Por Elliot
O que estava acontecendo comigo? Eu não era de perder o controle, mas Lirabela sempre fazia vir à tona meus sentimentos mais profundos e intensos. Levantei-me com cuidado e entreguei Lirabela aos braços de Talya. Segui-as após isso, deixando meus homens para trás livres a sua própria vontade. Abri a porta do quarto de Talya para abrir-lhe passagem, e fechei assim que entrei após ela.
— Espere aqui! — Ordenou-me. Talvez eu realmente estivesse passando dos limites, mas não podia evitar querer ficar perto de Lirabela, ainda mais nessa hora. Deixei que a levasse até o banheiro e dirigi-me até a janela onde o Observador pousara, e me encarava com preocupação.
“Eu nunca a vi assim. Algo está me bloqueando!” — Observador estava tão assustado quanto eu. Compartilhávamos nossos sentimentos, mas de certa forma isso era reconfortante.
“Vamos aguardar, e até que fique bem, cuidaremos dela!” Ele assentiu com a cabeça frente ao meu pensamento e fiquei com ele até que a rainha voltou, colocando Lirabela gentilmente na cama e cobrindo-a.
— Quando essa ajuda chega? — Tornei a questioná-la.
— Eu nem tenho certeza se virá. — Ela estava cabisbaixa. Parecia querer chorar e senti-me um i****a por descontar algo nela do qual não tinha culpa. — Já era para estar aqui há horas.
Ela se deitou ao lado de sua preciosa filha e abraçou-a, com os pensamentos claramente distantes. Eu que queria fazer isso, mas minha petulância já havia passado dos limites. Sentei-me em uma poltrona próximo a janela e Observador saltou em mim, tentando se espremer em meu colo.
Era grande, e ficava desajeitado, mas deixei-o. Só tínhamos um ao outro agora, enquanto aguardávamos mudanças no estado de saúde dela. Eu não conseguia tirar meus olhos de Lira nem por um segundo, mas tudo mudou, horas mais tarde, quando um guarda bateu à porta. Observador saltou para o chão em resposta a meus pensamentos e fui até a porta, ver do que se tratava. Talya havia pegado no sono e eu não queria acordá-la agora se o motivo não fosse realmente relevante.
— A visita que a rainha requisitou aguarda no saguão de entrada. — Eu não sabia quem era, mas só podia ser a ajuda que Talya mencionara.
— Peça que venha! — Aquele guarda assentiu e então tornei a fechar a porta. Aproximei-me de Talya e balancei seus ombros de leve, chamando-a.
— Acho que a ajuda que chamaste, chegou. — Disse-lhe assim que abriu os olhos. — Pedi que subisse até aqui, se não se importa.
— Então minha mãe veio?
— Sua mãe? — Ela se colocou de pé e correu para sua mesa, penteando os cabelos com certo nervosismo. Antes mesmo de me responder, voltamos nosso olhar para a porta, que já vinha se abrindo. Por ela foi entrando uma senhora de cabelos brancos presos em coque, a pele branca já enrugada com a idade, e rosto ovalado. Estava com uma calça social branca e uma blusa vermelha com flores brancas bordadas nas bordas. Seus olhos esverdeados foram direto de encontro a Talya.
— Espero que tenha um motivo muito forte para ter me chamado. Sabe que odeio esse lugar.
— Me desculpe, mãe, mas era urgente.
— Quem é este? — Ela apontou o dedo para mim e depois caminhou a passos firmes, com certa irritação. Colocando-se de frente para mim, começou a estudar meu rosto.
— Elliot, príncipe primogênito do Sul. — Apresentei-me formalmente curvando-me em respeito.
— Bem que achei que você é a cara do Fiodrax! O que ele faz aqui e quem é essa garota deitada na sua cama? — Perguntou, dirigindo-se à Talya agora, com um tom de voz alto e seco. Eu achava que Talya era dura, mas é porque não conhecia sua mãe. Estava mais do que explicado de onde Talya herdou a personalidade dela.
— Ele é o noivo dessa garota, mãe, e ela é Lirabela, minha filha.
Tinary arregalou os olhos de um jeito engraçado e caminhou a passos rápidos até a beirada da cama, para ver bem o rosto da garota.
— Você só pode estar de brincadeira. Como que você teve uma filha e não me contou nada? Quantos anos ela tem?
— Eu a tive com Kiroshi durante a guerra, e por isso nunca te disse nada. Eu tinha medo.
— Mas isso significa que...
— Sim, mãe! — Disse Talya, interrompendo-a. — Ela tem dezenove e começou a apresentar os sintomas da marca. Como você já viu isso acontecer em duas gerações, é a pessoa mais indicada a lidar com isso.
— E quando é o aniversário dela?
— No décimo quarto dia de Rocan.
— Mas já? O que você ainda está esperando? Convoque o Etacarim o quanto antes! Estamos sem tempo. Não se preocupe com ela, pode deixá-la aos meus cuidados. — Tinary praticamente foi empurrando Talya para fora do quarto. —Vamos, se apresse!
Talya curvou a cabeça assentindo e olhou para mim, com um certo desespero. “Vigie-a!” Pedi a Observador e então me fui, atrás de Talya.