CAPÍTULO 10

2264 Words
Depois que sair do hospital, eu me vi voltando para uma casa que não queria. Grace, Carrick e Mia vieram me visitar. Eles foram super amáveis comigo, e eu não poderia recebê-los diferente. Sei que me compromete à tentar, mas é difícil. Está sendo difícil. Eu sempre via ele como um cara que me comprou da pior forma. Eu era um produto que ele comprou e nada disso iria mudar. Eu não sei se conseguiria passar por cima disso, e por isso tudo estava se tornando difícil. Já tinha voltado à minha vida. Comecei à trabalhar na fundação. E eu estava gostando. Pelo menos não ficava atoa em casa pensando na minha vida. Nessa vida que não me pertencia. Já cheguei e uma mulher já me mostrou minha sala. Tinha uma papelada na mesa e eu nem sabia de onde começar. Ouço uma batida na porta. Olho para à mesma e tem um homem loiro parado nela. - Anastásia Grey? Ele me questiona com maior sorriso. - Sim. Sr? - Elliot Steele. Sou filho de Ray Steele. Um dos donos da fundação. - Há claro. Me levanto o cumprimentando com um aperto de mão, mas ele me dar um abraço de urso. Acho estranho e ele me solta sorrindo. - Você me parece familiar. Não nos conhecemos de algum lugar? Ele pede se sentando e eu vou para meu lugar. - Não que me lembre. Eu lembraria de alguém tão espontâneo. Digo sorrindo. - Mas seu rosto e seu olhar não é estranho para mim. - Mas me diga. O que devo à honra da sua presença? - Já queria falar com você desde que cheguei no país. Eu vou te ajudar à coordenar à fundação. Não estarei aqui cem por cento, mas te ajudarei. Que ótimo, alguém para me tirar desse escuro. - Acho ótimo. Então vamos começar com esses papéis na minha mesa, porque eu estou perdida para que tanto papel. Achei que tudo aqui era informatizado. - E deveria ser. Porém meu pai me disse que desde que minha mãe saiu da fundação, nada aqui acontece. Esse lugar está abandonado. - É uma pena, porque se trata de obras de caridade e tem que se ter mais responsabilidade e respeito pelas pessoas que vem procurar apoio. Eu nunca me vi envolvida nisso, mas não quero que seja um passatempo para mim. - Eu também sinto muito por isso. Minha mãe se dedicava muito aqui, mas ela não estava bem para continuar. Sinto uma tristeza em sua voz. - O que houve com ela. Está doente? Peço querendo entender o motivo dessa tristeza toda. - Quando éramos pequenos perdemos nossa irmã. Minha mãe não se conforma até hoje e quase não vive mais. Meus pais estão desolados e não seguem em frente. - Eu sinto muito. - Eu também Anastásia. - Me chame de Ana. Digo sorrindo para ele. - Pois Ana. Eu e meu irmão Ethan sofremos juntos. Eu já estava com doze anos e Ethan com oito. Ela era um bebê quando se foi, e era nosso xodó. Ele fala com tanto carinho e lágrimas escorrendo dos seus olhos. Meus pais não conseguem seguir em frente. Tivemos que voltar para assumimos os negócios da família, porque minha mãe e meu pai m*l saem do quarto. Mais à minha mãe porque ela se sente culpada. Tudo aconteceu com ela e nada faz ela tirar isso da cabeça e do coração. - Ela é mãe Elliot. Acho que também me culparia se eu deixasse algo acontecer com um filho meu. Lembro da minha mãe. Lembro como à gente era unida antes de tudo acontecer. Lembro que conversávamos muito sobre tudo, até mesmo sobre namorados. Sorrio me lembrando disso. Foram momentos felizes. - Sim. Eu à entendo, mas já se passou tanto tempo Ana. Já são 21 anos, e nada dela reagir. Eu quero que ela reaja, que volte sua vida. - Eu sei que tem muito tempo, mas não peça demais dela. Digo pegando na mão dele. - Ela tem esperança. Esperança? Questiono sem entender. - Sim. Esperança de encontrá-la. - Não entendi Elliot. Sua irmã não morreu? Peço intrigada, pois foi isso que entendi. - Para nós sim, mas para minha mãe não. Ela acredita que vai encontrá-la passe o tempo que passar. - Mas como? Sua mãe acha que vai encontrá-la no céu? - Ana minha irmã foi sequestrada ainda bebê. E para nós. Meu irmão e eu ela está morta. Já se passou muito