Gael O QG tava pesado. Não aquele peso de guerra, de tiro, de sangue. Era peso de mentira. De dúvida. De segredo esperando pra estourar na cara de todo mundo. Os vapô tinham saído a mando do meu pai. Ficamos só eu, dois caras na porta, o miliciano já trancado na sala dos fundos, e a Amanda. Ela tava no centro da sala, de pé, os braços cruzados na frente do peito, o olhar perdido. O corpo tremia. Não era frio. Era medo. E eu não sabia se era medo de mim, medo de ser descoberta, ou medo do que eu podia fazer com ela. Puxei uma cadeira. Sentei na frente dela. Eu não costumo oferecer conforto pra quem pode ter colocado minha família em risco. Mas fiz diferente. — Senta. Ela sentou. Os olhos marejados. — Amanda, eu vou perguntar uma vez. E você vai responder com a verdade. — Eu não menti

