Capítulo 01
RJ, Morro da Rocinha.
MAJOR
A pior coisa na minha idade, a meu ver, é ficar terrivelmente obcecado por uma menina mulher de 19 anos.
Os cabelos cacheados, a pele cor chocolate ao leite, o corpo pequeno e desenhado… uma perdição!
Eu já tive muitas mulheres na minha cama ao longo dos anos, mas nenhuma me chamou tanta atenção como ela tá chamando. Não sei se é crise da meia-idade ou sei lá o quê, só sei que estou hipnotizado como nunca estive antes em toda a minha vida.
Essa garota é muito nova, não digo que tem idade para ser minha filha, mas ela é novinha demais para mim. Mas quer saber a real? Tô pouco me f0dendo!
Quero essa mina gostosa e fascinante na minha cama. E vou ter! Mesmo que seja a última coisa que eu faça.
Soltei a fumaça da m@conha e apaguei a mesma, colocando na orelha. Tirei a camiseta para aliviar o calor infernal e entrei no restaurante da Raquel, irmã da novinha gostosa. A Raquel é 6 anos mais velha que a irmã, e é dona do restaurante mais badalado da Rocinha. Já a Agatha, faz faculdade de enfermagem, tenho certeza que deve ficar uma delícia usando uniforme de enfermeira.
Ai, ai...
Sentei na mesma mesa que o Coringa, meu braço direito, tá sentado. Fiz um toque com ele, que sorriu malicioso.
Major - Qual foi, cuzão? - Fiz sinal pra Raquel atender a gente.
Quando é dia de calmaria, ela cuida sozinha do restaurante. Quando tá mais agitado, ela tem ajuda de uma menina de 16 anos que fica cuidando do caixa, e de outra menina de 18 que atende as mesas. Na cozinha, fica a Raquel e uma senhora de 52 anos que também tinha um restaurante no asfalto.
Notei que, quando a Raquel deu a volta no balcão para vir aqui, a irmã dela virou a cabeça para olhar e ficou vermelha quando notou que eu estava olhando para ela. Sorri de canto, e ela virou pra frente rapidamente, toda tímida.
Raquel - E aí, chefes. - Fez um toque com nós dois. - Vão querer o quê? Já anoto a cerveja? - Abriu um sorriso largo.
Coringa - A cerveja tá sempre no topo da lista, pô. - Sorriu de canto, secando a mina da cabeça aos pés.
Coringa tem o tipo dele: loira estilo patricinha, mas tem que ter um pitada de loucura.
Ele sempre olha a Raquel dos pés à cabeça pra tirar onda com a cara dela.
Major - Hoje vou querer o prato do dia, e pode trazer salada extra. - Ela anotou e olhou para o Coringa.
Coringa - Eu quero arroz, feijoada, bife de fígado e bastante batata frita.
Raquel - Já querem escolher a sobremesa? Eu fiz arroz de leite, sagu e pão de mel.
Major - Não tem bolo de aipim hoje? - Ela negou. - Pode ser pão de mel então.
Coringa - Eu quero arroz de leite com leite condensado.
Raquel - Mais alguma coisa? - Negamos. - Vou trazer assim que ficar pronto. - Tirou dinheiro do bolso e me entregou. - O aluguel desse mês. - Explicou quando eu olhei pra ela sem entender.
Ela acenou com a cabeça e saiu, indo entregar o pedido na cozinha. Olhei para a Agatha, notando que ela tá com um caderno e alguns livros no balcão.
Coringa - Quer um balde? A baba tá escorrendo. - Mostrei o dedo do meio pra ele. - Eu te entendo, irmão, também acho ela gata. - Fiz menção de dar um soco nele, mas o mesmo levantou as mãos pra cima em rendição. - Calma, cara, esqueceu que eu gosto das loiras?
Major - b****a é b****a, Coringa, não importa a cor do cabelo ou da pele. - Peguei o meu celular no bolso, vendo que tem uma mensagem da minha tia.
Tia Glória: Tem como vir aqui mais tarde? Antes de escurecer.
Major: Qual foi?
Tia Glória: Teu tio quer falar contigo.
Major: Esse desgraçado não é meu tio! Ele quer falar comigo? Diz pra ele brotar na boca.
Fechei a minha conversa com ela e vi que tinha várias mensagens de algumas minas, mas só ignorei e coloquei o celular no bolso novamente.