Com a mochila nas costas e as lágrimas de companhia, seguiu direto para casa do namorado, desejando que tudo aquilo que ouviu momentos antes fosse uma completa mentira, talvez quem sabe apenas uma brincadeira feita pela amiga, é só podia ser isso. Mesmo tendo vendo as fotos não conseguia acreditar com total certeza, afinal a Mia sempre foi muito habilidosa quando o assunto era edição e aquilo poderia só ser uma montagem.
Ainda assim não deixava de se perguntar por qual motivo ela faria algo assim, inveja? Ciúmes?Desejo?
Seja qual fosse a resposta não acreditava em mais nada que viesse da boca de Mia Lopes, para Elena a melhor amiga já não mais existia.
Pelo ritmo que saiu do colégio acabou não reparando no par de olhos que a observava de longe, um tanto curiosos pelo estado da garota todavia não ousava em se aproximar por dois motivos.
O primeiro deles era que o choro fazia com que essa pessoa em questão ficasse um tanto sem jeito, sem saber como agir diante de uma situação como aquela e segundo a jovem precisava de espaço pelo menos assim pensava.
Os pés dela corriam o mais rápido que conseguiam, as mãos estavam fechadas formando um punho cada uma que às vezes quando lágrimas voltavam a cair limpavam o rosto feminino.
— Só pode ser mentira. — Murmurou antes de virar a rua e seguir até a última casa quando chegou estava ofegante com os cabelos desarrumados e as mãos nas pernas a jovem fitou o lugar que foi parte de sua vida por um bom e longo tempo.
Assim como a sua, a casa a do namorado possuía dois andares, fazendo um esquema de cores tanto da parte de fora como a de dentro, o azul marinho e o branco se destacavam entre os poucos vasos de flores nas janelas.
Era bonita, a mãe de Adam sempre teve bom gosto, pensou Elena que agora respirava fundo enquanto caminhava até a porta do local.
Tranquila abriu um sorriso confiante, independente de tudo lidaria com aquilo de forma pacífica ou pelo menos tentaria.
Deu algumas batidinhas na porta e não demorou muito até que uma cabeleira ruiva totalmente bagunçada aparecesse diante dos olhos. O corpo estava seminu e com um bocejo esfregou um pouco os olhos antes de sorrir.
— Ah, oi bebê o treino das líderes já acabou?
Pela forma despojada que foi atendida a jovem percebia que tinha tirado o rapaz de um sono profundo, ignorou o estado atual dele como também sua pergunta.
— Podemos conversar?Em particular, por favor.
Ouvindo-a notou que a coisa era séria, pois, eram poucas as vezes que viu e ouviu a namorada usar seu nome daquela forma. Em silêncio concordou, dando um pouco de espaço para que ela pudesse passar e enfim ir buscar uma camiseta.
— Fique à vontade, meus pais foram ao mercado então estamos sozinhos.
Respirou fundo, não sabia nem como começar a falar.
"Oi, você gosta da minha melhor amiga é isso? Além disso, quando iria me contar que estavam se pegando?", pensou deixando um riso rouco escapar só podia estar enlouquecendo mesmo.
Movendo a cabeça para os lados, Elena se sentou no sofá da sala e Adam seguiu aquele movimento se sentando ao lado da namorada totalmente sorridente.
Falso, pensou mordiscando de leve a ponta da língua.
Seja adulta Elena, adulta.
Com o olhar fixo na figura masculina, respirou fundo.
O olhar que ele tinha no rosto denunciava o quanto estava preocupado com aquilo, cauteloso com suas ações.
— Eu não vou dar um piti tampouco fazer um algo hiper dramático que provavelmente faria você revirar os olhos ou rir como sempre faz quando isso acontece. — Disse fazendo uma pequena pausa para respirar o que tinha dizer não era fácil aquilo formava um bolo na garganta. — Sabe, eu acreditei mesmo quando você disse que não queria só coisas sexuais comigo que queria tudo comigo, só que entre a gente nem mesmo amizade funciona e é melhor cada um pro seu lado mesmo, terminar antes que alguém saia machucado.
Ouviu tudo aquilo e o sorriso gentil que antes tinha no rosto sumiu em questão de segundos.
Como ela ousava em fazer isso?Como ousava em terminar com ele?Ele era Adam Ford o garoto mais popular do colégio assim como também o mais desejado pelo s**o feminino, ele não levava um fora.
Soltou um riso amargo, levantando o corpo do lugar em que estava ficando alguns minutos parado olhando pro nada.
O silêncio que se formou foi o bastante para deixá-la desconfortável e antes que Elena pudesse abrir a boca e perguntar se estava tudo bem recebia um olhar irritado do ruivo.
