Estávamos todos na aula na terça-feira, a professora tinha liberado algum tempo para as pessoas conversarem e Ariel estava falando alguma coisa com Drake. Luke sentou-se ao meu lado sem dizer nada. Eu não sabia se devia tentar dizer alguma coisa, talvez pelo quase beijo ou sabe-se lá o que, mas como havia dito, eu não devia uma explicação a ele e ele também não me devia nenhuma explicação. O machucado no rosto dele não estava tão m*l quanto pareceu naquela noite, havia apenas um pequeno corte no lábio inferior dele. E eu achei que poderia ficar algum hematoma, também já era terça-feira, tinha passado três dias desde o nosso quase beijo.
— Foi um bom jogo ontem. Não achava que mandava tão bem no tênis.
— Minha mãe jogava. Ela adorava isso, devo ter herdado um pouco dela, gosto disso.
Ele ficou me observando enquanto eu falava sem nem ao menos disfarçar, sabia que estava fazendo de propósito porque era a forma de ele chamar minha atenção.
— Sabe que não me deve explicação, não é? Sinto como se você estivesse evitando me olhar. Ou pior ainda, me evitando.
— Eu fiquei constrangida. — Confessei, desviando o olhar.
Eu não conseguia mentir e também não conseguia inventar algo convincente, mas não me importava pelo fato de ter sido sincera com ele, era melhor isso do que ficar inventando desculpas esfarrapadas de o porquê eu estar evitando encará-lo.
— Entendo.
— Quer dizer, não foi por causa de você, mas da situação. — Admiti — O que Dony disse sobre o seu irmão é verdade? Sabe... Não precisa me contar os detalhes, eu sei que certos assuntos são complicados para serem explicados assim.
— Assim?
— Publicamente, quero dizer.
— Não foi bem como ele disse. Mas ele morreu por acidente de moto. Ele estava participando de uma corrida que não deveria fazer parte.
— Eu sinto muito.
— Eu também. — Contou, com um tom de ressentimento na voz.
Percebi que a classe estava em silencio, todos estavam parados escutando alguma coisa, eles pareciam chocados. Segui o olhar deles até porta e percebi que um policial passava por ali, alguns minutos depois houve alguns barulhos nos alto-falantes da escola, a diretora estava anunciando alguma coisa.
— Verônica Sinckler, por favor, compareça a sala da diretoria imediatamente. É muito importante.
Todos os olhares da sala estavam voltados pra mim e eu congelei, não por causa dos olhares de todos, mas porque raramente a diretora usava os alto-falantes para anunciar alguma coisa, ela só fazia isso quando tinha um assunto muito importante para dizer ao aluno. E dá ultima vez que vi isso, uma aluna saiu chorando, pois algum parente dela havia sofrido um acidente.
Arielle o havia apelidado de “portador de noticias ruins”, esperava que pelo menos dessa vez ela estivesse errada. Meu coração parece que vai sair pela boca.
Luke e Arielle estavam me olhando com cara de preocupados, querendo uma explicação, mas eu sabia tanto quanto eles, exatamente nada. Os policias poderiam ter descoberto que eu estava com Luke no dia do racha, era algo clandestino e Nicolas devia ter reportado aos outros... Ou não. Ele não faria algo para me prejudicar, a não ser que no pensamento dele ele achasse que estivesse me ajudando.
Levantei da cadeira evitando o olhar de todos e sai da sala, estava tentando disfarçar o quanto estava tremendo, mas duvidava que conseguiria, nenhuma parte de mim estava pronta para o que supostamente a diretora fosse dizer.
Parei na porta da sala dela quando vi Nicolas O’Connell parado lá dentro, ele estava com o uniforme policial e me encarou quando cheguei, a diretora deu um meio sorriso forçado parecendo que iria jogar uma bomba em cima de mim. E sabia que ia mesmo, caso contrário porque a policia estaria aqui?
— Verônica, ele está aqui por causa do seu pai.
— O-o quê? O que aconteceu com ele? Ele está bem, não é?
Eu comecei a entrar em desespero e minhas mãos começaram a tremer mais ainda. Ai Meu Deus, o que havia acontecido com ele?
— Seu pai... Ele sofreu um acidente enquanto trabalhava. Uma das madeiras caiu em cima dele enquanto ele ajudava Mauro Fitzburg. Ele estava distraído o dia todo. Acredito que possa ter sido por isso.
