7

487 Words
### Capítulo 7 **Luana narrando** Meu rosto já estava melhorando, e uma boa maquiagem conseguia esconder os hematomas. Minha sogra tinha saído para jantar, e eu estava sozinha em casa. Mandei mensagem para Preto porque não conseguia tirar da cabeça o que o irmão de Raul me disse. Eu tinha vários amantes e aliados, mas nenhum deles era capaz de enfrentar Raul de verdade. Mas Preto era diferente. Ele podia encarar Raul de frente, confrontá-lo quando quisesse. Eu precisava fazer com que ele se envolvesse comigo. Peguei as chaves do meu carro e coloquei no GPS o endereço que Preto havia me mandado. O local ficava próximo ao seu morro, perto de onde nos vimos pela primeira vez naquele jantar. Antes de sair, caprichei na maquiagem para esconder os machucados. Eu estava exausta dessa vida. Cansada de apanhar, ser humilhada e, depois, receber flores como se isso apagasse tudo. Era sempre a mesma coisa. Mas eu não tinha escolha. Se continuasse assim, mais cedo ou mais tarde, Raul me mataria. Eu precisava encontrar alguém forte o bastante para me proteger e evitar que o pior acontecesse. #### *Flashback on* — Atira, sua v***a! — ele cuspiu as palavras, o rosto sangrando, enquanto eu segurava sua arma. — Se atirar, não sai viva daqui. Eu tremia, mas não hesitei. — Posso morrer, mas você vai primeiro. Então puxei o gatilho. #### *Flashback off* Respirei fundo e segurei as lágrimas para não estragar a maquiagem. Parei o carro no meio do caminho, tentando organizar os pensamentos. Quem era pior: Raul ou Marcelo? Nasci e cresci no Morro da Fé, criada apenas pela minha mãe, já que meu pai morreu de câncer quando eu era criança. Me esforcei nos estudos para entrar na faculdade, mas foi exatamente nessa época que Marcelo assumiu o morro e destruiu a minha vida. Ele começou a cobrar dívidas antigas da minha família, e nós devíamos muito dinheiro. No início, me envolvi com ele para tentar pagar essas dívidas. Minha mãe morreu de desgosto, acreditando que eu tinha me tornado mulher de bandido por vontade própria, mas nunca foi essa a verdade. Eu só queria protegê-la. E ela partiu sem saber disso. Passei por um verdadeiro inferno nas mãos de Marcelo. Ele era ainda pior que Raul. A única diferença é que Raul sustenta minha vida de luxo e finge ser um bom marido na frente dos outros. Me refiz no espelho do carro, conferi a maquiagem e segui para o endereço que Preto me passou. Eu não queria chegar lá chorando. Precisava estar no controle. Quando cheguei, ele já me esperava. Vestia uma calça jeans e uma camiseta branca aberta, e as correntes de ouro brilhavam em seus dedos e pescoço. Caminhou até o carro e abriu a porta para mim. Olhei para ele e sorri. — Boa noite, Luana — sua voz soou envolvente, escapando de seus lábios carnudos. Respondi com um sorriso.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD