**Capítulo 12**
*Luana narrando*
Eu tinha perdido o sono. O relógio marcava seis da manhã, e Raul dormia ao meu lado, respirando profundamente. Por um momento, apenas fiquei ali, olhando para o teto, tentando não fazer barulho para não acordá-lo. Minha mente estava inquieta. Pensava na minha vida, nas escolhas que fiz, nos caminhos que me trouxeram até aqui. Fechei os olhos por um instante, tentando encontrar paz, mas o cansaço me venceu, e acabei adormecendo novamente.
***Flashback On***
O cheiro de cigarro impregnava o ambiente. O ar estava pesado, carregado de medo. Eu estava cercada. Homens armados por todos os lados, sorrisos sádicos nos rostos, e no centro de tudo, Marcelo, o chefe deles, me analisando como se fosse dono de mim.
— A dívida não é minha — minha voz saiu firme, mas por dentro eu estava tremendo.
Marcelo riu. Um riso baixo, c***l.
— É da sua mãe — ele rebateu, dando um passo à frente. — Mas você morava com ela.
Engoli seco.
— Ela está morta.
— Você está viva. E é de você que eu estou cobrando essa dívida.
Minha respiração acelerou. O coração martelava dentro do peito.
— Eu não tenho como pagar.
Os olhos dele brilharam, divertidos. Ele se aproximou ainda mais, e eu quis recuar, mas minha coragem me manteve firme.
— Infelizmente, não posso deixar você ir assim tão fácil — ele murmurou. — Mas podemos resolver isso de outro jeito.
Minha pele arrepiou.
— Que jeito? — perguntei, tentando esconder o medo.
Ele tocou meu rosto com a ponta dos dedos, fazendo-me encolher.
— Você sabe… — sua voz era baixa, perigosa. — Você é tão bonita… tem um corpo maravilhoso.
A repulsa me dominou. Eu me afastei, empurrando sua mão com nojo.
— Eu não sou p**a e nem prostituta! Se afasta de mim!
O riso dele ecoou pelo cômodo.
— Olha só ela! — zombou. — Na minha mão, qualquer mulher vira p**a. E a partir de hoje, você é minha.
As lágrimas desceram pelo meu rosto, e um tremor tomou conta do meu corpo. Eu sabia que ele não estava blefando.
— Podemos sair, Marcelo? — um dos capangas perguntou, impaciente.
— Não — Marcelo rosnou, fixando os olhos em mim. — Quero que essa v***a aprenda que, de agora em diante, vai me satisfazer onde e quando eu quiser.
***Flashback Off***
— Para! Por favor, para! — dei um pulo na cama, gritando.
Meu coração disparado, o corpo suando frio.
— O que está acontecendo? — Raul se levantou rapidamente, me encarando com preocupação.
Olhei para ele, ainda chorando, tentando me recompor.
— Luana, outro pesadelo?
Respirei fundo, limpando rapidamente as lágrimas. Eu não podia contar. Nunca.
— Estou bem — menti, forçando um sorriso.
Raul estreitou os olhos, desconfiado.
— Você tem pesadelos quase toda semana.
— Não é nada — insisti, desviando o olhar. — Deve ter sido algum filme de terror que vi sozinha. Fiquei impressionada, só isso.
Antes que ele pudesse continuar me questionando, me levantei da cama e corri para o banheiro. Tranquei a porta, respirei fundo e me apoiei na pia, encarando meu reflexo no espelho. Meus olhos estavam vermelhos, a pele pálida. O passado nunca me deixava em paz.
Liguei a torneira e lavei o rosto, tentando dissipar as lembranças. Tomei um banho rápido, escovei os dentes e coloquei uma roupa leve. Passei um pouco de maquiagem para esconder os traços do cansaço e saí do banheiro já com um sorriso no rosto, pronta para fingir que nada tinha acontecido.
Raul já estava vestido, terminando de ajeitar a camisa.
— O jantar aqui em casa é daqui a dois dias — ele avisou, sem rodeios. — Eu não quero problemas.
Assenti, pegando minha bolsa.
— Será tudo perfeito, eu prometo.
Ele se aproximou, me olhando sério.
— Você sabe que são pessoas importantes.
— Não se preocupa. Vai dar tudo certo.
— Perfeito — ele disse, satisfeito. — Eu vou para a empresa. Não vou tomar café.
Ele saiu do quarto fechando a porta atrás de si, e eu fui até a sacada. Observei enquanto ele entrava no carro e ia embora. Fiquei ali parada, sentindo o vento bater no rosto, meus pensamentos girando.
Eu precisava focar no jantar. Essa noite poderia ser minha oportunidade única.