**Capítulo 6**
*Narrado por Preto*
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Dois dias se passaram. O avião já estava carregado com a mercadoria, e as meninas estavam embarcando. Elas iam para bem longe, sem chances de voltar. O trampo estava feito.
— O que tu tanto olha nesse celular? — Marsala perguntou, me encarando com desconfiança. — Tá esperando mensagem de alguém importante?
— Tô. — Respondi, lembrando de Luana.
— De quem? — Ele insistiu.
— Assunto meu. — Cortei curto.
— Eiaaa... — Ele riu, e eu acabei sorrindo também.
Deixei Marsala para trás e desci para a boca. Minha mãe estava ao telefone, mas desligou assim que me viu.
— Era seu irmão. — Ela disse.
Franzi o cenho.
— Marsala tava comigo agora.
— Não ele. Marcelo.
Minha expressão fechou na hora.
— Não menciona esse nome aqui. — Avisei, sentindo o sangue esquentar.
— Preto...
— Já disse que não quero escutar esse nome, mãe. — Cruzei os braços, a encarando.
— Marcelo também é meu filho.
Senti um nó na garganta, mas engoli seco.
— Aquele desgraçado nos traiu. Matou meu pai. Matou seu marido!
— Foi uma invasão. Ele não tem culpa...
Dei um passo pra frente, furioso.
— Nunca admitiu que eu assumi o lugar do nosso pai. Não aceitou que aqui ele não manda em nada! Se revoltou e criou uma guerra. Mas eu te digo, mãe: ele não vai acabar com tudo que nosso pai construiu. Eu mantive isso aqui de pé e vou continuar mantendo. E não, eu não quero mais ouvir esse nome nessa casa.
Ela respirou fundo, hesitante.
— Ele quer que eu vá lá.
Soltei uma risada seca.
— Se a senhora for, não precisa voltar.
Ela me olhou incrédula, mas não cedi.
— Eu não acredito que a morte do nosso pai foi um acidente. — Continuei. — Tem coisa aí. Foi proposital. E um dia, eu vou provar.
Deixei minha mãe para trás e entrei na boca, sentindo o ódio subir. Só de ouvir o nome desse filho da p**a, meu sangue fervia. Marcelo era o maior traidor que eu já conheci. E pensar que crescemos juntos...
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**Flashback ON**
— Eu não concordo que ele comande o morro. — Marcelo disse, firme, olhando para nosso pai.
— Eu sou o mais velho. É meu por direito. — Respondi, cerrando os punhos.
— Eu não concordo.
Nosso pai interveio:
— Marcelo, Preto tem direito. Você sabe disso.
Ele riu, debochado.
— Ele vai afundar tudo.
Estreitei os olhos.
— Eu não sou você. Tudo que você toca, você destrói.
Ele me encarou, raivoso.
— Você não vai ficar com esse morro pra você.
Cruzei os braços.
— E vai fazer o quê?
— Te destruir.
**Flashback OFF**
A vibração do celular me tirou dos pensamentos. Peguei o aparelho e vi a mensagem de Luana.
*"Quero te ver."*
Um sorriso se formou no meu rosto. Respondi na hora, mandando um endereço.
Tava louco por essa mulher desde que a vi naquela festa. Seu corpo, sua boca... Hoje ela seria minha.