CAPÍTULO 11

2734 Words
Eu ainda estava sem entender o que ele fazia aqui. Não era possível isso. Será que veio me humilhar mais um pouco? Não foi o suficiente o que ele já me disse? - Ana, calma. Não precisa ficar assustada. Eu vim conversar com você. Ele fala me soltando aos poucos. - O que você quer? Como conseguiu entrar aqui, e pior como sabia que eu estava aqui? Indago temerosa. - Quero conversar com você, e eu te seguir. Kate conseguiu seu endereço e acabei te seguindo até aqui. Tinha que ser Kate. - O que você quer conversar? Veio aplacar tudo que você falou para mim? Indago cruzando os braços. - Não. Eu vim te pedir perdão. Kate me contou o que houve. Kate não podia ter feito isso. Eu disse que sua mãe não prestava Ana, ela foi capaz de te vender para esse cara. - Isso não importa John. Eu já estou casada. Ele me olha parecendo não entender. - Eu vim te buscar. Quero tirar você dessa. Fico sem reação. - Eu não posso John. Digo. - Porque? Ana, não importa o que aconteceu com vocês dois. Eu não quero saber de nada. Eu te amo e quero que à gente fuja para bem longe dele e da sua mãe. - Eu não posso deixar minha mãe. Ele me olha surpreso. - Como assim? Anastásia eu não acredito que você está pensando nessa mulher que te vendeu por nada. Para salvar à própria pele. Você não pode estar pensando nela. - Estou John. Minha mãe só tem eu e mais ninguém. Independente do que ela me fez eu não posso desampará-la. Ela é à minha mãe e nada vai mudar isso. - Uma mãe que não vale à pena. Que não presta, que só quer cuidar dela mesma. Parar de ser boba Ana. Vamos embora agora. Quando estivermos longe você pede o divórcio. Ele não vai ter como fazer mais nada. Nem essa mulher que você chama de mãe. - Eu não vou John. À minha mãe só tem à mim e eu à ela. - Você tem à mim. Kate também se preocupa com você. Ela me disse que não te ver desde o casamento. Não pense muito vamos embora. Deixa essa vida de merda que você está vivendo com esse homem. Como ele sabe que minha vida está uma merda? - Eu já disse que não vou. - Você se apaixonou por ele? Sorrio de canto. Como vou me apaixonar por um homem que me ver como um produto? Você o ama Anastásia? - Não John. Eu não o amo. Mas amo minha mãe. Eu não quero que nada aconteça com ela. Eu não sei do que ele é capaz de fazer contra ela se eu for embora, então eu não vou. - Engraçado. Sua mãe não se preocupou em nenhum momento com você e agora você está aqui preocupada com ela. Não faça isso Ana. Você prefere viver infeliz à vida toda, do que deixar à sua mãe? - Sim John. Eu prefiro. Bem ou m*l ela é à minha mãe. Sei tudo que ela fez, e eu não estou aqui justificando o que ela fez, mas não vou mais dar as costas para ela. Se algum dia eu perdê-la ficarei m*l por todas as coisas que eu fiz à ela, por não perdoá-la, por não sermos mais como mãe e filha. Então antes que algo aconteça à ela e à perca de vez, prefiro fazer as pazes agora e passar por cima de tudo que aconteceu. - Você não pode estar falando sério. - Estou. Peço que vá embora e não me procure mais. Ele me olha incrédulo. - Eu ainda te amo. Não, você não me ama. Você tinha um capricho por mim, assim como meu marido. - Não me compare à ele. - Verdade não posso compará-los. Ele nunca me chamou de p**a, de vagabunda e de prostituta. Ele sempre me disse que me ama, e que eu não era nada disso, independente se ele deu dinheiro para me comprar ou não, ele nunca me fez me sentir uma vagabunda. Digo lembrando as palavras dele. - Eu disse no momento de raiva. Você não pode levar isso em consideração. - Nos momentos de raiva ele nunca me disse essas palavras, pelo contrário, sempre me disse que me ama. - E você acredita nele? Indaga. Não. Mas é bom ouvir isso de alguém que não te fez sentir um lixo como você me fez sentir. Você e sua namorada foram muito rudes comigo sem saber realmente o que aconteceu, porém eu não te culpo. Você estava chateado, bravo, mas não precisava me tratar daquela forma. - Eu sinto muito. Eu estava com raiva e nervoso com toda aquela situação. Eu me arrependo muito de tudo que eu te disse. Lamentar não é o bastante. - Tudo bem. Eu preciso ir. - Vem comigo por favor. Ana podemos sumir daqui. Ele te dando o divórcio você terá uma boa grana para poder ficar bem e assim podemos montar um negócio para gente. Eu não escutei isso. Eu não devo prestar mesmo, porque as pessoas à minha volta só me vem como uma solução para seus problemas. E ainda envolvendo dinheiro alheio. - Não me procure nunca mais. Vai embora. Fingir que eu não existo. Continue com sua raiva dirigida à mim. - Ana. - Adeus John. Digo saindo do banheiro. Eu não acredito nisso. Viver com dinheiro dos outros. Eu só posso ter uma carma