O portão fez aquele barulho arranhado de sempre quando Hariel girou a chave. Passava das sete, e o Complexo já estava naquele ritmo entre a calmaria e o burburinho da noite: gente chegando do trabalho, o som distante de uma música saindo de um boteco, cheiro de comida no ar misturado com poeira quente. Hariel subiu as escadas com a mochila nas costas e o corpo pedindo banho. Tava exausto. A reunião do estágio foi mais enrolada do que útil, teve que refazer post de última hora e ainda perdeu o ônibus na volta. Mas bastou ele abrir a porta e sentir o cheiro vindo da cozinha pra tudo dentro dele dar um estalo. Feijão com alho. Arroz fresquinho. E carne cozida com batata. Sim, ele tinha certeza. — Liz? — chamou, já deixando a mochila no canto. — Na cozinha! — a voz dela veio meio abafada,

