Samurai narrando- o jeito que essa dona desestabiliza meu sistema é diferente, ela fode a minha mente e derruba minha postura, que mané sonho? sonho é pra quem tá dormindo , eu tô acordado e ligeiro, o plano é um só fazer dinheiro e viver.
Neném - eai desenrolando as ideias com a morena?
Samurai- eu sou de desenrolar idéia p***a? Meu papo é reto.
Neném- falou , falou e não falou nada, deu bom ou não deu?
Samurai- bora trabalhar p***a!
Nenem- deu r**m kkkk
Samurai- irmão tú não me testa que hoje eu não tô pra zueira c*****o.
Já tô pesado só de pensar que ela deu pro play boy filho da p**a, eu comi umas donas , más o f**a é que eu posso comer mais de mil, que ainda vou ficar com fome, até o meu corpo essa p***a tá sacudindo.
Subi pra boca com o neném, que Deus abençoe o plantão, que essa favela durma em paz, sem treta e que o nosso faturamento cresça.
E tava na maior paz até eu senti um cheiro forte de fumaça, olhei no relógio três da manhã, eu e os cara do plantão jogando dominó, suave na tranquilidade.
Samurai- é aí tá sentindo esse cheiro de queimado da p***a?
Nenem- de rocha.
O rádio começou a barulhar.
?samurai- fala marola!
?marola- chefe tá maior b.o tem um barraco pegando fogo e tá sinistro , já tá pegando fogo no outros barracos do ladopô.
Samurai- bora bora! Atividade tem fogo na favela!
Descemos no pinote de moto, o clarão do fogo e a fumaça já tava cabuloso. Os bombeiros já tava subindo, os morador joga água com balde, mangueira, más o fogo é mais rápido.
Samurai- tem alguém lá dentro?
Marola- não sei mano, quando nós chegou o fogo já tava alto e não deu para entrar.
Porra véi! Do nada o teto caiu, e o fogo foi tomando conta da casa do lado, ouvi um grito cabuloso de desespero vindo da casa vizinha, parece ser de uma criança, dei a volta no lote e ouvi o grito mais perto.
Neném- sai daí mano tá doidão?
Meti o pé na porta e entrei,caiu um bagulho quente pra c*****o no meu braço , sacudi e continuei procurando, a fumaça me deixou cego e sem ar.
Samurai- grita de novo!
O grito de desespero ecoou
Xxx- eu quero a minha mãe.
Uma vozinha falou, eu segui a voz , abri os olhos que começaram a arder e vi a menina embaixo da mesa, puxei a mão dela rápido, joguei ela no ombro e sai , quando dei um passo pra fora da casa a cozinha explodiu, boto fé que foi o gás.
Os bombeiros pegaram a menina e me atenderam más eu recusei, eu fiquei tossindo más nada de mais, o braço queimado também não é nada, tô de boa, deixa eles fazer o trabalho deles ai, o trabalho foi pesado, maior tempão para controlar o fogo.
Os morador tudo assustado , bicam o movimento.
Samurai- quem mora nessa casa?
Neném- seu Nestor e a dona Ana.
Lembrei do bagulho da cachaça, ele batia nela, e que p***a foi essa? Ouvi na hora que o chefe dos bombeiros chamou a polícia.
Bombeiro- localizado dois corpos carbonizados sexo masculino e feminino, vizinhos afirmam que se trata de um casal que morava na residência,na casa vizinha foi encontrada uma menor de quatro anos sozinha , caracterizado abandono de incapaz , só tinha a criança na residência, a criança vai ser encaminhada para atendimento em pronto Socorro.
Neném- bora mano, os cana vai barulhar, é melhor ficar na nossa e deixar eles resolver esse b.o, chegamo tarde.
Ele tem razão, o f**a é que isso vai dar assunto pra mídia, e vai dar destaque pro morro, o morro em destaque o dono é vizado, quem é visto é lembrado , e fode quando o lembrado é procurado.
Voltei pra boca grilado, eu devia ter cortado o m*l pela raiz, esse c*****o desse velho bêbado dos infernos deve ter tacado fogo no barraco, o limite pra esse tipo de homem é a morte, e eu segurei a onda por causa da dona Ana e deu nisso, eu falhei nessa p***a!
Samurai- quero saber quem é a mãe da menina que ficou sozinha em casa.
Marola- ela é filha da Poliana mano, ela dá plantão a noite na UPA é uma parada de técnico de enfermagem um bagulho assim, a moradora falou que a dona Ana ficava de olho na menina pra mãe trabalhar, sinistro né véi.
Sinistro uma p***a dessa acontecer aqui dentro do meu morro. O LK chegou.
Lk- que fita eim mano! Queimou o braço feio ai irmão
Samurai- p***a mano como um bagulho desse foi acontecer aqui dentro véi, sei nem por onde começar.
Lk- tem nada pra começar nao mano, o bagulho vai ficar na mão dos cana e nós vai assistir daqui.
