Capitulo 12 [Parte 2]

1480 Words
O domingo passou normalmente. Arielle ficou na minha casa e me contou os detalhes sobre o noivado da mãe dela com o Will —William — e tive que contar em detalhes os acontecimentos da noite anterior. Ela pareceu nem acreditar no que eu estava contando. — Então voltou a sair com ele? Sabe que isso... — Não é como se estivéssemos namorando. Estamos nos conhecendo. — Mas você contou que quase rolou um beijo. — Foi quase mesmo. Foi um... erro. Não aconteceu nada e não vai acontecer. — Desculpa dizer, mas ele não é certo para você. Eu aposto que ele deve ser o tipo de cara que só quer dormir com uma garota e na manhã seguinte chutá-la. Mesmo que eu tenha bons pressentimentos sobre ele, ele pode... — Arielle, para! Não está acontecendo nada entre a gente. Aquilo foi um... Incidente, mas agora tudo está bem. — Eu só não quero ver você se machucar de novo, Verônica. Eu não vou deixar que outra pessoa te magoe e ficar sentada sem fazer nada. Eu sou sua melhor amiga, eu vou te proteger. — E eu te agradeço. Faria a mesma coisa por você. Só acho que está julgando ele precipitadamente. Ele pode ser uma pessoa legal. — Assim como o outro foi, né? Tá bom, até parece que vou cair nessa. Encerramos a conversa enquanto íamos para a cozinha preparar alguma coisa para comer. Meu pai chegou mais cedo em casa, ele não tinha ido trabalhar, pois estava de folga, mas decidiu sair cedo para resolver outras coisas. — Boa tarde, pai! — Boa tarde. — Respondeu ele enquanto deixava alguns documentos sobre a bancada da cozinha. — Preparei alguma coisa para o senhor. Como foi o seu dia? Comeu alguma coisa enquanto esteve fora ou só se entupiu de bobeira? Ele me encarou de sobrancelha erguida. — Geralmente são os pais que repreendem os filhos pelos maus hábitos alimentares, mas já vi que nessa casa é o contrário. — E, então ele sorriu — Bom, hoje foi normal, tirei o dia para resolver alguns assuntos e distrair a cabeça com uns colegas. E você? Tem alguma coisa para me contar? — Eu? Não. Meu dia foi normal, eu fiquei com Arielle aqui. — E ontem? Você foi a algum lugar? Era noivado da mãe de Arielle, não é? — Nada... nada demais. — respondi Ele me observava meio repreensivo, como se tivesse esperando que eu dissesse alguma coisa. Por um minuto pensei que Nicolas contou sobre a noite anterior, mas logo ele pareceu relaxar. — Se você está dizendo, então eu acredito. Se tiver que ir para o centro da cidade vá acompanhada com algum adulto. De preferência que seja com a mãe de Arielle, ela pode tomar conta de vocês duas. — Entendi. — Vou tomar um banho e já desço para comer alguma coisa. Respirei fundo, aliviada, e voltei para o meu quarto. Estava quase terminando o mês de Julho e estava para entrar em Agosto, o mês que tinha duas datas importantes — uma mais importante que a outra— que no caso era o aniversário da minha mãe. Dali a alguns dias, no dia 2 de Agosto faria exatamente 11 anos que perdemos ela. Eu não a visitaria nessa data e sim no dia 10, esse era um bom motivo para visitá-la. Era importante. Segunda feira na escola, teria campeonato de tênis, eu jogaria contra Raquel. Talvez fosse o único esporte em que eu fosse boa, tinha herdado essa habilidade da minha mãe, meu pai dizia que na adolescência dela, ela adorava jogar e eram poucas as pessoas que conseguia competir com ela. Raquel também era boa — o que tinha de vaidosa tinha de competitiva — então seria um jogo interessante. O que eu realmente estava esperando já que queria me distrair. Nesse mês, eu precisava ocupar a minha cabeça o máximo que pudesse para não ficar muito triste, e esse era um esporte que eu gostava de praticar, às vezes, para distrair, e nada mais interessante que jogar com alguém competitivo. No final de tudo, acabou mesmo sendo um jogo muito bom. Não era a primeira vez que eu e Raquel jogávamos juntas, mas era a primeira vez que não tinha um empate, nunca tivemos a oportunidade de jogar sério mesmo, mas ela