado da p***a? Nenem- de rocha. O rádio começou a barulhar. ?samurai- fala marola! ?marola- chefe tá maior b.o tem um barraco pegando fogo e tá sinistro , já tá pegando fogo no outros barracos do ladopô. Samurai- bora bora! Atividade tem fogo na favela! Descemos no pinote de moto, o clarão do fogo e a fumaça já tava cabuloso. Os bombeiros já tava subindo, os morador joga água com balde, mangueira, más o fogo é mais rápido. Samurai- tem alguém lá dentro? Marola- não sei mano, quando nós chegou o fogo já tava alto e não deu para entrar. Porra véi! Do nada o teto caiu, e o fogo foi tomando conta da casa do lado, ouvi um grito cabuloso de desespero vindo da casa vizinha, parece ser de uma criança, dei a volta no lote e ouvi o grito mais perto. Neném- sai daí mano tá doidão? Meti o pé na porta e entrei,caiu um bagulho quente pra c*****o no meu braço , sacudi e continuei procurando, a fumaça me deixou cego e sem ar. Samurai- grita de novo! O grito de desespero ecoou Xxx- eu quero a minha mãe. Uma vozinha falou, eu segui a voz , abri os olhos que começaram a arder e vi a menina embaixo da mesa, puxei a mão dela rápido, joguei ela no ombro e sai , quando dei um passo pra fora da casa a cozinha explodiu, boto fé que foi o gás. Os bombeiros pegaram a menina e me atenderam más eu recusei, eu fiquei tossindo más nada de mais, o braço queimado também não é nada, tô de boa, deixa eles fazer o trabalho deles ai, o trabalho foi pesado, maior tempão para controlar o fogo. Os morador tudo assustado , bicam o movimento. Samurai- quem mora nessa casa? Neném- seu Nestor e a dona Ana. Lembrei do bagulho da cachaça, ele batia nela, e que p***a foi essa? Ouvi na hora que o chefe dos bombeiros chamou a polícia. Bombeiro- localizado dois corpos carbonizados sexo masculino e feminino, vizinhos afirmam que se trata de um casal que morava na residência,na casa vizinha foi encontrada uma menor de quatro anos sozinha , caracterizado abandono de incapaz , só tinha a criança na residência, a criança vai ser encaminhada para atendimento em pronto Socorro. Neném- bora mano, os cana vai barulhar, é melhor ficar na nossa e deixar eles resolver esse b.o, chegamo tarde. Ele tem razão, o f**a é que isso vai dar assunto pra mídia, e vai dar destaque pro morro, o morro em destaque o dono é vizado, quem é visto é lembrado , e fode quando o lembrado é procurado. Voltei pra boca grilado, eu devia ter cortado o m*l pela raiz, esse c*****o desse velho bêbado dos infernos deve ter tacado fogo no barraco, o limite pra esse tipo de homem é a morte, e eu segurei a onda por causa da dona Ana e deu nisso, eu falhei nessa p***a! Samurai- quero saber quem é a mãe da menina que ficou sozinha em casa. Marola- ela é filha da Poliana mano, ela dá plantão a noite na UPA é uma parada de técnico de enfermagem um bagulho assim, a moradora falou que a dona Ana ficava de olho na menina pra mãe trabalhar, sinistro né véi. Sinistro uma p***a dessa acontecer aqui dentro do meu morro. O LK chegou. Lk- que fita eim mano! Queimou o braço feio ai irmão Samurai- p***a mano como um bagulho desse foi acontecer aqui dentro véi, sei nem por onde começar. Lk- tem nada pra começar nao mano, o bagulho vai ficar na mão dos cana e nós vai assistir daqui. Passamos a noite na boca, esperando os cana dá o parecer, ninguém pregou o olho por aqui, seis horas da manhã e todo mundo virado, o clima tá pesado, o rádio barulhou. ?marola- liga a TV aí mano tá falando da parada do morro. Sabia que esse bagulho ia dar mídia. Samurai- liga a TV aí LK. Ele ligou, juntou o bolinho na frente da TV. TV- na madrugada dessa terça feira, ocorreu um trágico incêndio no morro do Turano, um casal morreu carbonizado a polícia investiga a ação de traficantes como sendo responsáveis pelo incêndio, vizinhos afirmam que a mulher conhecida como Ana , havia sido intimada pelo chefe do tráfico na região conhecido como Samurai, moradores informaram que acreditam na atuaçao do