— Ele está bem?
— O estado dele está estável. Mas acho que seria bom você ir visitá-lo. Acho que precisam conversar — Aconselhou Nicolas
— Você disse Mauro Fitzburg?
— Exatamente! Você o conhece?
— Ele... É pai de uma das alunas daqui.
—Verônica, vou liberar você para ir. Você está liberada o resto do dia. Eu sei o quanto você tem trauma daquele hospital. Não é fácil.
— Eu levo você. — Ofereceu-se Nicolas e eu neguei com a cabeça
— Não! Eu vou sozinha.
— Não é aconselhável. — Repreendeu a diretora me olhando como se meu estado emocional estivesse abalado demais. Eu ainda estava calma.
— Não importa. É o meu pai que está lá, eu preciso ir vê-lo. Vou chamar um táxi.
Sai da sala da diretoria voltando para a sala de aula, as pessoas tinham voltado a conversar, mas pude notar o olhar delas em mim quando entrei na sala. Eu ignorei juntando as minhas coisas e chamei Arielle.
— Sabe, isso é meio patético. Parece que está no sangue de vocês, chega a ser lamentável. — provocou Raquel, ela estava sentada em cima de uma mesa me encarando e sorrindo, Lucianna estava ao lado dela. Toda a classe parou novamente para nos olhar — Parece que a sua família está destinada a morrer para salvar os outros. Chega a dar pena. Eu tenho dó de você, daqui a pouco vai ser a órfã, e o pior de tudo é que vai perder o pai da mesma forma que perdeu a mãe.
Eu não sabia como ela ficou sabendo tão rápido, e, naquele momento, nada importou além da raiva que ferveu dentro de mim. Não consegui segurar e dei um t**a na cara nela, ela me encarou chocada, e eu estava me controlando para não dizer coisas que poderia me arrepender depois.
— Sabe o seu problema? Você é só uma patricinha mimada querendo atenção. Você é tão arrogante e egoísta que nem ao menos sabe que quem meu pai estava salvando era o seu. Você só se importa consigo mesma.
— O-O quê? V-você está mentindo... Ele não... Meu pai está bem. — Rosnou, chocada, tanto pelo t**a e pelo que eu havia dito.
— Raquel Fitzburg, por favor, compareça a sala da diretoria.
Ela arregalou os olhos, ainda me encarando e saiu correndo da sala pegando a bolsa, eu juntei as minhas coisas e sai da sala. O que não esperava era que Luke fosse me acompanhar também.
— Por que você está aqui?
— Vou acompanhar você.
— Ela não precisa da sua companhia, eu sou a melhor amiga— retrucou Arielle me puxando pelo braço. — Eu vou com você. Aliás, eu não acredito que você acabou de dar um t**a na Raquel. Sempre foi meu sonho, esperei por isso há muito tempo.
— Não precisa. Eu posso ir sozinha. E, eu não aguentei. Ela pode até falar de mim, mas da minha família não.
— Você tem trauma de hospitais. Não vou deixar que vá até lá sozinha.
— Eu posso levá-la — Luke falou, oferecendo-se.
Eu estava em um dilema, eu precisa ir lá logo para falar com meu pai e só assim me sentiria bem, mas havia Arielle e Luke para me acompanhar e só um deles poderia ir.
— Espera... Isso não vai dar problema para você?
— Eu não me importo.
Eu dei de ombros, chocada.
—Mas eu me importo com você, não quero que se encrenque por minha causa.
Arielle me encarou sem entender nada, mas eu não queria explicar. Para mim, só tinha uma razão disso ter acontecido, talvez meu pai estivesse preocupado demais comigo e se distraiu no trabalho.
— V, você não precisa fazer isso. Disseram que ele esta estável, isso é bom, não é? — Arriscou Arielle e Luke me observou — Você está muito pálida, parece até que vai vomitar.
— Mas eu não vou. É meu pai que está lá. Você sabe como estou me sentindo? A minha mãe morreu do mesmo jeito — balancei a cabeça afugentando lembranças ruins — então eu preciso ir.
— Ele deve estar bem, caso teriam enrolado você lá dentro. Fizeram isso comigo quando... você sabe. — Luke, informou.
Eu sabia que ele estava se referindo ao irmão dele, eu não tinha forças para entrar lá, mas queria ver meu pai. Ele era a única pessoa da família que eu tinha, não podia perdê-lo.
