Maya Acordei devagar. O quarto ainda meio escuro, a luz da manhã começando a entrar pela fresta da cortina, desenhando uma linha dourada no chão. O silêncio era quase completo — só o barulho do ventilador, o canto de algum passarinho lá fora, e a respiração pesada dele. Meu corpo tava relaxado, mole de sono, amolecido pela cama quentinha. Mas o coração… o coração ainda tava sensível. Tudo que aconteceu nos últimos dias pesava. A invasão. O medo. A ausência dele. A saudade. A raiva. A volta. Tudo misturado, igual nó que a gente demora pra desatar. Me virei de lado devagar, sem fazer barulho. E o vi. Russo. Ele tava completamente nu. Deitado de lado, na direção da parede, o lençol jogado pela cintura, quase caindo. O corpo grande ocupando espaço, relaxado de um jeito que eu nunca tinha

