O dia amanheceu preguiçoso, com o céu nublado e uma sensação estranha no ar — como se o vento tivesse segredos. Sofia chegou cedo, como sempre. O escritório cheirava a papel novo e promessas velhas. O relógio marcava 7h42 quando ela percebeu que Miguel já estava ali. Ele estava sentado à mesa, concentrado, digitando rápido demais para quem “ainda estava aprendendo o sistema”. — Você chegou cedo de novo — ela comentou. Miguel ergueu o olhar e sorriu, aquele sorriso perfeito, quase ensaiado. — A verdade não espera, lembra? Sofia sorriu de volta, mas o corpo dela reagiu antes da mente. Havia algo em Miguel — no modo como observava, como falava, como se aproximava demais. — Cuidado pra não se sobrecarregar — ela disse, tentando manter o tom leve. — Aqui o trabalho suga, mas o coração

