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510 Words
**Capítulo 6** *Narrado por Preto* --- Dois dias se passaram. O avião já estava carregado com a mercadoria, e as meninas estavam embarcando. Elas iam para bem longe, sem chances de voltar. O trampo estava feito. — O que tu tanto olha nesse celular? — Marsala perguntou, me encarando com desconfiança. — Tá esperando mensagem de alguém importante? — Tô. — Respondi, lembrando de Luana. — De quem? — Ele insistiu. — Assunto meu. — Cortei curto. — Eiaaa... — Ele riu, e eu acabei sorrindo também. Deixei Marsala para trás e desci para a boca. Minha mãe estava ao telefone, mas desligou assim que me viu. — Era seu irmão. — Ela disse. Franzi o cenho. — Marsala tava comigo agora. — Não ele. Marcelo. Minha expressão fechou na hora. — Não menciona esse nome aqui. — Avisei, sentindo o sangue esquentar. — Preto... — Já disse que não quero escutar esse nome, mãe. — Cruzei os braços, a encarando. — Marcelo também é meu filho. Senti um nó na garganta, mas engoli seco. — Aquele desgraçado nos traiu. Matou meu pai. Matou seu marido! — Foi uma invasão. Ele não tem culpa... Dei um passo pra frente, furioso. — Nunca admitiu que eu assumi o lugar do nosso pai. Não aceitou que aqui ele não manda em nada! Se revoltou e criou uma guerra. Mas eu te digo, mãe: ele não vai acabar com tudo que nosso pai construiu. Eu mantive isso aqui de pé e vou continuar mantendo. E não, eu não quero mais ouvir esse nome nessa casa. Ela respirou fundo, hesitante. — Ele quer que eu vá lá. Soltei uma risada seca. — Se a senhora for, não precisa voltar. Ela me olhou incrédula, mas não cedi. — Eu não acredito que a morte do nosso pai foi um acidente. — Continuei. — Tem coisa aí. Foi proposital. E um dia, eu vou provar. Deixei minha mãe para trás e entrei na boca, sentindo o ódio subir. Só de ouvir o nome desse filho da p**a, meu sangue fervia. Marcelo era o maior traidor que eu já conheci. E pensar que crescemos juntos... --- **Flashback ON** — Eu não concordo que ele comande o morro. — Marcelo disse, firme, olhando para nosso pai. — Eu sou o mais velho. É meu por direito. — Respondi, cerrando os punhos. — Eu não concordo. Nosso pai interveio: — Marcelo, Preto tem direito. Você sabe disso. Ele riu, debochado. — Ele vai afundar tudo. Estreitei os olhos. — Eu não sou você. Tudo que você toca, você destrói. Ele me encarou, raivoso. — Você não vai ficar com esse morro pra você. Cruzei os braços. — E vai fazer o quê? — Te destruir. **Flashback OFF** A vibração do celular me tirou dos pensamentos. Peguei o aparelho e vi a mensagem de Luana. *"Quero te ver."* Um sorriso se formou no meu rosto. Respondi na hora, mandando um endereço. Tava louco por essa mulher desde que a vi naquela festa. Seu corpo, sua boca... Hoje ela seria minha.
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