tempo, eu não tenho esperança que ela será encontrada. Quando isso aconteceu meus pais contrataram à melhor empresa de investigação para encontrá-la. Nada Ana. Foram anos e mais anos procurando e nada. À polícia encerrou o caso por não saber mais onde procurar. À empresa de investigação também não acharam nada até hoje. Eu não consigo ver onde ela poderia estar. - Não fique se martirizando. E também não deixe sua mãe ficar desacreditada. Se ela tem esperança é porque algo dentro dela diz que sua irmã está viva e que ela vai poder vê-la e abraçá-la. - Você fala como se à conhecesse. Sorrio. - Gostaria muito. Mas não conheço. Ela me parece uma mulher forte apesar da situação que ela vive. - E ela é Ana. Não canso de admirá-la. Se eu pudesse devolvia o sorriso no rosto dela. - Ela vai voltar à sorrir. Dê o tempo que ela precisa, porque ela vai voltar à sorrir. - Espero que sim. Ele diz limpando as lágrimas. Vamos deixar esse assunto triste e concentrar nesses papéis aqui. Ele fala e se levanta. - Podemos começar a informatizar tudo isso. - Ótimo. Vamos chamar algumas pessoas para nós ajudar. Ele sai da sala e eu começo a olhar tudo isso. Tenho que contratar uma secretária. Preciso de ajuda, mesmo que Elliot vai estar aqui se comprometendo à ajudar, eu preciso de alguém. À história de Elliot me abalou. Acho que à mãe dele deve estar sofrendo demais. Começo à pensar na minha mãe. Deveria odiá-la por fazer tudo que fez comigo, mas eu não consigo. Eu à amo. Não vou conseguir esquecer isso tão cedo, porém quero voltar à ter uma relação boa com ela. Não quero perdê-la como à mãe de Elliot perdeu sua filha. Vou me dar uma oportunidade de consertar as coisas com ela. Os dias estavam se passando e cada dia mais eu me via bem na fundação. Eu ainda não sabia como faria para contratar alguém, não sei se tinha que pedir autorização para Christian e o outro dono. Eu iria conversar isso com ele depois. Depois do trabalho vou para um parque perto daqui. Me sento na grama e pego meu celular. Era hora de falar com minha mãe. Não quero que perdê-la para depois ficar me remoendo. Eu à amo e nada pode ser maior que isso. - Ana, filha, está tudo bem? - Oi mãe, estou bem. Suspiro. E a Sra como está? Peço com receio. Não sei se ela ainda quer falar comigo. - Eu estou bem meu amor. Estou saudades de você. Não te vi mais depois do hospital. - Eu também estou com saudades mãe. Choro. - Ana, o que foi minha linda? Você está chorando porque? - Eu sinto tanto à sua falta mãe. Sinto tanto tudo que aconteceu, até mesmo eu tentar tirar à minha vida por raiva e egoísmo. - Não meu amor, não sinta. Acho que você agora está vendo que eu quero só seu bem. Eu te amo minha princesa. - Eu também mamãe. Eu te amo e não quero ficar brigada ou brigando com você. Limpo minhas lágrimas que insistem em sair dos meus olhos. - Nem eu meu amor. Vamos combinar de almoçar amanhã, não, amanhã não porque eu já tenho um compromisso no dermatologista, mas depois de amanhã eu posso. Vamos almoçar e você me conta como está. Matamos à saudades. - Tudo bem mamãe. Você vem pra cá? Peço. - Claro meu amor. Eu estarei indo para ir. - Eu te espero. Digo sorrindo. Mãe. - Oi. - Me perdoa por tudo. - Não tenho o que te perdoa filha. Você fez o que achava certo, assim como eu. Não vamos ficar lembrando do passado. Vamos seguir em frente e tudo ficará bem. - Tudo bem. Te espero para almoçarmos depois de amanhã. - Pode esperar. Beijos linda. Te amo. - Outro. Te amo. Desligo. Limpo meus olhos. Estava em paz comigo mesma. Ela é à minha mãe e eu faria tudo por ela. No outro dia almocei com Christian. Estávamos conversando sobre à fundação. Porém eu queria saber o real motivo dele ter me escolhido. Ele é rico, bonito, inteligente, tinha tudo para ter uma pessoa maravilhosa que o amasse, mas não, ele fez o que fez e hoje estou aqui. Ele me disse que me ama, porém eu não acredito nisso. Acredito em amor à primeira vista sim, mas no caso dele, não dar para acreditar. Porque procurar uma pessoa simples, sendo