Maya O silêncio pesa mais que os tiros. Aqui atrás do camarote, o barulho do baile parece distante. Os gritos, a correria, os vidros quebrando — tudo abafado, como se tivesse do lado de fora de um carro fechado. O que fica é o som da respiração pesada dele. E a minha. As duas se misturando no mesmo ritmo acelerado. Eu ainda sinto a mão dele no meu braço. Não aperta mais. Mas ainda tá ali. O calor da palma dele queima a minha pele gelada do susto. Eu podia puxar. Podia me soltar. Mas não faço. Não sei se por medo, se por choque, se por outra coisa que eu não quero nomear. O cheiro dele invade o meu nariz. O cheiro que eu passei meses tentando esquecer. Que eu achei que tinha esquecido. Mas não esqueci. O corpo não esquece. O calor do corpo dele tá tão perto. A gente não se encosta,

