Samurai narrando- eu sabia que ia dar merda, lá em baixo os fogos estralam avisando que o verdadeiro inimigo da favela tá subindo, pra matar inocente, pra prender meia dúzia de usuário e dizer que é traficante, para aterrorizar, invadir casas, bater em mulheres, assustar crianças, não é todos que agem assim más a maioria, na procura pelo "maior" traficante eles vão deixando rastro, enquanto isso o dono da Ambev curte a mansão milionária, o dono da 51 junta fortuna, a maior droga dessa merda é legalizada! E destruiu a vida de mais uma família, foi a droga do álcool que matou o seu Nestor e a dona Ana, más isso é desculpa pra favelado defender traficante.
Lk- fudeu mano, tão subindo com tudo.
Enquanto eles avançam morro a cima, vamos limpando a boca, entocando o que dá para entocar.
Neném- bora mano sair fora!
O Águia da Polícia sobrevoa o morro, a boca é projetada e preparada para a invasão, e para se safar dela, a boca é o alvo e começa a rajada de cima partindo do helicóptero, bando de filho da p**a , dando show pra gringo ver, pra mídia aplaudir e dar crédito para a polícia e pra esse bando de político que tá pouco se fudendo pra quem mora aqui, enquanto isso o saldo da favela é negativo.
Passamos pelo túnel que termina na padaria do seu chico, no depósito da padoca tem um entoque subterrâneo preparado para dar proteção, hipocrisia do c*****o é eu ficar protegido enquanto lá fora o mundo se acaba por minha causa.
Chegamos no entoque, a Isa e a yasmim já tão aqui, Rafaela e meus pais, o pai do neném é do movimento e tá na guerra.
O celular do neném tocou.
Lk- atende não pô.
Neném- tenho que ver quem é irmão se for meu coroa.
Ele olhou o celular e atendeu.
?Neném- Oi Aymê, não vi ele não , não sai na rua, fica em casa, não sai ele deve tá seguro, se cuida.
Samurai- qual foi?
Neném- o Jeff tava na rua quando os cana subiu, e a Aymê não consegue falar com ele, tá boladona a mãe tá no terror.
A pele mais fácil de ser crimanalizada é a preta, criam passagens pela polícia que nunca existiu, armas e drogas implantadas para culpar o inocente pela sua cor.
Samurai- fica aí que eu vou atrás do moleque.
Lk- tá doido? É suicídio mano.
Samurai- não sou cuzão pra ficar entocado enquanto a policia faz o que quer com a minha comunidade, se a guerra é minha eu tenho que lutar.
O blá blá começou, para me convencer a ficar, más f**a-se ,eu entrei na chuva sabendo o tamanho dos pingos d' água que ia cair , sem temer a morte, fiz o sinal da cruz em cima do colete, bati o fuzil no peito, um beijo no pingente com o crucifixo e sai , que Deus me guarde.
Olhei para trás os dois vinheram junto LK e neném, a favela tá igual campo minado, tudo por aqui explode, a polícia ainda não chegou aqui na parte de cima, entre becos , escadas barracos vamos descendo, se escondendo de um alvo invisível, paramos no barraco onde falaram que a namoradinha do moleque mora, entramos uma mulher gritou.
Samurai- calma ai tia! O Jeferson tá por aqui?
Xxx- a namorada dele mora no barraco de trás.
Fiz sinal para o LK dá um confere lá atrás.
Lk- tá aqui não mano, nem a dona.
Porra!
Onde que esse moleque se meteu, passamos em frente a igreja do tal pastor filho da p**a.
Neném- bora?? Botar esse desgraçado pra gravar um vídeo e falar a verdade, nós joga na internet a polícia vai ter que recuar.
Samurai- bora!
Metemos o pé na porta dos fundos , entramos , alguém chegou primeiro e estocou o pastor, fuzilaram, ele e mais dois , queima de arquivo , ninguém do movimento tinha autorização para tocar nele, não partiu do movimento.
Samurai- mais um pra colocar na minha conta.
Lk- isso é coisa de polícia mano, o pastor deve ter voltado atrás no assunto e levou .
Samurai- bora procurar o moleque.
Continuamos a descida , enquanto o aguia foca na mata, uma explosão cabulosa, olhei pra cima o águia virou uma bola de fogo e caiu, eu ri .
Lk- te falei que a .50 era um bom investimento.
De cima da laje um soldado deitado , faz sinal com a mão, para a gente parar , coloca o dedo na boca pra fazer silêncio, se vira devagar, mira e atira, o cana caiu da escada igual manga madura.
Posicionei o fuzil, chegamos na faixa de Gaza, daqui pra cima ainda é nosso daqui pra baixo ta tomado.
Lk- já deu mano, não dá pra descer mais não.
Samurai- vocês dois fica ai e dá uma força, vou descer.
