Russo O morro nunca pareceu tão pequeno. Eu tô aqui, na laje, olhando pra baixo. As casas apertadas, as vielas estreitas, os postes de luz piscando. Tudo que eu construí, tudo que eu conquistei, tudo que eu matei pra ter. E agora parece que não vale nada. Porque ela não tá aqui. As paredes do meu quarto tão me sufocando. Eu entrei e saí umas dez vezes hoje, andando de um lado pro outro igual bicho enjaulado. O copo na mão, o beck no cinzeiro, a carreira pronta na mesa. Bebo, cheiro, fumo. Bebo, cheiro, fumo. Não resolve nada. A tatuagem no peito tá ardendo. Não é ardência de pele nova, não. É ardência de dentro. Como se o nome dela tivesse entrando na carne, queimando os osso, marcando o sangue. "Maya". Escrito ali. Perto do coração. Toda vez que eu olho pro espelho, ela tá lá.