Passamos a noite na boca, esperando os cana dá o parecer, ninguém pregou o olho por aqui, seis horas da manhã e todo mundo virado, o clima tá pesado, o rádio barulhou.
?marola- liga a TV aí mano tá falando da parada do morro.
Sabia que esse bagulho ia dar mídia.
Samurai- liga a TV aí LK.
Ele ligou, juntou o bolinho na frente da TV.
TV- na madrugada dessa terça feira, ocorreu um trágico incêndio no morro do Turano, um casal morreu carbonizado a polícia investiga a ação de traficantes como sendo responsáveis pelo incêndio, vizinhos afirmam que a mulher conhecida como Ana , havia sido intimada pelo chefe do tráfico na região conhecido como Samurai, moradores informaram que acreditam na atuaçao do traficante nas mortes, já que o marido da dona Ana que tambem morreu no incêndio era usuário de drogas e tinha dividas com traficantes, uma criança foi resgatada com vida, aguardamos maiores informações da polícia sobre essa tragédia que comoveu não só os moradores do Turano más o país inteiro, más uma vez vemos a atuação barbara e c***l do tráfico nas comunidades do Rio de janeiro.
Samurai- p***a!
TV- vamos ouvir agora o pastor da igreja que o casal frequentava.
Pastor- A Ana e o Nestor era um casal harmonioso que se amava, um casal feliz, ele usava drogas era um vício que ele tava tentando se livrar más não deu tempo, o tráficante e o demônio chegou primeiro, a comunidade não pode aceitar um traficante como herói, nosso herói é Jesus Cristo, eu não tenho medo não samurai Deus é o meu galardão, e ele te ama!
Ele falou como se tivesse olhando pra mim, segurando a bíblia.
Samurai- filho da p**a! Quem vendia droga pra esse c*****o desse velho? Ele comprava em que boca?
Lk- nenhuma! Ele não usava droga, a droga do cara era a cachaça, não tinha divida no nome dele não pô.
Samurai- que desgraça! Eu nunca ia fazer um bagulho desse e não ia autorizar uma merda dessa não irmão, colocar a vida de um monte de gente em risco, o velho merecia morrer porquê batia na mulher, más e ela pô eu não ia fazer uma merda dessa não irmão.
Neném- nós tá ligado pô! Não partiu daqui essa p***a não.
Lk- pegar esse pastor da boca de **, falador do c*****o e saber que caô é esse aí que ele tá soltando.
Samurai- p***a mano os morador tudo contra mim véi.
Lk- a comunidade não, um p*u no ** só!
Neném- mais não vai dar pra nós enquadrar o pastor agora não, se não é assinar culpa.
Como que eu vou resolver essa p***a véi, se é que tem como, eu sou acusado dos meu crimes e isso dá direito de ser culpado pelos que não são também.
?Samurai- e aí marola! Samurai na voz
?Marola- fala chefe.
?Samurai- como tá por aí?
?Marola- os cana saiu fora, e os repórter tá saindo também.
?Samurai- pode crê!
Marquei um dez e chamei na rádio da favela, o salve hoje vai ser triste , vai ser de luto, eu tô ligado que o bagulho vai fuder pra mim, más são moradores que morreram e uma criança que podia ter morrido, e um bagulho que ela vai carregar pra vida.
Lk- faz isso não mano! Fala nada na rádio não.
Samurai- E aê comunidade Samurai na voz, hoje o turano tá triste, de luto, sentimentos aí pra quem conhecia o seu Nestor e a dona Ana, que Deus console, eu não vou prolongar o papo não, quem me conhece sabe o meu proceder e é isso ai! Não tem como desejar um bom dia porquê o turano hoje vai ter um dia triste, más desejo força pra nós passar por mais essa, salve favela.
Tô Tristão véi, o Turano é a minha vida, na minha casa eu já tenho quem me odeia, no meu coração também , se eu perder o respeito dos morador eu perco tudo!
Aymê narrando- mesmo esperando esse tipo de coisa de alguém como o Samurai eu me assustei com a frieza de queimar duas pessoas vivas e colocar a vida de várias outras em risco, ele é exatamente o monstro que eu achei que fosse, ainda bem que não me deixei levar pelos meus momentos de loucuras.
Se o pastor da igreja teve coragem de falar na televisão é porquê é verdade, o pastor é um servo de Deus já o Samurai...
Minha mãe chegou a tempo de ver a notícia que tava passando na TV.
Cláudia- que pastor safado! Mentiroso o Samurai nunca ia fazer isso, casal harmonioso? a Ana e o Nestor brigava até na igreja, ele não usava droga, que divida de droga é essa?
Aymê- mãe é o seu pastor.
Claudia- ele é pastor da igreja, más ele foi longe com essa mentira contra o Samurai.
Ayme- você e sua mania de defender bandido.
O Jeff saiu do quarto com a cara triste.