— Eu explico tudo para você depois. — Falei, e ela acenou um sim com a cabeça indo em direção a sala de aula.
— Estarei esperando. — Ela encarou Luke — Não se esqueça de mim, tá?
Eu não sabia como entraria no hospital. Por 10 anos e meio — daqui há alguns dias, 11 anos — eu evitei aquele hospital, eu tinha ficado tão traumatizada que nunca mais tive forças para voltar ali, sempre que ficava doente pedia para meu pai me levar a outro lugar ou comprar remédios, mas nunca, desde aquele dia eu precisei voltar ali.
Até agora.
Eu estava parada na entrada do hospital. Luke tinha me levado de moto até lá, os flashes da noite do reconhecimento, voltavam a minha memória uma atrás da outra simultaneamente, era como se alguma coisa me atingisse no estomago muitas vezes seguida, eu estava enjoada e tremendo. Eu poderia ter sido só uma criança naquela época, mas não era tola. Eu sabia quando algo estava errado e só de colocar na cabeça uma imagem da minha mãe, ali, revirava meu estômago.
Dei um passo à frente e estanquei, completamente congelada com o medo me dominando quando senti algo na minha mão, olhei e vi Luke, me encarando de volta, um gesto de apoio. Seus dedos estavam entrelaçados aos meus e isso me transmitiu mais segurança do que eu esperava.
— Estarei aqui por você!
— Obrigada! — Retribui o olhar caloroso que ele havia me dado.
Estava prestes a entrar quando o vi saindo acompanhado de uma moça, ele estava caminhando normalmente, mas tinha uma faixa em torno do pulso até o antebraço, fora isso parecia bem.
Eu corri até lá.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ele — Achei que estivesse na escola.
— Eles avisaram o que tinha acontecido com o senhor e então me liberaram.
— Eu sabia que você iria vir. Por isso tentei sair logo. Sei que tem trauma de hospitais. — disse ele e eu o abracei.
Estava segurando para não chorar. Estava feliz por ele estar bem. Ele estava com uma aparência abatida, parecia muito cansado.
— Bom, acho que não vai querer mais minha companhia, não é? — disse a moça, ela estava uniformizada, deveria ser do trabalho dele. Se fosse a pessoa que eu estava pensando, ele já havia falado dela algumas vezes.
— Essa é Lizzie Sanders, ela trabalha comigo. E essa é a Verônica, minha filha. — Informou meu pai nos apresentando.
Era ela mesma.
— É um prazer finalmente conhecê-la, seu pai fala muito bem de você. — Ela me cumprimentou.
Ela tinha um sorriso lindo.
— É bom conhecê-la também. — Sorri — Ele também fala muito bem de você.
Ele desviou o olhar constrangido e nós duas rimos.
— Sinto muito pelo que aconteceu. Pedi para que Nicolas não te contasse nada, mas acho que ele estava preocupado. — Indagou papai, parecendo um pouco constrangido.
— Ele fez bem em contar.
Lizzie sorriu enquanto colocava algumas coisas no carro.
— Você vem com a gente? Está com quem?
— Uma... amiga está me esperando.
Lizzie ajudou meu pai a entrar no carro, estávamos na porta do hospital. Raquel chegou parecendo apavorada e correu para dentro do hospital, vi uma rosa cair da bolsa dela. Era uma rosa vermelha.
Isso me trouxe algumas lembranças do tumulo da minha mãe, mas logo às afastei.
— Chame a sua amiga e venha com a gente. — Lizzie falou de forma cordial. —Tem espaço suficiente.
Eu não podia fazer isso, Luke tinha me levado até ali e meu pai não sabia dele. E eu ainda não podia contar.
— Não precisa.
— Tem certeza? — Insistiu ela e meu pai me observava ainda sem dizer nada
— Sim. Eu vou para casa logo, não se preocupem.
Assim que Lizzie saiu com meu pai eu fui até Luke, ele estava parado me observando a distância — estava sentado na moto.
— Parece que tudo está bem.
— E isso é bom. — completei. — Quer dizer, o braço dele está machucado, mas não acho que seja tão grave, caso contrário não o teriam liberado. Obrigada por me trazer até aqui.
— Não precisa me agradecer.
— Fiz você perder aula. — Argumentei, ele sorriu
— Acha mesmo que eu me importo com isso?