Neném- c*****o quer morrer véi?
Deixei eles falando sozinho e desci, calculando cada passo, os gritos de uma mãe que chora em cima do corpo do filho coberto por um lençol branco, o branco da paz? Não o branco da guerra,ela grita .
Xxx- meu filho só tinha onze anos, meu filho não é bandido, a polícia matou meu filho
Escondido atrás da parede eu ouvi calado o desespero dela, um pilantra atirou na minha reta, retribui o carinho e ele caiu, coloquei a cara e vi a Aymê dando mole, parada olhando a mãe desesperada pela morte do filho.
No impulso eu corri e segurei no braço dela.
Samurai- ficou doida c*****o?
Encostei ela na parede de uma casa
Samurai - fica ai.
Levantei a mulher que não parava de gritar em cima do corpo do filho, coloquei ela para dentro de uma casa.
Samurai- fica aí dentro tia! Que Deus conforte a senhora.
Ela tremendo segurou minha mão.
Xxx- isso tem que acabar samurai!
Para a guerra acabar eu tenho me render. Sai la fora a doidona tava lá encostada na parede sem piscar.
Aymê- fica atrás de mim c*****o.
Fui descendo igual rato entre as paredes, dei de cara com uma policial e foi na cara dela mesmo, a Aymê grudou nas minhas costas, o tiroteio foi intensificado veio bala de tudo que é lado, do lado de cima de uma lage alguns soldados tomam a atenção ao atirar contra os cana, do outro lado de uma janela também, tá chegando na casa da maluca, parei de atirar para não chamar atenção pro meu lado, meu braço queimou e doeu pra c*****o levei um tiro no braço, não deu tempo de ver de onde veio, empurrei a porta coloquei ela pra dentro, ela me puxou junto.
Claudia - graças a Deus Aymê, como você faz isso comigo, sair assim? você e o seu irmão querem me matar?
Aymê- eu fui procurar o Jeff mãe.
Claudia- no meio do fogo cruzado?
Aymê- nada do Jeff mãe?
Claudia- nada filha!
Aymê- não achei nada também.
Claudia- samurai eu gosto muito de você mas não da para você ficar aqui , eles estao te caçando de casa em casa vasculhando cada barraco, eu não posso arruscar a vida da minha familia.
Samurai- relaxa dona Claudia, eu não vou colocar vocês em risco.
Tava saindo quando a Aymê parou em frente a porta.
Ayme- você fica, ele tá machucado mãe ele que me trouxe pra casa.
Samurai- foi de raspão, eu tô de boa.
A dona Claudia ficou me olhando.
Claudia- se você sair por essa porta vão te matar eu sei que não foi você que fez isso, fica filho a gente dá um jeito.
A dona Claudia amarrou uma blusa no meu braço, fiquei na janela com a ponta do fuzil apontando para a rua, a Aymê foi para o quarto dela.
Entrei no quarto da Aymê ela tá deitada no tapete olhando para o teto, as lágrimas escorrendo pelos olhos.
Aymê- eu vi o polícial matar aquela criança, ele se jogou no chão quando o policial gritou, ele não tinha arma, ele segurava um carrinho, uma criança, um menino n***o, mais uma mãe n***a, sendo enterrada viva junto com o filho morto.
Samurai- eu vou me entregar.
Aymê- pra quê? Vai ter outro dono, depois outro, isso não vai acabar nunca, eles aparecem na TV dizem que pacificou, mas tudo fica pior.
Ela sentou e olhou pra mim.
Ayme- eu senti vontade de colocar aquele menino no colo, sangrando e sussurrar no ouvido dele que no céu não tem guerra, que lá ele vai poder brincar com o carrinho dele, sem medo.
Ela falou chorando, e partiu meu coração, ela enxugou as lágrimas com as mãos como se quisesse arrancar elas do rosto .
Aymê- foi você que mandou queimar a casa da dona Ana?
Olhei sério pra ela.
Samurai- não!
Uma bala entrou atravessou a parede do quarto e tirou um fino da cabeça dela, fechei os olhos. Ela levantou assustada, outro tiro atravessou a parede dessa vez mais longe.
A mãe dela gritou da sala
Claudia- não se mexe Aymê fica no chão, cuida dessa menina samurai ela é doida.
Ela ficou de bruços no chão com as mãos na cabeça, eu deitei do lado dela.
Um tiro veio da sala.
Cláudia- estou bem!
Samurai - aqui também.
Outro tiro no quarto, ela apertou as mãos ainda mais na cabeça, passei o braço para abracar ela, depois de um tempo ela se virou pra mim.
Aymê- eu tô com medo.
Cheguei mais perto, ficamos um olhando para o outro perto o suficiente para sentir a respiração dela . Falei sussurrando.
Samurai- eu também.
Os tiros pararam, ela levantou eu levantei depois. Bateram forte na porta.