— Você tem problema garota? — questionou o rapaz levantando a mão pro alto, dizendo silenciosamente que não queria nem ouvir um único A saindo daquela boca.
Já tinha aturado as loucuras dela tempo demais e com aquilo ele simplesmente explodiu.
— A gente nunca vai ser amigos e muito menos além disso, sabe por quê? Porque você é alguém que conseguiu me tirar da indiferente, tenho um certo nojo de você. — Falou fazendo uma pequena para olhá la, agora não se importava com nada nem o quanto a machucaria. — Eu sempre te falei que tudo sempre chega em mim, tudo e por mais que tenha te avisado sobre essas coisas você continuou sendo a irritante de sempre. Não vou me aprofundar no assunto, mas só quero dizer algo agora e me escute bem.
Respirou fundo, fechando os olhos por alguns instantes o ar irritado ainda morava em seu rosto e por alguns segundos Elena sentiu-se um tanto amedrontada.
Esse não era o garoto que conhecia nem o que amava, quem era aquela pessoa?
Quis chorar novamente, até sentiu os olhos se encherem de água, porém não fez.
— Cara, segue sua vida, eu não quero nada com você, não quero ser nada seu, eu não quero nem estar no mesmo lugar que você. Eu não estou nem aí pra quantos caras você dá, eu não estou nem aí pra você. Eu não quero ser nem um conhecido seu. Você entendeu bem né? Some da minha vista, não me procura mais. Segue sua vida, mas longe de mim.
Ouvindo aquelas palavras Elena Rodrigues sentia o mundo desabar, no fim das contas ninguém que ela realmente confiava era assim tão confiável.
Sabia que foi covarde em não ir direto ao assunto, o motivo?Bem não aguentaria ouvir da pessoa que mais amou que agora o sentimento acabou.
As lágrimas saíram mesmo contra a vontade, o coração se apertou só queria sumir torcendo para que esse dia nunca tivesse acontecido.
Não disse mais nada, não precisavam de mais lenha na fogueira, apenas levantou o corpo e andou para longe dali correndo indo direto para casa lá pelo menos seria o seu porto seguro.
Quando chegou em casa Elena felizmente teve a sorte de encontrá-la vazia, seus pais provavelmente ainda não tinham saído do serviço e por isso a jovem pode suspirar aliviada não teria que responder nenhum tipo de pergunta pelo menos agora.
Correu até o andar de cima fechando a porta e se jogando na cama, lá chorou e gritou deixando tudo o que sentia ir embora ou pelo menos parte disso.
Ficou abraçada ao travesseiro durante vários e vários minutos, no escuro ouvindo uma música da Taylor Swift no celular, aquele tipo de música que dá mais vontade de chorar; o coração estava apertado e por alguns segundos sentiu falta de ar pelo choro que vinha sem parar.
Momentos com o namorado passaram em sua mente, todos aqueles momentos juntos dele que a fizeram sorrir e se sentir amada.
Era mesmo verdade?
Todas aquelas palavras trocadas em momentos íntimos, foram verdade?
Levantou o corpo da cama e foi se arrastando até o banheiro, seu ânimo estava abaixo de negativo. Quando chegou até lá assustou-se com o próprio reflexo, dando um suspiro profundo antes de lavar o rosto com água e por fim com as mãos limpas pegou no celular e verificou as redes sociais, primeiro foi até a conversa com Mia bloqueando o número dela sem pensar duas vezes.
Não precisava e não queria a amizade de alguém tão hipócrita como a loira.
Com os olhos fixos na tela do celular abria a conversa com o seu ex-namorado o rosto ficou um tanto confuso por não ver mais a foto de perfil, tentou mandar mensagem e nada era enviado visto isso seguiu até o f*******: pesquisando na barra de buscas o nome de Adam.
Mordiscou os lábios, o perfil dele também não estava visível pra si nem mesmo no i********: ou twitter.
Pelo visto o ruivo acabou sendo mais rápido em tira lá de sua vida, o que a fez pensar em algum momento durante o namoro significou algo pro rapaz?Ele ao menos, em algum momento tinha sentido algo ou tudo aquilo foi uma enganação?Todas aquelas palavras doces trocadas, eram mentiras jogadas ao vento.
Largou o aparelho após bloquear a amiga nas outras redes, deitando seu corpo em seguida na cama sentindo-se cansada.
O problema daquilo era não sabia como se sentia em relação aquilo.
Estava m*l, óbvio que estava não era todo dia que tinha uma traição daquela maneira, muito menos uma em dose dupla. Porém, sentia-se leve também, era estranho.