Cláudia- que foi Jeferson tá doente?
Engoli meu café quente ainda.
Aymê- tô saindo.
Jeff- fica por favor.
Cláudia- o que foi agora? Já não basta como tá a favela lá fora?
Aymê- senta que a senhora vai precisar.
Cláudia- não me assusta Aymê, se meteu com a boca de novo?
Ela falou olhando pra ele.
Jeff- sua benção mãe.
É sonso demais.
Cláudia- Deus te abençoe, responde Jeferson, não me faz sair da graça, não me faz perder a paciência, você se meteu no movimento de novo?
Jeff- não mãe, a Nathy tá grávida.
Minha mãe deu um tapão nas costas dele.
Claudia- me segura Jesus para eu não matar esse garoto.
Aymê- calma mãe, o que tá feito, tá feito não vai adiantar a senhora matar ele, porque ele tem que viver e trabalhar para criar o filho dele.
Cláudia - dezessete anos Jeferson, nem a escola terminou, aí Jesus.
Jeff- os outros ai é pai com quinze.
Cláudia- tú é os outros moleque?
Minha mãe fecha os punhos com ódio.
Jeff- eu vou assumir mãe.
Eu olhei pra minha mãe e rimos juntas.
Cláudia- tú não tem cabelo no saco direito Jeferson, a situação aqui é difícil, como vamos fazer para criar essa criança.
Jeff- eu vou trabalhar.
Cláudia- claro que vai é o mínimo, sai da minha frente, eu não tenho condições de conversar com você agora, porque eu quero te matar.
Ele pegou a camisa e saiu.
Aymê- fica calma mãe, vamos dar um jeito, vai descansar , esfriar a cabeça, eu sei que é assustador, más nós três temos um ao outro, e ninguem solta a mão de ninguém.
Beijei a testa dela.
Aymê- eu te amo!
Fui para a faculdade de ônibus, não consegui falar com a Isa e não sei se ela vai vim para a faculdade hoje, depois do que rolou na favela.
Sentei no pátio esperando o sinal bater, levei um susto quando a Rafaela sentou do meu lado.
Rafaela- oi, pode conversar?
Aymê- claro!
Rafaela- desculpa eu fui horrível com você.
Aymê- você não deixou eu me explicar, foi o neném que me beijou....
Rafaela- não precisa se justificar, o neném me contou, eu e ele nos entendemos.
Não sei se fico feliz ou triste por ele, ela não leva ele a sério, e ainda trai com quem vê na frente.
Aymê- que Bom!
Rafaela- podemos voltar a ser amigas?
Eu gosto dela, más depois de tudo o que ela me disse eu sempre vou achar que ela me quer por perto para se sentir superior, e pensando bem é isso que ela faz , esbanja o que tem se comparando comigo que não tenho nada.
Aymê- por mim tudo bem.
Rafaela- eu tô com medo! Acho que a polícia vai invadir o morro para prender meu irmão.
Eu nunca ouvi ela mencionar o irmão.
Aymê- más é o que tem que ser feito.
Rafaela- não foi ele que matou aquele casal, não foi ele!
Aymê- como você sabe?
Rafaela- eu conheço o Pablo desde pequena, e não foi ele.
Ela falou com os olhos cheio de lágrimas.
Rafaela- eu odeio ele, más não quero que façam m*l pra ele, eles matam , a polícia vai matar ele.
Aymê- a polícia não invade o morro a muitos anos, eles não vão subir, fica calma.
Eu lembrei do desenho do caixão e senti um aperto no coração ao lembrar do rosto dele triste, ele me disse que não deseja a morte de quem não faz m*l pra ele, eu sempre via o seu Nestor bêbado e ele batia mesmo na dona Ana, mas o que eles teriam feito para ascender a ira do samurai assim?
Rafaela- eles não podem subir.
Ela começou a chorar, eu nunca vi a rafa chorar, ela disfarçou, ela se parece com ele, o sinal tocou e cada uma foi pra sua sala.
Depois da aula não vi mais ela, passei o dia com o Daniel, más a cabeça tava no morro, preocupada com a minha familia, tomara mesmo que a policia não suba o morro, a noite o Daniel me deixou na entrada do morro, subi a pé.
Tá todo mundo triste e não se fala em outra coisa, o incêndio mexeu com todos, cheguei em casa , dei um beijo na minha mãe , tomei um banho e fui dormir.
Acordei com barulho e minha mãe me chamando.
Cláudia- acorda Aymê, a polícia tá invadindo o morro, seu irmão não tá aqui.
Um adolescente preto é o alvo preferido da polícia.
Aymê- não vamos sair daqui mãe, não dá eu vou ligar para ele.
A salva de fogos e tiros comprova que a invasão é um fato.
?Eita que nosso bandido é herói também, que fita esse incêndio, que pastor FDP! a dona Claudia é brava eim! A polícia tá subindo o morro.