O campus da Faculdade de Arquitetura ganhava vida logo nas primeiras horas da manhã. O sol reflectia nos enormes painéis de vidro do edifício principal, enquanto grupos de alunos atravessavam os jardins impecavelmente desenhados.
Mas toda a movimentação parecia desacelerar no instante em que Nathan Cristian surgiu.
Alto, impecável em uma camisa branca ajustada ao corpo e calça social escura, os cabelos perfeitamente alinhados e o olhar frio que parecia ignorar o mundo, ele caminhava como se fosse dono do lugar.
Ao lado dele vinham seus únicos amigos.
Thiago Moreira, sorriso provocador, cabelos castanhos levemente bagunçados e um charme impossível de ignorar.
E Yuri Vasconcelos, elegante, de traços marcantes e olhar misterioso, sempre tão sofisticado quanto Nathan.
Os três eram conhecidos no campus como o trio de ouro.
— Aposto cinquenta que até o fim da manhã alguém vai tentar falar contigo — disse Thiago, segurando o riso.
Nathan nem olhou para ele.
— Você perde dinheiro demais com apostas idiotas.
Yuri soltou uma risada baixa.
— Ele só está tentando distrair do fato de que ficou acordado até às três terminando a maquete.
Thiago levou a mão ao peito, fingindo indignação.
— Aquela maquete é arte. Merece noites em claro.
Nathan ergueu uma sobrancelha.
— Arte? Você colou metade das peças tortas.
— Isso se chama desconstrutivismo.
Os três riram ao entrar na sala.
A aula de Projeto Estrutural já havia começado. O professor andava entre as mesas observando as plantas e os modelos 3D nos tablets.
Nathan sentou-se no centro, abrindo seu notebook ultrafino.
— Hoje temos que finalizar o projeto da biblioteca sustentável — lembrou Yuri.
— O meu já está pronto — Nathan respondeu, sem tirar os olhos da tela.
Thiago inclinou-se para ver.
— Claro que está. Você provavelmente desenhou isso dormindo.
Nathan mostrou a tela por um segundo.
O projeto era impecável: linhas modernas, grandes aberturas de luz natural, jardins internos e um conceito minimalista luxuoso.
Yuri assobiou.
— Isso está absurdo de perfeito.
— Eu sei — Nathan respondeu com um meio sorriso arrogante.
Thiago apontou para a própria tela.
— Então ajuda os pobres mortais aqui.
Nathan respirou fundo, mas puxou a cadeira para mais perto.
— A circulação vertical está errada. Se insistir nesse elevador no centro, vai matar a iluminação zenital.
Thiago arregalou os olhos.
— É por isso que eu te mantenho por perto.
— Achei que fosse pela minha beleza — Nathan retrucou.
— Também.
A manhã passou entre cálculos estruturais, ajustes de planta e discussões sobre materiais sustentáveis.
Quando o sinal do intervalo tocou, o trio saiu para o corredor.
Foi instantâneo.
Conversas diminuíram. Olhares se voltaram para eles. Algumas garotas literalmente pararam no meio do caminho.
Thiago sorriu de lado.
— Lá vem.
Duas meninas se aproximaram, claramente nervosas.
— Nathan… você poderia nos ajudar com o trabalho de maquete? — perguntou uma delas, mexendo no cabelo.
Nathan manteve a expressão neutra.
— Não.
A garota piscou, surpresa.
— É… só que ouvimos dizer que você é o melhor…
— E ouviram certo. Ainda assim, não.
Thiago virou o rosto para esconder a risada.
Yuri cruzou os braços, divertido.
A segunda menina tentou outra abordagem.
— Talvez a gente pudesse agradecer com um café na saída?
Nathan finalmente olhou para elas, o rosto bonito e completamente impassível.
— Não misturo gentileza com falsas intenções.
As duas coraram e saíram rapidamente.
Thiago explodiu em gargalhadas.
— Você consegue ser c***l sem levantar a voz. Isso é um talento.
Nathan deu de ombros.
— Eu apenas não gosto de perder tempo.
Na lanchonete, o trio ocupou a mesa de sempre, perto da parede de vidro com vista para o jardim central.
Bandejas impecáveis, cafés caros, croissants e sucos naturais.
— Às vezes eu acho que essa universidade inteira vive em função de te observar — comentou Yuri.
Nathan tomou um gole do café.
— Problema deles.
Thiago apoiou o cotovelo na mesa.
— Falando em problemas, o professor pediu uma apresentação em dupla para sexta.
Nathan franziu a testa.
— Não trabalho em dupla.
— Vai ter que trabalhar — Yuri disse. — Regras do curso.
Nathan recostou-se na cadeira.
— Então escolho vocês dois.
Thiago riu.
— Isso seria trio, gênio.
A conversa seguiu leve, entre piadas sobre professores exigentes, críticas aos projetos ruins de outros alunos e comentários sobre os próximos eventos da faculdade.
Ao fim das aulas, já no estacionamento privativo, os carros luxuosos chamavam quase tanta atenção quanto seus donos.
O Porsche preto de Nathan, o Mercedes cinza de Yuri e o BMW azul escuro de Thiago brilhavam sob a luz dourada do fim da tarde.
Thiago girou a chave do carro no dedo.
— Hoje à noite no meu apartamento? Precisamos revisar a apresentação.
Yuri assentiu.
— E pedir comida japonesa.
Nathan fechou a porta do Porsche com calma.
— Oito horas.
Antes de entrar, mais uma garota se aproximou, claramente sem desistir.
— Nathan, você vai à festa de sábado?
Ele colocou os óculos escuros.
— Não.
— Mas eu nem disse onde é…
Nathan lançou um olhar frio e entrou no carro.
— Exatamente.
O ronco potente do motor arrancou mais suspiros ao redor.
Thiago e Yuri trocaram um olhar divertido.
— Ele nunca decepciona — Yuri comentou.
— O rei do gelo — Thiago completou.
Os três carros deixaram o estacionamento em sequência, como uma cena de filme.
Dentro do Porsche, Nathan permitiu-se um raro sorriso.
Apesar de toda a atenção que recebia, apenas com Thiago e Yuri ele conseguia ser ele mesmo.
Sem máscaras.
Sem jogos.
Apenas Nathan e seus únicos amigos.