Amizades?

1379 Words
Dois dias depois.   Logo após o dia que teve ao lado de Luna e Liam, Elena sentia se extremamente leve, era bom estar com amigos e esquecer dos problemas mesmo que temporariamente, porém ainda não sentia ânimo algum para conviver novamente em sociedade sabia que estava sendo covarde fugir dos problemas dessa maneira ainda assim preferia ficar quieta e sozinha.   Como sempre pelas manhãs levantou se e fez suas higienes, saindo em direção ao andar de baixo da casa ainda de pijama quando chegou lá conseguiu ver os pais tomando café já vestidos para trabalhar ambos deram um sorriso largo ao ver a filha.        — Bom dia. — Falou Emily. — Como se sente hoje, querida?  Durante os dias que passaram fingiu estar doente para não ir a escola e claramente para não responder nenhuma espécie de pergunta sobre o que tinha acontecido e internamente torcia para que as notícias do colégio não tivessem chegado aos ouvidos dos dois.  Enquanto andava até a mesa, a mais nova tossiu durante alguns poucos minutos, fingindo uma cara de dor.    Odiava mentir, principalmente para os pais.   — Estou um pouco melhor, acho. — Respondeu sentando em uma das cadeiras da mesa, servindo se de um pedaço pequeno de pão e um pouco de café. Quando levantou o olhar notou que ambos os pais observavam cautelosamente cada movimento dela. — Um pouco.   — Se sente bem para ir à escola? — perguntou o patriarca. — Está perdendo muitas aulas, logo o ano…    — Ainda me sinto um pouco fraca, quem sabe na próxima semana. — Retrucou Elena cortando a fala do mais velho que deu um suspiro pesado ao ouvir aquilo, tomou mais um pouco do café e virou uma das páginas do jornal que estava em mãos.    Durante alguns instantes o clima entre a família Rodrigues ficou pesado, a mãe punia o marido pelo tom severo que usou com a filha e Elena tentava se desviar de todas as bombas que eram lançadas em sua direção.    — Você não pode mais perder aulas mocinha, na segunda quero você na escola. — Falou o homem vendo os olhos da filha se arregalarem.           — Pai eu…   Ouvir a voz da filha o irritou a ponto de bater as mãos na mesa assustando todos ali presente. — Sem mais, Elena é a minha decisão e ponto final. Você vai voltar para escola na segunda feira.  — Dito aquilo saiu pegando as coisas que iria precisar para trabalhar e Emily com um olhar desolado o seguiu, antes claro  beijou a cabeça da filha dando um sorrisinho gentil para no fim sair e deixar a mais nova sozinha.      Prendeu o choro até ouvir a porta da frente abrindo e fechando de maneira bruta, ambas as mãos partiram em direção a cabeça puxando os fios do cabelo soltando um grito de raiva.   — Inferno. — Murmurou deitando o rosto em cima dos braços que agora serviam de travesseiro na mesa e involuntariamente as lágrimas desciam pelo rosto.   Sabia que aquele teatrinho não iria durar muito tempo, mesmo assim esperava que fosse tempo suficiente para pelo menos tentar se recompor.  Em meio aos pensamentos perturbadores que passavam pela mente Elena levantou a cabeça um pouco, ouvindo o som da campainha tocar o que gerou um murmúrio irritadiço dos lábios limpou o rosto com uma das mãos.  Sua sorte estava ótima, realmente ótima pensou enquanto caminhava em direção a porta com passos pesados abrindo-a com raiva e dando de cara com suas outras amigas Amélia e Alice.       O ar irritado sumiu e acabou sorrindo constrangida.  — Oi meninas. — Falou, arrumando um pouco os cabelos atrás da orelha.    Antes de dizer algo, Alice trocou alguns olhares com Amélia e por fim sorriu docemente para a figura amiga logo ali na frente.   — Oi Lena, como você está? — perguntou a Alice. — Estávamos preocupadas com você, já faz alguns dias que você não vai para escola e…    — Sabemos o que aconteceu, podemos entrar e conversar? — Interrompeu Amélia, não gostava de enrolações como a amiga estava fazendo, sempre preferia ir direto ao ponto.     Elena prendeu a respiração, confirmando em silêncio a última coisa, dando um pouco de espaço para ambas entrarem.    