Edy Ela tá se adaptando devagar. Não é aquela adaptação de quem aceita, de quem se conforma. É adaptação de quem tá sobrevivendo. Todo dia ela acorda, toma café, come o mingau que eu faço — e eu faço questão, mesmo quando ela fala que não precisa. Depois ela começa a limpar. Passa pano no chão que já tá limpo, organiza os armários que já tão organizados, arruma a cama que ela já arrumou de manhã. Como se limpar a casa pudesse limpar a vida dela também. Como se cada movimento fosse uma tentativa de colocar ordem no caos que ela deixou pra trás. Eu saio pouco. Quando saio, é rápido. Mercado, farmácia, padaria. Compro o que ela pede — Kit Kat Dark, ela ama aquilo — e volto. Não fico na rua mais que o necessário. Não sei quem tá nos olhando. Não sei quem pode ver. O Russo tem olho em tudo,

