MAYA - BAILE E ESPERANÇA

1753 Words
Maya Já faz uns dias que a conversa com o Gael tá martelando na minha cabeça. Eu tento empurrar pra longe, trancar no fundo do peito, mas às vezes, quando o Russo me abraça forte ou quando me olha de um jeito que parece carinho de verdade, a dúvida volta como fantasma. Eu me convenço que é bobagem. Que o passado é passado. Que eu sou diferente. Que ele mudou por mim. Aí chega a mensagem dele hoje à tarde: 📲 Russo: Brota aqui mais tarde. Vamos pro baile do Jogador. Quero tu do meu lado. Eu leio três vezes. O baile do Jogador. No morro do Jogador. O Russo nunca me chama pra sair assim. Nunca me leva pra baile de outro morro. Sempre é pra casa dele. Sozinhos. Como se eu fosse um segredo. Como se eu fosse só dele, mas não pra mostrar pros outros. Meu coração acelera. Talvez seja isso. Talvez ele finalmente vá me assumir. Me apresentar como “minha fiel”. Me colocar do lado dele na frente da galera. Eu sinto um frio na barriga misturado com esperança boba. Pego o celular e mando no grupo das meninas: 📲 Eu: Meninas, o Russo me chamou pro baile do Jogador hoje. Tipo, me chamou pra ir com ele. Acho que ele vai assumir de vez. As respostas vêm rápido. 📲 Isadora: Sério? Ou ele só quer te exibir como troféu? 📲 Viviane: Maya, acorda. Ele nunca assumiu ninguém. Vai te levar pra mostrar que tem a mina bonita do lado, mas na hora H vai falar que é ‘só uma acompanhante’ ou sei lá. Não cai nessa, amiga. 📲 Marcelly: Eu concordo. Ele te usa pra se sentir o cara. Não vai mudar, amiga. Vai ser mais uma noite que você volta pra casa chorando. Eu leio tudo. Sinto um aperto. Mas respondo: 📲 Eu: Vocês são muito pessimistas. Ele tá diferente. Tá me chamando pra sair. Isso é evolução. Ele vai assumir sim. Eu sinto. 📲 Isadora: Tá bom, vai na fé. Mas se der r**m, não diz que a gente não avisou. Eu guardo o celular. Não quero discutir. Quero acreditar. Quero tanto acreditar. Eu me arrumo caprichada. Vestido preto justo de grife importada que comprei semana passada em um shopping na Barra, salto alto, cabelo solto, batom vermelho. Olho no espelho e penso: hoje vai ser diferente. Hoje ele vai me olhar e dizer “essa é minha”. Chego na casa dele. Ele já tá pronto: camisa social aberta no peito, corrente de ouro, perfume forte. Me vê e assovia. — c*****o, gata. Tá braba demais hoje. Eu sorrio. — Pra você Nick, só pra você. Ele me puxa, beija forte, mão na minha b***a apertando forte. — Partiu. O carro tá lá embaixo. A gente desce. Entra no carro blindado que o Juninho dirige. Eu sento do lado dele, mão na coxa dele. Ele manda ligar o som, funk pesado, e o Juninho vai acelerando pela cidade. Eu olho pela janela, luzes passando rápido. Penso: isso é o começo. Ele tá me levando pra fora do morro dele. Tá me mostrando pro mundo. Chegamos no morro do Jogador. A quadra tá lotada. Luz colorida piscando, som estourando, galera dançando, cheiro de cerveja e maconha. O Russo desce primeiro, me puxa pela mão. Eu sinto os olhares na hora. Alguns crias acenam pra ele, mas tem tensão no ar. Não é recepção de rei. É recepção de quem tá sendo tolerado. A gente entra. O Jogador tá no meio, um n***o alto, chama a atenção por seus cordões de ouro pesados, tá acompanhado do braço direito dele. Ele vê o Russo, acena com a cabeça, mas o sorriso não chega nos olhos. O Russo dá aquele sorriso dele meio de lado, como se não percebesse. — E aí, família? Tá bonito o baile hoje, hein? — ele diz. O cara que tava com o Jogador levanta e encara o Russo. — Tá bonito sim, Russo. Mas tu veio pra curtir ou pra arrumar treta? O Russo ri olhando pros seguranças. — Calma, Vassoura. Vim curtir. Vim ver se o morro do meu parceiro tá de boa. E vim ver essas novinhas aí... — quando ele falou aquilo ainda me segurando meu chão sumiu, ele não tá mudando, ele tá dando em cima de garotas que nem parecem ser maior de idade na minha frente. — Essa pretinha gostosa de vermelho aí... é tua Jogador? Eu senti nojo dele. Risos forçados ao redor. Mas o clima azeda. O Jogador não ri. O braço direito avança um passo apertando a grade com força. — É minha. E fica longe dela, sacou? — o cara disse. Ao invés dele se afastar e evitar confusão ele deu um passou pra frente, sorrindo debochado. — Relaxa, irmão. Só tô admirando. Mas se ela quiser trocar de dono... Meu Deus, eu me arrependo de ter vindo, de estar colada nele igual uma i****a. Mas eu não consigo reagir. As garotas se aproximam, são muito bonitas, bem novinhas. — Eu não troco de dono, não, Russo. Tô bem servida aqui. O Russo ri alto, mano ele não cansa de provocar? Estamos no morro do Jogador e ele fica afrontando o braço direito dele assim? Já estava imaginando a