Samuray narrando- é claro que alguém já se jogou na linha do fogo por mim, eu sou o dono do morro eu pago por isso, para ter pessoas que morram no meu lugar, que ofereçam o peito na frente do meu, más assim sem levar nada em troca, nunca!
A Aymê meteu o louco com os cana que engoliu o papo dela, essa dona é folgada não abaixa a cabeça nem pra polícia e nem pra bandido, que marra do c*****o, aí eu tava de cima pronto pra matar ou pronto pra morrer, quando ela tomou os tapas que estralaram de longe eu ia sair fora atirando e matando os desgraçados, mas eles iam matar ela também, eu que nunca tive medo da morte tive hoje, medo de morrer sem sentir o gosto da boca dela, e agora que eu senti eu quero viver muito pra sentir o resto.
Ela mudou de assunto não quiz me beijar de novo e nem falar nada sobre isso, nem sei se pra ela foi bom.
Passei um rádio pra geral saber se alguém sabe o paradeiro desse moleque, se não eu vou ter que voltar pra rua e eu mesmo procurar, a dona Claudia tá aflita eu pensei na minha coroa que deve passando m*l também.
Samurai- aí dona Claudia eu vou trazer o moleque, eu já falhei com a minha palavra?
Cláudia- não Samurai , nunca falhou!
Samurai- então fica tranquila que o moleque vai voltar pode crê?
Eu considero esse moleque, e considero a dona Cláudia eu vou trazer o pivete pra casa. Passei um rádio e fiquei esperando um salve.
?Marola- é aí chefe, marola na voz.
?Samurai- dá a voz mano.
?Marola- os cana enquadrou o moleque, o Neguim tá na guardado na "bura" (camburão) esperando pra descer ele e mais uns cinco na mesma gaiola, sol quente mano cozinhando lá dentro a maior tempão.
?Samurai- p**a que pariu, pegaram com o quê?
Eu falei pra esse moleque ficar longe da função.
?Marola- pegaram o moleque com saco de pão irmão jogaram o pão fora e tacaram pedra (crack) dentro.
?Samurai- se liga mano, estoura a viatura e tira os moleque de lá.
?Marola- se ainda tiver vivo mano.
?Samurai- fala isso não c*****o, junta uma rapaziada estoura a viatura quero o moleque vivo na casa dele, se ligou marola?
?Marola- tô ligado chefe, tô ligado.
Raça desgraçada, raça de polícia, bando de filho da p**a. Nem falei nada pra dona Claudia, cê é louco ? Se o Neguim Jeff tiver morto dentro da gaiola fudeu mano, fudeu!
?Aymê- e ai conseguiu descobrir alguma coisa?
?Samurai- nada ainda.
?Aymê- eu não posso ficar aqui esperando alguma coisa acontecer com o meu irmão.
?Samurai- você não vai sair daqui.
?Aymê- você não manda em mim.
?Samurai- não começa c*****o, minha cabeça já tá cheia, não tem só seu irmão lá fora pra morrer não, tem uma comunidade inteira nas mãos desses filhos da p**a.
Ela olhou bem na minha cara e falou.
?Aymê- eu vou procurar o Jeff.
Segurei o braço dela.
?Samurai- não vai pra p***a de lugar nenhum, já tem gente lá fora procurando ele, vai se juntar com a tua mãe e rezar que é melhor, e para de encher a p***a do meu saco.
?Aymê- i****a! Eu te odeio.
Soltei o braço dela de uma vez. Não vou deixar ela sair igual doida pela favela, se ela tiver outro apagão igual deu quando viu o menino morto, os cana senta o dedo nela, ou leva uma bala perdida dos meus, aí fode.
A noite tá chegando, nada do marola dá a voz, então passei um rádio.
?Samurai- samurai na voz, e aí marola c*****o cadê? Resolveu a parada p***a?
?Marola - vai rolar agora, eles vão descer o comboio agora, ai nos ataca e tira os cara de lá, tem que ser na calma mano.
?Samurai- pode crê, trás o moleque vivo!
Neném, LK , minha família tá todo mundo de boa, más a favela ainda tá no choque.
Na neurose andando de um lado pro outro pensando mil fita, os morador puto comigo achando que eu taquei fogo no barraco dos coroa, os cana doido na minha captura, o Jeff , e no final do arco iris um beijo que ainda me faz sorrir nem que seja por dentro.
?Marola- marola na voz patrão.
?Samurai- fala mano.
?Marola- resgatamo os cara, más não vai dar pra subir com eles não, dois já tava morto, um morreu agorinha aqui na minha frente, tem dois ainda más tão mais pra lá do que pra cá.
Caralho!
?Samurai- quero saber do Neguim Jeff filho da dona Claudia, tu sabe quem é?
?Marola- aqui tudo é neguim, mais agora que tu falou da dona Cláudia, é o irmão da gostosa do morro.
?Samurai- fala logo c*****o ele tá vivo?
?Marola- tá, más é como se não tivesse, não abre olho nem nada, tá mole , parecendo frango cozinhado.
?Samurai- se vira, leva os dois para o hospital agora!
?Marola- p***a chefe, passar pela barreira com dois foragido vai dar não.
?Samurai- dá teu jeito p***a! Se esse moleque morrer eu te mato
Desliguei zuado, vou ter que falar pra dona Claudia, más vou deixar pra contar quando o moleque já tiver pelo menos no hospital.
Fiz um café forte, não fumo maconha pensei em fumar pra ver se alivia essa p***a de cabeça, más nem tenho maconha aqui, lá fora os cana vai ganhando espaço, não é pra tomar a favela que já é "pacificada" é pra caçar o Leão da selva.
A noite deu uma suavizada pelo menos na salva de tiros, um dia inteiro de invasão é f**a.
Entrei no quarto da folgada, que tá ajoelhada com a cabeça enfiada na cama, tirei o fuzil coloquei encostado na parede e me ajoelhei do lado dela, ela olhou para mim com os olhos cheios de lágrimas, afastou as mãos até encontrar as minhas, entrelaçou os dedos nos meus e fechou os olhos, fechei os meus, e pedi a Deus em silêncio uma coisa só: " paz" ! Apertei a mão dela e ela apertou a minha de volta, eu abri os olhos más os dela ainda estam fechados.
Samurai- eu achei ele.
Ela abriu os olhos más não soltou a minha mão.
Aymê- ele tá ???
Ela perguntou como se tivesse acontecido o pior. Beijei a mão dela.
Samurai- não, ele tá vivo.
Aymê- onde ele tá?
Samurai- confia em mim, só confia!
Ela soltou a minha mão e sentou na cama, sentei do lado, passei o braço no ombro dela, que se encostou no meu peito, disfarcei fechei os olhos e senti o cheiro dos cachos pretos, brilhantes, um cheiro bom .
Aymê- ele vai ficar bem?
Samurai- vai!
Eu nem sei o que eu tô falando, não sei se ele vai ficar bem , e se ele não ficar ela nunca vai confiar em mim de novo.
A barriga dela roncou, passamos o dia sem comer nada desde cedo, só engolindo terror.
Samurai- vou fazer alguma coisa pra gente comer.
Aymê- não precisa, ela tirou a cabeça do meu peito, sua comida deve ser horrível.
Samurai- sei fazer miojo.
Ela riu. Fomos para a cozinha ela acabou fazendo um mechidão com o que tinha, chamou a dona Cláudia más ela não quiz comer.
Comemos em silêncio um olhando para o outro, sem clima de papo, o rádin chamou , eu levantei para responder, se for notícia r**m eu não quero nem pensar.
?Samurai- fala marola.
?Marola- ai o moleque e o outro cara acordou, a médica falou que foi uma parada eu não sei falar não, que tem ficar de observação, não vou ficar aqui não, vou subir com eles no pinote pro morro, se num morreu tá bom.
?Samurai- c*****o marola, tu aliviou meu lado grandão.
?Marola- é melhor tu ficar pesado, os brabo vai subir cedo na tua cola.
?Samurai- o exército?
?Marola- eles mesmo! Os faixa verde vai subir de blindado, a p***a toda!
?Samurai- valeu, trás o cara ai .
?Marola- pode deixar que vou levar o irmão da Aymê a salvo na casa dela, vai que ela me dá uma moral eu que salvei ele né, aquela mulher é a dona dos meu sonhos.
?Samurai- então bora acordar c*****o e terminar a função que tu ainda vai ter que passar a barreira subindo.
?Marola- desci foi na viatura da UPP bota fé? fardado de guardinha
e tudo, passo batido ou passo batendo. Mereço uma promoção na firma.
?Samurai- sobe logo p***a!
Nem voltei a comer, fui lá no quarto da dona Claudia.
?Samurai- dona Claudia seu filho tá vindo pra casa, esse Deus aí é com a senhora dona Cláudia.
Ela levantou e já foi pulando no meu pescoço.
?Cláudia- eu sabia samurai, Deus não falha comigo, e também não vai falhar com você.
Ela beijou meu rosto. Queria ter dado a mesma notícia para a mãe daquele pivete que foi morto.
A Aymê tava na porta ouvindo e correu para abraçar a mãe dela. Deixei elas lá e fiquei pedindo a Deus agora para que o amanhã demore para chegar, o exército subindo eles vão me pegar isso é certo.
Passou um tempo o marola chegou com o Jeff, tá acordado más tá grog e foi dormir. A Aymê foi para o quarto dela , a dona Claudia ficou com Jeff.
Liguei a TV no jornal a polícia civil oferece três mil reais de recompensa para informações sobre Samurai o traficante que queimou um casal vivo, e que é acusado da morte do pastor e dois fíeis da igreja, em baixo da minha foto, o numero do disk denúncia 192.
Porra eu não fiz esse c*****o eu não matei esses aí, encostei a cabeça no encosto no sofá e acabei dormindo sei nem como, acordei com a Aymê me sacudindo, levantei com o fuzil na mão.
Aymê- acorda samurai.
Samurai- qual foi? O exército?
Aymê- minha mãe sumiu.
Samurai- sumiu como?
Aymê- ela não tá em casa.
A Tv ainda tava ligada, olhei para o clarão que cegou meus olhos.
Repórter : moradores do Turano fazem ato contra a subida do exército no morro, com cartazes, queima de pneus, vestidos de branco, ele saem as ruas para pedir a retirada da polícia que procura desde ontem o traficante Samurai, a operação que já dura vinte e quatro horas tem o saldo de 15 mortos , entre eles dois policiais.
Aymê- minha mãe é doida!
A dona Claudia tá lá na frente da repórter.
Repórter - vamos entrevistar agora uma moradora do Turano , dona Cláudia .
Cláudia- não foi o Samurai que matou o seu Nestor e a dona Ana, ele bebia, batia e ameaçava ela da ultima vez quebrou várias costelas dela, o Samurai chamou ela mas foi pra mandar ela ligar na polícia , ela acreditou no pastor que era o demônio e deu no que deu.
Tv- a senhora tá dizendo que não foi o Samurai.
Claudia- a senhora é surda ou se finge? Entrevista aqui a Magali mãe da menina que o Samurai salvou do incêndio e não corta nada não, a Polícia tá matando inocente, matando criança.
Eita que agora eu sei da onde vem a folga da Aymê. Ela tomou foi o microfone da repórter e entregou pra mãe da menina.
Magali- foi o seu Nestor que tacou fogo no barraco, ele ja fez isso antes más a dona Ana viu a tempo, o Samurai salvou a minha filha do fogo.
A dona Cláudia pegou o microfone de volta.
Cláudia- pra subir aqui vai ter que prender e levar todo mundo, o pastor quem matou foi a polícia, quando tiver resultado de perícia de bala e do fogo no barraco vocês volta aqui que eu mesmo entrego ele, más não dá pra aceitar que a polícia continue fazendo a comunidade de matadouro. Toma aqui teu microfone.
Reporter- lamentável a comunidade defender o tráfico ao invés de apoiar o trabalho da Polícia.
Cláudia- traficante não mata inocente não, a polícia mata, acabou a entrevista.
Uma multidão foi tomando conta do morro, o exército parado na frente do morro, não passa outra coisa na TV.
Repórter - depois de horas de negociação o governador do Rio de janeiro ordena que o exército recue, e ordena a retirada das forças policiais do morro do turano, após moradores denunciarem tortura e a morte de inocentes através de vídeos encaminhados a corregedoria, para garantir a integridade e a segurança da comunidade o governador decidiu que permanecerá na favela apenas a policia pacificadora , as autoridades acreditam que samurai possa ter dado fuga para outro morro . Neste momento a polícia deixa o Morro, ao sons de vaias e gritos dos moradores da comunidade.
Esfreguei os olhos para ver se eu não tava era curtindo lombra, que coisa mais linda de ver mano, minha comunidade na minha defesa, colocaram os policia pra vazar!
Aymê- acabou!
Na verdade é só uma pausa, sempre é.
Ela me olhou e sorriu. Fogos e tiros comemoram a saída da polícia.
Samurai- vou descer pra ver de perto.
Aymê- quero ir também.
Sai lá fora e vi o neném de moto.
Samurai- é aí mano.
Ele parou
Neném- é ou não o patrão dessa p***a?
Abracei ele.
Samurai- me dá essa moto que o dono vai descer pra agradecer pessoalmente.
Neném- pode crê!
Subi na moto, fiz sinal com a cabeça para a Aymê subir, ela subiu , me abraçou. No meio da multidão eu parei a moto, ela desceu, fiz questão de agradecer , apertar a mão de cada um dos morador, a Aymê ficou olhando sorrindo até ouvir alguem gritando ela.
Daniel- meu amor! Graças a Deus que você está bem.
Ele foi se aproximando dela, chegando bem perto. A multidão tentava me tirar a atenção, más ela tava ali na minha frente sendo abraçada por outro que chamou ela de amor.
Aymê- eu tô bem!
Ela sorriu pra ele e eu tive inveja dele. Ele beijou ela, na frente de todo mundo , na minha frente, fingi que não vi, me virei e me distrai na multidão.
?esses dois é tempestade e calmaria, vai entender uma hora se amam e depois se odeiam, jeff a salvo, comunidade sai em defesa do nosso bandido e coloca a policia pra andar, p***a o professor tinha que aparecer e tirar o brilho do nosso bandido?