r**m para homens. Não é possível. Volto para minha sala e pego à minha bolsa. É uma desilusão atrás da outra. Mas uma delas eu já vou resolver. Preciso perdoar à minha mãe pelo que ela fez. Não quero perdê-la de nenhuma forma. Estou pensando muito na situação da mãe de Elliot. Ela deve estar sofrendo muito. Espero mesmo que ela ache sua filha. Chego no restaurante e minha mãe já está lá. Dona Elena pintou o cabelo. Está mais loira. Ela se levanta sorridente. - Oi minha princesa. Como eu estava com saudades de você. Ela diz me abraçando. - Eu também mãe. Digo quase chorando. - Oh meu amor. Não chora tá bom. Vamos ficar bem. Ela fala se sentando e eu me sento. - Eu sei que vamos. Respiro fundo. Eu quero passar por cima de tudo que aconteceu. - Você está falando sério filha? Sorrio pegando à mão dela. - Sim mãe. Eu não quero mais brigar com você por causa disso. Eu só quero que à gente fique bem. Como éramos antes. - Porque você mudou de idéia? Mamãe pergunta alegre. - Porque eu ouvi uma história muito triste, e não queria te perder. Eu não quero te perder por nada no mundo mãe. Choro e ela limpa minhas lágrimas com seus dedos. - Não chora. Eu sei que não fiz certo com você. Mas eu só... - Não quero mais falar disso. Não quero ficar remoendo isso. - Fico feliz com isso Ana. Espero que também tenha feito as pazes com seu marido. Desvio meus olhos. - Eu não quero falar dele mãe. Hoje eu quero falar de nós. - Mas ele não teve culpa Ana. Ele não te comprou filha. Eu só pagou as nossas dívidas. - E usou isso para eu me casar com ele. Suspiro. Mãe eu não quero mesmo falar sobre ele. Eu já estou casada e nada vai mudar isso. - Eu quero netos Ana. Como vai ser se você continuar assim com ele. - Eu não quero filhos mãe. Tomo meus remédios todos os dias para não ter problemas. - Filhos não são problemas, mas sim solução. Olha o que aconteceu comigo e com seu pai. Ele já era apaixonado por mim. Vivia um casamento infeliz com à mãe da sonsa da Kate, então quando eu engravidei ele tomou à decisão de deixá-la para ficar com à gente. Não fique encarando seu casamento como algo r**m filha. Seu marido te ama, e ele só quer seu bem. - Tudo bem mãe. Podemos mudar de assunto? Questiono não querendo falar dele. - O que você quer conversar então? Era hora de colocar as coisas em seus lugares. Sei que não tem volta nada do que ela fez, mas podemos consertar um pouco as coisas. - Você ainda tem dinheiro que ele te deu? Ela me olha estranhando à minha pergunta. - Sim, porque? - Porque eu quero que você invista em algo. Não sei mãe, monte um negócio para render alguma coisa pra te sustentar e também devolver o dinheiro à ele. - Ele não quer o dinheiro de volta Ana. Reviro os olhos. - Mas eu faço questão de devolver cada centavo. - O que você está pensando? Você acha que devolvendo o dinheiro para ele o mesmo vai te liberar do compromisso que vocês fizeram diante de todos? Parar filha. Ele não vai te dar à liberdade Ana. - Eu já me conformei em viver casada com ele mãe. Eu não estou querendo fazer isso para que ele me libere. Sei que nunca ele fará isso. Eu só quero que você tenha uma renda para se sustentar, e também que não fiquemos devendo nada à ele. - Tudo bem. Eu vou ver o que posso fazer. - Se quiser eu posso te ajudar. Posso em um sábado para Portland e começamos à ver um local para montar um negócio de venda de roupas, de salão, um SPA. Até pode ser um Pet Shop. Sorrio lembrando do cachorro que ganhei do meu pai e ele morreu anos depois de uma bactéria. - Você adora bichos né? Mamãe sorrir parecendo lembrar da mesma coisa. - Sim. Amo. Eu acho que seria legal montar um negócio assim. - Mas você sabe que eu não levo jeito para tomar conta disso. - Eu sei mãe. Mas podemos contratar alguém para te ajudar no começo. Mãe você precisa disso. Eu não quero que você fique sendo sustentada por ele. Ele não tem obrigação disso. - Tudo bem filha. Vamos fazê-lo. Mas eu quero que você me ajude. - Eu vou te ajudar mãe. E vamos devolver o valor que ele te deu. Aos poucos, mas vamos. - Assim que quero te ver meu amor. Feliz, animada e principalmente sorridente. Não sei se estou realmente feliz, mas me sinto bem por fazer as pazes com ela. Nosso almoço foi muito bom. Conversamos bastante e nos entendemos como antes. Éramos novamente mãe e filha. Voltei para à Fundação e comecei à olha alguns casos de namorados de uma senhora de idade. Como pode o coração das pessoas ser tão ruins à ponto de fazer isso com uma idosa. Eu tinha que informar à polícia e trazê-la para uma das instituições de abrigos de idosos. As vezes gasta tanto dinheiro para trazê-los e dar um lar, sendo que os mesmos tem um. Seria mais legal se eles pudessem ficar