Ficou quieta até que estivessem sentadas no sofá, entrelaçou os dedos dando um pequeno aperto quando o silêncio tornou se incômodo.            — Então?         — Sabe, Elena desde o que aconteceu Mia ficou muito abatida, ela chorou por horas e horas e só então contou o que aconte…      — O quê? — perguntou confusa com o rumo daquilo, achava que seria consolada assim como foi o caso com Luna e Liam, infelizmente não era o que estava parecendo.         Amélia respirou fundo, trocando olhares com com a Hood.       — O quê queremos dizer é que depois do que houve e depois do que você fez com Mia, ela ficou m*l Lena. — Explicou a ruiva e só nesse minuto a Rodrigues sentiu seu coração falhar assim como os olhos ficarem arregalados, aquilo não estava mesmo acontecendo não é?Pensou a jovem. Novamente ambas trocaram olhares, Amélia se calou e Alice continuou o discurso. — Entendemos como você se sentiu com tudo e entendemos também que você precisa de um tempo para processar tudo isso, logo vai perdoar ela e novamente vão ser amigas como sempre foi.      Ouvindo aquelas palavras sentiu o mundo cair aos poucos, primeiro foi seu namorado tendo um bônus da traição da melhor amiga e agora suas amigas achavam que ela estava errada, não que era a surtada da história e Mia a vítima.   Teve vontade de chorar, não fez, mordeu os lábios bem forte engolindo o choro mesmo que os barulhos fossem audíveis aos outros ouvidos Elena permaneceu firme.       — Por favor, não falem mais nada, apenas saiam.      — Lena? — retrucou Alice surpresa com a atitude da amiga. — Não faça assim, podemos resolver tudo…    — Não. — Interrompeu, não queria ouvir mais nenhuma palavra. A boca tremia, os olhos marejados deixavam uma lágrima escapar. — Por favor não falem mais nada, apenas vão embora e me deixem em paz e na escola por tudo o que é mais sagrado não falem mais comigo nunca mais.    Amélia juntou as sobrancelhas, confusa com o que estava vendo e ouvindo.    — Está terminando nossa amizade assim?Estamos tentando  te ajudar Elena.     — Não estão. — Respondeu. — Vocês não estão tentando fazer nada disso, agora só por favor vão embora.     Ambas engoliram em seco, assentindo em silêncio enquanto caminhavam até a saída da casa.    Amélia segurou a porta e Alice olhou uma última vez à amiga respirando fundo.    — Espero que pense direito Elena e veja o que está perdendo. — Disse a Alice.  Após isso a porta foi fechada e a dona dos cabelos cor de chocolate sentiu o coração se apertar, aquele montinho de felicidade que tinha construído durante algum tempo foi destruído em segundos.   Perdeu seu namorado, suas amigas em dias e no fim dessa história era a “louca”         O quê tinha feito de errado para merecer tudo aquilo?                    (♥️♥️*/)       Dentro daquele quarto a escuridão reinava, janelas e portas fechadas enquanto a jovem estava com o corpo grudado no edredom.    Na tv um filme de drama passava provocando cada vez mais e mais lágrimas no rosto juvenil, bem filmes envolvendo mortes de animais eram sempre tristes e para cooperar com seu "humor"  Elena sempre fazia coisas como essa, ver algo triste para melhorar tudo.   — Não, o cachorrinho não. — Disse, limpando o rosto com uma das mãos.    Na cena, uma família estava no topo de uma colina, a neve caia enquanto eles faziam um pequeno funeral para o cachorro.         Soluçou, era muito manteiga derretida.        No segundo em que o pai daquela família falava algumas palavras para se despedir do animal de estimação a campainha tocou, gerando um murmúrio de raiva nos lábios femininos.          Quem poderia ser?        Descabelada, chorando e vestindo um pijama de coelhinho a garota desceu as escadas vestindo pantufas de urso panda nos pés.         — Quem quer que seja eu espero que…    Calou-se no segundo em que abriu a porta, dando de cara com a visão de Edward Graham.     O moreno abriu um sorrisinho de canto ao notar não só a raiva dela como também o que vestia.          — Oi sumida.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD