Gael Eu tava na sala, encostado na parede, o braço cruzado, o olhar pesado. A madrugada já tinha ido embora, mas o céu lá fora ainda tava escuro, como se se recusasse a clarear. A casa tava em silêncio — aquele silêncio de antes da tempestade, de quem sabe que alguma coisa tá por vir mas não sabe o quê. Aí a porta abriu. E eles entraram. O Russo primeiro. Ou melhor, o que restava dele. O braço pendurado no ombro do Juninho, a perna arrastando, a camisa encharcada de sangue. O rosto pálido, os olhos meio vidrados, a respiração pesada. Ele tava em pé por milagre — e por teimosia. Atrás, o Edy. Suado, cansado, o olhar pesado. Ele não tava ferido, mas parecia que tinha carregado o mundo nas costas. E aí a Maya. Ela apareceu no topo da escada. Descalça, o cabelo solto. Os olhos dela enco