que ele poderia ter alguém do nível dele. Nada me convencia no que ele falava então resolvi deixar pra lá. Almoçamos calados e ele me levou de volta para à Fundação. À noite transamos e depois do banho fomos jantar. - Minha mãe me ligou pedindo seu número. Ele fala se sentando à mesa. - Tudo bem. Digo colocando uma salada para eu comer. - Talvez ela queira te chamar para almoçar. - Amanhã vou almoçar com minha mãe. - Que bom. Acho legal você e ela voltarem à ter uma relação de mãe e filha. Não digo nada. Quem sabe você à perdoa pelo que ela fez e à mim também, e assim possamos à viver bem. Olho para ele. - Eu acho que só vou viver bem com você quando você me disser à verdade. - Que verdade? - O porquê eu? De novo com isso? Eu já te disse o porque. Eu não sei o porque você não acredita em mim. - Deve ser porque você nunca me passou confiança para eu acreditar em você. Ele me olha estranho. Talvez não acreditando no que eu disse. - Eu nunca te passei confiança? Sou sincero com você em cada palavra, estou cumprindo cada palavra que eu disse nos nossos votos de casamento, e ainda estou cumprindo nosso acordo feito no hospital. Então eu não sei onde eu não dei à devida confiança para você. - Eu preciso de uma secretária. Digo mudando de assunto. Eu não sei se eu mesmo posso contratar uma sem o consentimento seu e do seu sócio. - Você é minha esposa e pode fazer o que tiver que fazer na Fundação. Eu só não quero que seja um homem como seu secretário. Reviro os olhos. - Não sei o porque, já que pelo que sei você trabalha com várias mulheres na sua empresa. Digo terminando de comer. - Mas eu não tenho olhos para nenhuma delas. Todos os meus funcionários ou funcionárias tem por obrigação agir como profissional. Apenas fico calada olhando para meu prato. E eu já vou avisando que não quero você em Portland sem mim. Agora com aproximação da sua mãe novamente, não quero você indo pra lá sem mim. - E eu posso saber o porque? Indago cruzando os braços. - Você sabe o porque. Não quero aquele seu ex perto de você. John. Como será que ele está? Será que me esqueceu nos braços de outra? - Eu não acredito que ele queira falar comigo. Me acha à pior das putas. Vejo ele suspirar pesado. - Você não é nada disso. Eu já disse isso para você. Aquele cara não te merecia. Ele fala nervoso e eu sorrio de canto. - E você merecia. Na verdade todos nós merecemos quando compramos algo né. - Você nunca vai esquecer essa história que eu te comprei né? - Como eu posso esquecer se você me lembra toda hora isso? Eu m*l consigo olhar para você sem lembrar que estamos casado porque você me comprou. - Você não me deu outra opção. E eu tentei te conquistar da melhor forma possível. Eu fui atrás de você várias vezes naquele café, e nada. Você me rejeitava antes mesmo que eu abrisse à boca. Te mandei flores, te chamava para sair e nada. Você não me deu outra opção, então busquei meios para ter você. - À qualquer custo. Afirmo algo que em mim dói. - Já disse eu não tive outra escolha. Anastásia eu não quero que isso seja um peso no nosso casamento. Sei que você está magoada, ressentida com tudo que aconteceu e de como aconteceu, mas falamos que iríamos nos dar uma chance. Nos comprometemos fazer dar certo. E eu quero que dê certo. Respiro fundo. - Eu vou me deitar. Estou cansada. - Você sempre foge, quando não foge se tranca no seu mundo. Eu quero te ouvir. Eu preciso te ouvir. Precisamos disso para que possamos dar certo. Eu te amo Anastásia, e por mais que você não acredite no meu amor. Eu te amo. - Boa noite Christian. Digo subindo para o quarto. Não quero falar disso mais. Estou cansada disso tudo. Cansada de tentar entender essa vida. Talvez seja melhor viver um dia de cada vez e fazer com que minha vida fluía. No outro dia estava já quase na hora do almoço. Fui no banheiro antes de ir encontrar com à minha mãe. Estava lavando meu rosto quando senti alguém me agarrar. Meu Deus, o que ele faz aqui?
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