—Deveria, se estiver mesmo interessado em sair daquela escola rápido.
— Touché.
Eu sorri. Um pouco por estar finalmente aliviada e outra porque conseguia realmente sorrir quando estava perto dele. Isso era bom.
— Quando quiser me ligar, fique à vontade. Você tem o meu número. — Comentou, deixando a frase no ar.
Ele me levou até a casa de Arielle, fiquei esperando ela por lá, até que ela chegou e eu fui para casa, a mãe dela estava trabalhando, então ela iria ficar em casa comigo. O carro do meu pai já estava estacionado lá, assim como o da Lizzie.
Quando entramos, eles estavam conversando animadamente e rindo de alguma coisa, Lizzie levantou-se quando nos viu, parecia um pouco constrangida.
— Desculpe, estávamos aqui conversando.
— Por que demoraram tanto chegar? Passaram em algum lugar? — perguntou meu pai
— Eu estava com fome. Iria pedir comida pra viagem, mas eles não aceitavam. — respondeu Arielle — Ah! Eu sou a amiga dela, prazer em conhecê-la.
— Sou a Lizzie, trabalho junto com o George. Acho melhor ir agora já que todos estão aqui, eles devem estar precisando de mim agora, já que o melhor da equipe saiu. — ela sorriu ajeitando o cabelo.
— Que tipo de estabelecimento não embala comida pra viagem? — Resmungou meu pai, desconfiado.
— Os dias de hoje são loucos, senhor Sinckler. — Arielle deu de ombros.
— Eu volto logo para o trabalho. Eu insisti que não precisava de uma faixa, mas é um procedimento padrão do hospital. Não foi um ferimento tão grave.
— Bom, já que a sua filha está em casa. Deixarei o resto com vocês. Tenham uma boa tarde. E descanse bastante.
— Obrigada! — respondi.—Você está mesmo bem? Eu achei que...
— Estou bem. Esse povo exagera um pouco, sabe como é.
— Mauro Fitzburg, ele é o pai de Raquel. Ele está bem?
— A garota que fica pegando no pé de vocês na escola? O pai dela está bem. Está com alguns ferimentos e precisou ficar no hospital, fora isso, nada demais aconteceu.
— Ainda bem. Eu sei que ela é uma chata, mas não merece isso. — Admitiu Ariel e eu a encarei um pouco chocada. — Que foi? Eu não desejo maldade as pessoas. Nem mesmo para ela. Afinal, ela mereceu aquele t**a. Foi bem feito.
— t**a? Do que vocês estão falando? — perguntou meu pai, parecendo estar perdido na conversa.
— Ela estava provocando Verônica sobre a morte da mãe dela e ela deu um t**a na Raquel. Eu achei que foi merecido, às vezes ela passa dos limites, já estava na hora de alguém dar um basta nela, pensei que fosse eu a fazer isso, mas alguém tomou a minha frente.
— Verônica... — Ele começou e logo percebi que iria me repreender. — Vou fingir que não escutei isso, deve ter tido um bom motivo, caso contrário não teria agredido alguém.
Concordamos juntas.
Como meu pai havia chegado cedo em casa eu decidi preparar alguma comida em especial, algo que eu teria mais tempo em fazer e que ele gostasse. Então decidi fazer lasanha. Como Arielle sabia fazer poucas coisas, ela me ajudava na cozinha no que era possível.
— Vocês não precisam passar o resto da noite aqui me observando. Vão se divertir. Aproveitar a noite. Eu só tive alguns arranhões no braço, mas fora isso estou super bem.
— Não temos nada de importante para fazer. Já estudamos muito ontem, então hoje preferimos ficar de bobeira. — respondeu Arielle enquanto eu colocava a lasanha no forno.
— E a Lizzie, pai? Ela olhava para o senhor de uma forma diferente. — Eu arqueei uma sobrancelha enquanto sorria
— Ela é só uma amiga.
— Uma amiga muito bonita. — provocou Ariel.
— E que tem um lindo sorriso. — Completei
— Eu não quero um novo relacionamento. — Falou, parecendo constrangido — A Diana significou muito pra mim. Não estou pronto para isso.
Eu entendia isso, não sabia se Lizzie era a melhor escolha, mas tinha gostado dela, parecia ser uma mulher legal. Não estava usando aliança e olhava de uma forma diferente para o meu pai, ela definitivamente gostava dele.