Xxx- polícia! Bora abre se não vamo arrombar.
Respirei fundo, minha alma parecia que tava saindo do corpo.
Aymê- fica aqui não se entrega se você se entregar vamos morrer todos, vão nos condenar junto.
Xxx- abre p***a!
Aymê narrando- de todas as invasões essa está sendo a pior da minha vida, a polícia bateu na porta com força, sai do quarto baguncei o que deu pra bagunçar na casa, fiz sinal de silêncio pra minha mãe , o Samurai ficou dentro do quarto pronto para matar e para morrer também.
Xxx- abre c*****o.
Abri a porta tremendo, suando , querendo gritar , chorar, implorar para eles pararem.
Aymê- eu tava procurando a chave.
Ele me empurrou.
Xxx- sai da frente, cadê o Samurai, cadê o filho da p**a eu sei que ele ta aqui.
Ele não sabe , ele fala para f***r com a mente da gente.
Aymê- ele não tá aqui, outros policiais acabaram de sair daqui, ele não tá aqui.
Xxx- passamos aqui ainda não, tá mentindo c*****o, deve ser marmita dele né? Gostosa desse jeito só dá pro dono.
Ele segurou meu cabelo com força. Minha mãe ia falar alguma coisa más eu fiz que não com a cabeça.
Ayme- olha aí a bagunça, foi uma policial loira e um polícial n***o alto.
Dei as características dos policiais que atiraram no menino. Um outro policial falou.
Xxx2- bora! a Adriana e o Bragança já passaram por aqui.
Xxx- essa v***a tem cheiro de mentira.
Ele deu a volta na sala comigo grudada pelos cabelos, passou em frente a porta do quarto meu coração gelou.
Claudia- por favor senhor ele não tá aqui.
Aymê- você só é homem de farda e com essa p***a dessa arma na mão, a favela odeia vocês, vocês sao piores do que os traficantes.
Xxx- v***a eu não vou meter um tiro na tua cara pra não ter que me explicar na corregedoria, más se eu tivesse outra arma aqui tua ia fazer uma visita pro d***o, folgada do c*****o.
Ele deu dois tapas na minha cara que me fizeram cair.
Xxx2- pra quê isso cara? Ele não tá aqui vamo embora que a caçada continua.
Xxx- tá com dó dessa gente abre uma ONG c*****o.
Ele saiu batendo a porta com força, minha cabeça tá doendo, ele puxou meu cabelo com muita força, o rosto queimando e doendo muito.
Claudia- você não tem juízo Aymê? você decidiu que vai morrer hoje e pronto?
Ela se arrastou até mim.
Aymê- eu não quero ver mais ninguém morrer mãe hoje não .
Ela me abraçou.
Claudia- você é desaforada, teimosa, más é tão corajosa minha filha.
O samurai me deu a mão, me levantou e me abraçou.
Samurai- porquê você fez isso? Você é muito doida véi.
Soltei ele, fui no banheiro lavar o rosto que parece que tá pegando fogo. Minha mãe foi para o quarto dela orar para que meu irmão esteja bem. Voltei para o meu quarto o samurai tá sentado na cama segurando uma sacola com gelo.
Aymê- quê isso?
Samurai- gelo, deita aqui deixa eu colocar.
Deitei no colo dele, ele colocou o gelo de um lado, depois do outro, deu uma aliviada.
Samurai- deixa eu ver como tá.
Eu sentei, ele olhou o meu rosto, passou o polegar de um lado, passou do outro lado.
Aymê- não é porque te livrei de uma que gosto de você.
Samurai- cala a boca, se tivesse ficado calada não tinha apanhado.
Ele beijou meu rosto com carinho, beijou o outro lado e foi fazendo um caminho de beijinhos até chegar na minha boca, nossos lábios se encontraram e como se a minha boca fosse dele ela se abriu para que a lingua dele pudesse invadir e encontrar a minha, derrepente todo o trauma de um dia terrível se desfez como mágica, eu me senti como a Alice no país das maravilhas, soltamos o beijo.
Samurai- só assim pra você calar a p***a da boca.
Eu realmente não tenho palavras, nem sei se elas existem.
Aymê- preciso saber do meu irmão.
Foi o que eu consegui dizer.
Samurai- eu vou passar um rádio pra vê se acharam ele.
Ainda tô perdida entre a realidade e a magia, o que rolou aqui? Em meio ao caos o que eu faço?beijo o ser mais insuportável e improvável desse mundo, ele é o meu caos.
?Essa invasão tá sendo f**a! Mataram o pastor o mentiroso que podia livrar o Samurai, é tiro pra todo lado , pobre mãezinha que perdeu o filho, ela não abaixa a cabeça nem pra polícia, essa Aymê é fogo, que bonitinho eles dois , aiim tava tão na hora, e tinha que ser assim no meio da guerra? Tinha né .