traficante nas mortes, já que o marido da dona Ana que tambem morreu no incêndio era usuário de drogas e tinha dividas com traficantes, uma criança foi resgatada com vida, aguardamos maiores informações da polícia sobre essa tragédia que comoveu não só os moradores do Turano más o país inteiro, más uma vez vemos a atuação barbara e c***l do tráfico nas comunidades do Rio de janeiro. Samurai- p***a! TV- vamos ouvir agora o pastor da igreja que o casal frequentava. Pastor- A Ana e o Nestor era um casal harmonioso que se amava, um casal feliz, ele usava drogas era um vício que ele tava tentando se livrar más não deu tempo, o tráficante e o demônio chegou primeiro, a comunidade não pode aceitar um traficante como herói, nosso herói é Jesus Cristo, eu não tenho medo não samurai Deus é o meu galardão, e ele te ama! Ele falou como se tivesse olhando pra mim, segurando a bíblia. Samurai- filho da p**a! Quem vendia droga pra esse c*****o desse velho? Ele comprava em que boca? Lk- nenhuma! Ele não usava droga, a droga do cara era a cachaça, não tinha divida no nome dele não pô. Samurai- que desgraça! Eu nunca ia fazer um bagulho desse e não ia autorizar uma merda dessa não irmão, colocar a vida de um monte de gente em risco, o velho merecia morrer porquê batia na mulher, más e ela pô eu não ia fazer uma merda dessa não irmão. Neném- nós tá ligado pô! Não partiu daqui essa p***a não. Lk- pegar esse pastor da boca de **, falador do c*****o e saber que caô é esse aí que ele tá soltando. Samurai- p***a mano os morador tudo contra mim véi. Lk- a comunidade não, um p*u no ** só! Neném- mais não vai dar pra nós enquadrar o pastor agora não, se não é assinar culpa. Como que eu vou resolver essa p***a véi, se é que tem como, eu sou acusado dos meu crimes e isso dá direito de ser culpado pelos que não são também. ?Samurai- e aí marola! Samurai na voz ?Marola- fala chefe. ?Samurai- como tá por aí? ?Marola- os cana saiu fora, e os repórter tá saindo também. ?Samurai- pode crê! Marquei um dez e chamei na rádio da favela, o salve hoje vai ser triste , vai ser de luto, eu tô ligado que o bagulho vai fuder pra mim, más são moradores que morreram e uma criança que podia ter morrido, e um bagulho que ela vai carregar pra vida. Lk- faz isso não mano! Fala nada na rádio não. Samurai- E aê comunidade Samurai na voz, hoje o turano tá triste, de luto, sentimentos aí pra quem conhecia o seu Nestor e a dona Ana, que Deus console, eu não vou prolongar o papo não, quem me conhece sabe o meu proceder e é isso ai! Não tem como desejar um bom dia porquê o turano hoje vai ter um dia triste, más desejo força pra nós passar por mais essa, salve favela. Tô Tristão véi, o Turano é a minha vida, na minha casa eu já tenho quem me odeia, no meu coração também , se eu perder o respeito dos morador eu perco tudo! Aymê narrando- mesmo esperando esse tipo de coisa de alguém como o Samurai eu me assustei com a frieza de queimar duas pessoas vivas e colocar a vida de várias outras em risco, ele é exatamente o monstro que eu achei que fosse, ainda bem que não me deixei levar pelos meus momentos de loucuras. Se o pastor da igreja teve coragem de falar na televisão é porquê é verdade, o pastor é um servo de Deus já o Samurai... Minha mãe chegou a tempo de ver a notícia que tava passando na TV. Cláudia- que pastor safado! Mentiroso o Samurai nunca ia fazer isso, casal harmonioso? a Ana e o Nestor brigava até na igreja, ele não usava droga, que divida de droga é essa? Aymê- mãe é o seu pastor. Claudia- ele é pastor da igreja, más ele foi longe com essa mentira contra o Samurai. Ayme- você e sua mania de defender bandido. O Jeff saiu do quarto com a cara triste. Cláudia- que foi Jeferson tá doente? Engoli meu café quente ainda. Aymê- tô saindo. Jeff- fica por favor. Cláudia- o que foi agora? Já não basta como tá a favela lá fora? Aymê- senta que a senhora vai precisar. Cláudia- não me assusta Aymê, se meteu com a boca de