Edy A gente tinha decidido sair. Não era fuga, não era rendição. Era uma questão de sobrevivência. Depois do envelope, depois daquele papel com a letra que a Maya jurava ser do Russo dizendo que sabia onde a gente tava, ficar no apartamento de Copacabana era pedir pra ser encontrado. Ele não tinha aparecido, mas sabia onde era. Sabia que ela tava ali, comigo. E com o tempo, com os contatos dele, com os olhos que ele tinha espalhados pela cidade, ia achar. Era questão de horas, não de dias. — A gente precisa sair daqui — eu falei pra Maya no minuto seguinte. — Só por uns dias. Até eu encontrar um lugar mais seguro. Ela não discutiu. Só perguntou: — Pra onde? — Hotel. Na Barra. Lugar movimentado, ninguém vai procurar ali. Ela concordou com a cabeça, o olhar vago, a mão na barriga. E