merda que aquilo podia dar. — Tá bom, tá bom. Vim em paz. Mas ó... baile é pra todo mundo. Se alguém quiser vir pro meu lado... O cara se aproximou dele, com raiva. — Ninguém aqui quer teu lado, Russo. Se quiser curtir, curte de boa. Se quiser treta, a gente resolve agora. O Jogador finalmente se levantou e colou em uma das garotas a japonesinha toda delicada. Vi uns vapor já com as mãos nas armas e os seguranças do Russo também. Todo mundo pronto pra resolver aquela situação. — Tranquilo, Vassoura. — ele disse e eu suspirei aliviada. — Boa noite pra vocês. Ele me puxa pelo braço e vamos pra outro canto. Mas eu sinto. A vergonha sobe quente no meu rosto. Eu tô ali, exposta, sendo usada como uma qualquer. Não pra ser assumida. Pra ser arma na zoação dele. Eu puxo a mão dele, sussurro. — Russo… que merda foi aquilo? Ele me olha, ainda rindo. — Que foi? Tá bolada, gata? Eu não respondo. Me afasto um pouco, vou pra um canto escuro da quadra. Encosto na parede. Os olhos ardem. Lágrimas vêm. Eu enxugo rápido, mas mais vêm. Ele me vê, vem atrás. Me puxa pro canto mais escuro. — Ei, ei. Que drama é esse? Eu choro baixo. — Você me trouxe pra cá pra quê? Pra me exibir? Pra zoar com a mina dos outros na minha frente? Você nem me apresentou. Nem disse que eu sou tua. Ele suspira, impaciente. — Para de drama, Maya. Eu trouxe você porque eu quis. Porque você é de longe a mina mais bonita aqui. Olha ao redor: ninguém chega aos teus pés. — Mas você me usa pra se exibir. Isso me dói. Ele pega meu rosto, força eu olhar pra ele. — Eu tô brincando, gata. Só zoando com o pela saco do Vassoura. Não tem mulher mais bonita que você aqui. Relaxa. Eu balanço a cabeça. — Não é só zoar. Você nunca me assume. Nunca, Russo. Ele fica quieto um segundo. Depois beija minha testa. — Eu te assumo do meu jeito. Você sabe que é minha, não sabe? — ele me beija, longo, lento, como um homem apaixonado. Depois ele vira as costas, vai no bar. Pega bebida e gelo, cheira uma carreira na mesa, bebe dois copos seguidos de whisky olhando pra outras garotas. Começa a ficar louco. Rindo alto demais, falando alto demais, dançando colado em qualquer mina que passa perto. Eu fico olhando de longe. O meu peito dói. As meninas tavam certas. Ele não mudou. Ele só quis me exibir. Como troféu. Como prova de poder. Eu respiro fundo. Vou até ele. — Russo… eu vou no banheiro. Ele nem olha direito. Acena com a mão, já colado numa mina nova que tá dando mole. Eu saio. Passo pela multidão dançando. O som alto abafa meu choro. Eu entro no banheiro químico fedendo a mijo e cerveja. Não aguento ficar lá, saio e fico no canto escuro, sento no concreto sujo e abraço os joelhos. E choro de verdade. Porque a esperança que eu criei morreu aqui. Porque o baile que eu achei que ia ser o começo foi só mais uma humilhação. Porque ele nunca vai me assumir. E eu… eu ainda tô aqui. Ainda tô escolhendo isso, escolhendo ele. Mas pela primeira vez, eu penso que talvez seja hora de escolher outra coisa. Eu enxugo as lágrimas. Olho pro celular. Mensagem do Gael. 📲 Gael: Mana, fiquei sabendo que foi no morro do Jogador... me liga se precisar. Eu não ligo. Ainda não. Mas a semente da dúvida que ele plantou… tá crescendo. E doendo. 🔞🔥🔞🔥🔞🔥🔞 Ei, se você chegou até aqui devorando “Russo” — com toda aquela tensão, posse, amor que queima e morro que não perdoa — então você já sabe que eu gosto de histórias que não têm freio. Pois bem… prepare o coração (e talvez um copo d’água), porque meu novo livro chegou pra bagunçar ainda mais sua cabeça. 📚 Contos Proibidos São histórias curtas, cada uma com personagens diferentes, cenários diferentes, desejos diferentes… mas todos com um ponto em comum: o proibido que ninguém admite em voz alta. Cunhado e cunhada que se esbarram na casa da família. Sogro e nora que descobrem que o ódio pode virar outra coisa. Padrasto e enteada que cruzam a linha que nunca deveria ser cruzada. Mulher do melhor amigo que olha demais e sorri de um jeito que não deveria. Desejo cru, culpa que não para quieta, tensão que explode em segredo. Se você vibra com o jeito que o Russo toma o que quer sem pedir licença… Se você torce pela Maya mesmo sabendo que é errado… Então esses contos vão te deixar com o mesmo frio na barriga — mas agora sem morro, sem bala, só pele, sussurro e a sensação de que “não pode”. Contos Proibidos já tá disponível!! Vai lá, leia agora mesmo. Mas lê com a porta trancada… porque essas histórias não foram feitas pra serem compartilhadas em voz alta. Te vejo do outro lado do proibido. 🔥 Crisfer. ADICIONE NA BIBLIOTECA COMENTE VOTE NO BILHETE LUNAR INSTA: @crisfer_autora
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