Como ele havia dito, não estava tão machucado, só alguns arranhões no braço, mas ele era uma pessoa teimosa, e não ficaria em casa a semana toda sem fazer nada, antes mesmo do final da noite ele tinha tirado a faixa e podia ver uma marca de onde supostamente a coisa deveria ter caído. Era bom que ele estava bem.
Arielle foi embora com a mãe dela, eu fiquei na sala com meu pai assistindo alguma coisa enquanto conversávamos.
Na manhã seguinte, já seria 29 de julho e quarta-feira, faltava apenas três dias para o aniversario de 11 anos da morte dela, eu não conseguiria visitá-la naquele dia, iria somente no dia 10. Assim, conseguiria me sentir mais confortável.
Estava preparando o jantar para o meu pai quando o celular dele tocou, ele parecia bem mais animado, e estava querendo voltar ao trabalho. Eu sabia o quanto ele sentia falta, era a única forma de ele não cair em uma depressão por causa da falta da minha mãe. Eu me sentia assim, às vezes, e por isso não gostava de ficar só e estava sempre com Arielle.
— É uma chamada do trabalho, eles estão precisando de mim pra resolver alguns assuntos.
— Achei que fossemos jantar juntos. — Choraminguei um pouco desapontada
— Pode deixar para a próxima? Isso realmente é importante. Se quiser, saia um pouco com a sua amiga. Mas não volte tão tarde.
— Tá bom. — Falei, forçando um sorriso.
Não queria que ele se sentisse m*l por sair rápido assim, ele parecia realmente querer ir e eu não seria a pessoa que o impediria.
Ficou meio solitário sem ele ali, tentei ligar para Arielle, mas ela não atendia e eu não queria ficar só em casa. Arrumei colocando um vestido rendado preto e uma jaqueta. Peguei a minha bolsa e fui até a casa dela, as luzes estavam apagadas, isso indicava que ela devia ter saído com a mãe.
Eu tinha o número de Luke na capa do meu livro, mas tinha dito que não ligaria para ele, mas isso não era um problema já que ele havia dito que eu poderia ligar. Só não sabia se devia, ele poderia estar ocupado em outra corrida clandestina ou alguma coisa parecida. E eu não queria ficar só em casa, talvez fosse bom eu quebrar a corrente e chamá-lo para sair um pouco, ele sempre fazia isso, então eu não achava muito justo ficar esperando outra oportunidade para ele me chamar para sair.
Voltei para casa, anotei o número dele na agenda do meu celular e liguei, ele atendeu no segundo toque, eu podia escutar varias vozes no fundo e barulho de motos. Pensei em desligar e deixar para lá, mas ele já havia respondido.
— É você, ruiva?
— A menos que chame outra garota de ruiva, sim, sou eu.
— Achei que não fosse ligar. — Falou e escutei algumas vozes ao fundo
Uma das vozes reconheci como sendo do Derek, as outras não reconhecia, mas sabia que estavam brincando com Luke por uma garota ter ligado para ele.
— Desculpa, não sabia que estava ocupado, deixa pra lá.
— Espera! O que você iria dizer?
— Eu... Iria chamar você para sair. Meu pai não está em casa e não quero ficar aqui sozinha. Arielle saiu com a mãe dela...
— Está me chamando para sair? — perguntou ele, tinha certeza que estava rindo, até podia imaginar ele do outro lado com um sorriso provocante no rosto.
Ele era muito convencido, mas era verdade. Eu tinha criado coragem para isso, só esperava não me arrepender depois.
— Estava. No passado. Agora mudei de ideia. Deixa pra lá.
— Eu aceito. Não tenho nada de melhor para fazer mesmo. E se tivesse cancelaria por você. Não é sempre que me chama para sair. E, além disso, eu estou louco para encontrar você.
Sorte que ele não estava ao meu lado para ver a minha cara, porque nesse momento deveria estar da cor de um tomate.
Tentei não deixar a frase “Louco para encontrar você”, dançar na minha mente fazendo varias suposições, mas foi meio impossível. É impossível não reagir quando alguém diz isso a você e, vindo de Luke era pior ainda, porque ele conseguia provocar reações em mim com as provocações e frases inesperadas dele que nem outra pessoa poderia.
Nem mesmo Caleb conseguiu.