em suas casas com acompanhamento de alguém contratado pela fundação. Vou colocar isso na ponta do lápis e depois oferecer como plano de ação nas próximas reuniões. Acho que esses idosos sentiriam melhores em seus lares do que em lares de idosos. Podem ser feito reuniões de grupos na fundação para eles interagirem um com o outro. Criarem laços de amizade e afeto. Trabalhei até tarde. Tinha perdido algumas horas com à minha mãe e quis compensar. Cheguei em casa Christian já estava em casa sentado no sofá lendo alguns papéis. - Você não tem mais hora na Fundação? Ele pede tirando seus olhos dos papéis em suas mãos. - Tive que ficar até mais tarde. - Teve? Porque? Ótimo, uma noite em paz não posso ter. - Porque fiquei muito tempo com minha mãe. Subo as escadas não esperando ele dizer mais nada. Tomo um banho relaxante, e me visto para descer para jantar. Ele ainda estava lendo seus papéis. Passei direto e fui para cozinha onde Gail já estava colocando à comida na mesa de jantar. - Quer alguma coisa em especial Sra? Gail me pergunta. - Não. Obrigada! - Desde que à Sra chegou não me disse o que gostaria de fazer para o jantar. Não quer montar um cardápio com as coisas que à Sra gosta? - Não Gail. Pode fazer o que achar melhor. Sorrio para benéfico dela. Não quero que ela deixe de fazer o que ela faz. - Tudo bem. Mas se quiser que eu faça algo diferente, é só me dizer. Apenas assinto. O jantar já está pronto. Vou para mesa e me sento. Christian aparece logo atrás. Começo à colocar à minha comida e ele também. - Não tem nada para me dizer? Ele pede parecendo com raiva. - O que você quer que eu diga? Peço não entendo nada. - À verdade. - Que verdade? - Aquele bastardo i****a foi te ver na fundação. Você marcou com ele lá achando que eu não saberia? - Ele apareceu lá do nada. Eu não marquei com ele. - Então como ele foi parar lá? Como ele sabia que você estava lá? Respiro fundo. - Não sei. - Não sabe? Eu não quero mentiras entre nós Anastásia. - Eu não estou mentido. E parar de gritar. - Não está mentindo? Então me explica como ele te achou lá? - Eu não sei. Na verdade eu sabia, mas não valia à pena dizer. - Eu não quero ele perto de você. Novidade. Olha para mim. Solto o garfo no prato e cruzo meus braços olhando para ele. Eu estou falando sério quando digo que não quero você perto dele. Você não sabe o que sou capaz de fazer para afastar ele de vez. - Acabou? - Você não está me levando à sério. Você não me conhece. À próxima vez que ele aparecer na fundação eu mandarei meus seguranças dar um corretivo nele. - Faça o que você quiser. Indago voltando à comer. - O que ele queria com você? Ah droga. - Christian, eu posso ter uma noite sem suas cobranças? Posso ficar um minuto sem ouvir você me dizer o que quer e não quer de mim? Peço deixando de comer. - Eu quero saber o que ele queria com você. Não respondo. Ele te tocou? - Vai me chamar de vagabunda também? - Jamais faria isso. - Então parar. Não. Eu quero saber o que ele queria. Ele não foi te procurar atoa. Me responde. Suspiro forte. Além de ser obrigada à casar com ele, o mesmo tem um ciúmes exagerado. - Ele foi me pedir desculpas. Está bom pra você? Peço irritada. - Ele foi te pedi desculpas? E você? Chega Christian. Eu não quero continuar falando sobre isso. - Eu quero saber o que ele te disse, e também o que você disse à ele. - Porque hein? Porque você insiste em me deixar mais triste do que eu já estou? Porque insiste em acabar comigo? O que eu te fiz Christian? Me responde o que eu te fiz? Tudo tem que ser como você quer. Você quer que eu tente, mas fica em cima de mim tentando decifrar o que eu penso, o que estou fazendo e com quem eu estou falando. Você quer me controlar à cada momento. Então me responde o que eu te fiz? Peço chateada. Não tem uma noite que não há cobranças por parte dele. - Eu não quero esse cara perto de você. - Ótimo. Algo mais que eu possa fazer por você? Ele não escutou nada do que eu disse. Me levanto não terminando de comer. - Onde você vai? Fecho meus olhos respirando fundo. - Vou para o jardim. Será que eu posso? Não espero ele responder e saio para o jardim. Quero muito viver em paz, mas nesse jeito dele não vai ser possível. Fiquei horas pensando na conversa com minha mãe mais cedo. Iria ajudá-la à montar seu negócio, e também devolver o dinheiro para ele. Não quero mais ficar com essa sessão de ter sido comprada. Se é para seguir em frente, que eu possa me libertar disso, pelo menos isso. Subo para dentro de casa e vou direto para o quarto visto uma calça de moletom e uma blusa de alcinha para dormir. Que bom que ele não está aqui, assim eu possa dormir em paz.
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