cap 02 quem é a nova moradora

939 Words
Arcanjo Sou o Arcanjo. Significa guerra. Nome de quem não esquece, nome de quem faz pagar. Comecei como “aviãozinho”, depois virei chefe. Tenho grana, respeito e gente que mataria por mim. Mas também tenho inimigos em cada viela — caras que fingem lealdade e sonham em puxar meu tapete. Eu sei disso, mas não me abalo. Sou cercado por muitas drogas, armas e mulher fácil. Não me apego a nenhuma. Se for bonita, vem. Se quer status, senta no meu colo. Mas nenhuma eu deixo ficar. Fui criado pela minha coroa e pelo filho da p**a que me gerou. Meu pai nunca foi bom comigo nem com o meu irmão. Ele sempre batia na minha mãe. Eu tentava defendê-la e apanhava também, junto com o Marlon. O verme nos deixava passar fome. Já pensei em matar ele enquanto dormia, mas não quis carregar esse peso pro resto da vida — por mais que fosse um desgraçado que não valorizava a família. O cara se acabava nas drogas e devia pra alguns traficantes aqui da Rocinha. Antes quem comandava tudo isso era meu tio, irmão do meu pai. Ele sim era o melhor tio que alguém poderia ter. Não passávamos fome porque ele sustentava a gente. Foi ele quem me ensinou a atirar pela primeira vez. Entrei na vida do crime aos poucos. Matei alguns filhos da p**a que mereciam morrer. A vida, porém, foi c***l com meu tio e com minha mãe: meu tio foi morto pela BOPE porque vacilou demais, e minha mãe morreu de câncer. Depois disso, meu mundo desabou. O desgraçado do meu pai teve uma overdose alguns meses depois. Então só ficamos eu e o Marlon. Minha avó se mudou pra cá e hoje cuida da gente. Entrei de vez pro tráfico aos 17. Tentei estudar, mas percebi que não haveria futuro. A única solução foi lutar pra comandar a Rocinha. Comecei junto com meu irmão, e hoje estamos mais fortes do que nunca. Sou o chefe dessa p***a. Não me deixo abalar por ninguém. Cada dia é luta — o destino já foi c***l demais comigo. Não acredito nesse tal de amor. Já tive várias mulheres, mas foram momentos; nunca me apaixonei de verdade. Tirei o cigarro de maconha do bolso, traguei e soltei a fumaça quando os mano entraram na sala. Esses otários acham que aqui é a casa da mãe Joana pra entrar sem bater. — Trindade: Felipe (Ret) vai vir cantar amanhã. — Arcanjo: Certo. — Trindade: A Dayane tava querendo subir, mandei os vapores não deixarem ela entrar. Aquela mina é chata pra c*****o — só tu mesmo, Arcanjo, pra aguentar ela. Vive dizendo pelo morro que vai ser fiel. — Pz: Deixa ela sonhar. — Rick: Coé. — Arcanjo: Depois eu resolvo com ela. — Thurzinho: Tá gostando dela já, Arcanjo? — Arcanjo: Sai fora, Thurzinho. Gostar do que eu tenho nada a ver com aquela ali. — Pz: Tu sabe que ela só quer o teu dinheiro, né, irmão. — Rick: Dayane faz de tudo pra encher o bolso. — Duda: Mudando de assunto, deixa essa louca pra lá. Ontem, por volta das dez da noite, a Bia me ligou pedindo pra eu ir com ela até Copacabana buscar uma amiga. Pelo que ela falou, a mina passou por umas situações complicadas com o ex. Não sei os detalhes, mas ela vai ficar um bom tempo na casa da Bia. — Trindade: Essa mina chegou no morro e a Bia nem te falou nada, Arcanjo. Depois vai dar B.O. com essa história de ex. — Arcanjo: Quero saber dessa história direito, Trindade. Aqui ninguém entra sem minha permissão. — Duda: Qualé, mano, a mina tava com os olhos inchados de tanto chorar. O pescoço dela ainda tava roxo. — Arcanjo: Quero saber de nada, Duda. Tu sabe quais são as regras do morro. — Thurzinho: Relaxa, irmão. Tu resolve isso depois com a Bia. Ficamos jogando conversa fora e fumando. Fiquei curioso quando o Duda falou dessa mina nova do morro — preciso saber quem é ela. (...) Cheguei na minha “goma”, tomei um banho rápido, vesti só um calção samba e desci porque tava morrendo de fome. Minha avó tava na cozinha terminando a janta; o Pz estava jogado no sofá, no Free Fire da TV. — Arcanjo: Fala, velha. — Rosa: Respeita, moleque. — Rosa: A lasanha tá quase pronta. — Pz: Tô morrendo de fome já. A lasanha ficou pronta; também tinha macarronada e Coca-Cola. Servimos, sentamos e começamos a comer. Minha avó ficou conversando com o Pz sobre um monte de coisa, enquanto eu não conseguia tirar da cabeça a vontade de descobrir quem era aquela mina. De repente me senti curioso demais. (...) Eu tava deitado quando chegou notificação da Dayane. Já disse pra ela parar de me mandar mensagem o tempo todo. Mensagem on . . — Dayane: Trindade não me deixou subir. Tô morrendo de saudades, Arcanjo. — Você: Tô morrendo de saudades e do meu dinheiro. Admitte. — Dayane: Claro que não, eu gosto de você, Gabriel. — Você: Já te falei pra não me chamar pelo nome. Meu vulgo é Arcanjo, c*****o. E para de dizer que gosta de mim. — Dayane: Não precisa se estressar, desculpa gato. Amanhã eu te coloco pra relaxar, tá? — Você: Vai te lascar, Dayane. Tu é chata pra caramba. Mensagem off . . . Saí do w******p, bloqueei e apaguei o contato. Tava morrendo de sono e só queria descansar — essa merda me perturbando. Apaguei a luz ao lado da cama e fechei os olhos.
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