novo? Ela falou olhando pra ele. Jeff- sua benção mãe. É sonso demais. Cláudia- Deus te abençoe, responde Jeferson, não me faz sair da graça, não me faz perder a paciência, você se meteu no movimento de novo? Jeff- não mãe, a Nathy tá grávida. Minha mãe deu um tapão nas costas dele. Claudia- me segura Jesus para eu não matar esse garoto. Aymê- calma mãe, o que tá feito, tá feito não vai adiantar a senhora matar ele, porque ele tem que viver e trabalhar para criar o filho dele. Cláudia - dezessete anos Jeferson, nem a escola terminou, aí Jesus. Jeff- os outros ai é pai com quinze. Cláudia- tú é os outros moleque? Minha mãe fecha os punhos com ódio. Jeff- eu vou assumir mãe. Eu olhei pra minha mãe e rimos juntas. Cláudia- tú não tem cabelo no saco direito Jeferson, a situação aqui é difícil, como vamos fazer para criar essa criança. Jeff- eu vou trabalhar. Cláudia- claro que vai é o mínimo, sai da minha frente, eu não tenho condições de conversar com você agora, porque eu quero te matar. Ele pegou a camisa e saiu. Aymê- fica calma mãe, vamos dar um jeito, vai descansar , esfriar a cabeça, eu sei que é assustador, más nós três temos um ao outro, e ninguem solta a mão de ninguém. Beijei a testa dela. Aymê- eu te amo! Fui para a faculdade de ônibus, não consegui falar com a Isa e não sei se ela vai vim para a faculdade hoje, depois do que rolou na favela. Sentei no pátio esperando o sinal bater, levei um susto quando a Rafaela sentou do meu lado. Rafaela- oi, pode conversar? Aymê- claro! Rafaela- desculpa eu fui horrível com você. Aymê- você não deixou eu me explicar, foi o neném que me beijou.... Rafaela- não precisa se justificar, o neném me contou, eu e ele nos entendemos. Não sei se fico feliz ou triste por ele, ela não leva ele a sério, e ainda trai com quem vê na frente. Aymê- que Bom! Rafaela- podemos voltar a ser amigas? Eu gosto dela, más depois de tudo o que ela me disse eu sempre vou achar que ela me quer por perto para se sentir superior, e pensando bem é isso que ela faz , esbanja o que tem se comparando comigo que não tenho nada. Aymê- por mim tudo bem. Rafaela- eu tô com medo! Acho que a polícia vai invadir o morro para prender meu irmão. Eu nunca ouvi ela mencionar o irmão. Aymê- más é o que tem que ser feito. Rafaela- não foi ele que matou aquele casal, não foi ele! Aymê- como você sabe? Rafaela- eu conheço o Pablo desde pequena, e não foi ele. Ela falou com os olhos cheio de lágrimas. Rafaela- eu odeio ele, más não quero que façam m*l pra ele, eles matam , a polícia vai matar ele. Aymê- a polícia não invade o morro a muitos anos, eles não vão subir, fica calma. Eu lembrei do desenho do caixão e senti um aperto no coração ao lembrar do rosto dele triste, ele me disse que não deseja a morte de quem não faz m*l pra ele, eu sempre via o seu Nestor bêbado e ele batia mesmo na dona Ana, mas o que eles teriam feito para ascender a ira do samurai assim? Rafaela- eles não podem subir. Ela começou a chorar, eu nunca vi a rafa chorar, ela disfarçou, ela se parece com ele, o sinal tocou e cada uma foi pra sua sala. Depois da aula não vi mais ela, passei o dia com o Daniel, más a cabeça tava no morro, preocupada com a minha familia, tomara mesmo que a policia não suba o morro, a noite o Daniel me deixou na entrada do morro, subi a pé. Tá todo mundo triste e não se fala em outra coisa, o incêndio mexeu com todos, cheguei em casa , dei um beijo na minha mãe , tomei um banho e fui dormir. Acordei com barulho e minha mãe me chamando. Cláudia- acorda Aymê, a polícia tá invadindo o morro, seu irmão não tá aqui. Um adolescente preto é o alvo preferido da polícia. Aymê- não vamos sair daqui mãe, não dá eu vou ligar para ele. A salva de fogos e tiros comprova que a invasão é um fato. ?Eita que nosso bandido é herói também, que fita esse incêndio, que pastor FDP! a dona Claudia é brava eim! A polícia tá subindo o morro.
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