conseguia ser uma garota normal quando estávamos fazendo isso. No termino do jogo, fui até ela: — Foi um bom jogo. — disse — Você foi muito bem. Tive a impressão de vê-la sorrir, mas devia ser só impressão mesmo, pois ela fechou a cara em seguida andando até o vestiário. — Está tentando jogar na minha cara que é melhor que eu? Foi um bom jogo para você só se for. Eu perdi se não percebeu. Mas foi sorte. — Não foi o que eu quis dizer. — Mas está parecendo — disse ela — Gosta mesmo de ser a primeira em tudo, né? Depois falam que eu é que sou egoísta. — Não tem nada a ver com isso e você sabe. Será que consegue agir como uma garota normal pelo menos uma vez? Estou só sendo educada e você fica me atacando sem explicação nenhuma. — Ralhei, saindo de perto dela. Arielle estava sentada no banco esperando a vez dela, Luke estava do outro lado da quadra nos observando. — O que foi isso? — Isso o quê? — perguntei confusa Não estava entendendo se ela se referia a eu estar olhando para o Luke, ou eu ter ido falar com Raquel que consequentemente era uma rival. — Estou falando sobre a Raquel. Desde quando você virou amiguinha dela? — perguntou ela parecendo magoada — Só estava tentando ser educada, estava falando sobre o jogo. Ela balançou a cabeça como se não quisesse mais escutar. — Você é muito inocente. Realmente... — caçoou indignada — Não consegue ver maldade nas pessoas, não é? — Está querendo dizer o que com isso? — perguntei, me sentando ao lado dela e tomando um pouco da água que estava na garrafinha. — O que você entendeu. — Não acho que Raquel seja uma má pessoa. Ela gosta de atenção, isso deve ser pelo fato de que os pais dela brigam constantemente. Pense por ela, como você se sentiria? —Tá, sei. Agora vamos parar de falar sobre ela. Depois da escola eu voltei para casa com Arielle, ela passou à tarde na minha casa me ajudando a fazer uma faxina, em seguida ficamos estudando para as provas e outros trabalhos que teriam em breve. Meu pai chegou cedo em casa, o que consequentemente fez que eu não tivesse tempo para preparar o jantar. Quando meu pai não estava de folga ele saia para distrair a cabeça, o que eu achava maravilhoso, assim ele não ficaria o dia todo preso em casa e se tornando um sedentário. — Voltou cedo hoje, pai. Como foi no trabalho esses dias? — Pergunte, ajudando-o a guardar os pertences dele. — Calmo. Quer dizer, todos os últimos dias foram calmos. O que é bom e r**m. Ficamos por lá sem ter quase nada para fazer, mas isso significa que as pessoas estão fora de perigo. — Eu não tive tempo de preparar o jantar. Sinto muito. — Não se preocupe com isso. Podemos pedir uma pizza ou algo assim. — Ficar comendo pizza sempre não é saudável. — Sua mãe sempre dizia isso. — Lembrou, com um meio sorriso. — Com quem você estava ontem? — C-como assim? — perguntei — Eu sempre ando com Arielle. Não podia ser, será que Nicolas tinha contado tudo a ele? O que eu faria? Não podia ficar mentindo, eu nem sabia como mentir direito, parecia que ficava estampado no meio da minha testa “mentirosa”. — Sei lá. Perguntei por curiosidade, achei que estivesse na cidade ontem à noite. — Está insinuando alguma coisa? — Deveria? Você não está escondendo nada de mim? Novamente aquele olhar repreensivo. — E-eu... — Se aquele Caleb voltar a aparecer... Você sabe que pode me contar, ele não vai machucar você de novo, querida. Agora ele pareceu realmente preocupado, devia estar pensando que eu estava escondendo alguma coisa dele, ainda mais sobre Caleb. Mas essa época já havia passado. — Ele nem está na cidade, pai. Eu acho. Não tem que se preocupar, não tem nada acontecendo. — Que bom. — Confessou com um olhar desconfiado — Saiba que eu amo você, faria qualquer coisa para te proteger. Ele me deu um beijo na testa e foi para o banheiro. Fui para a cozinha preparar o jantar, se Nicolas tinha contado alguma coisa para o meu pai, provavelmente ele tinha interpretado errado, ou, Nicolas não tinha contado a versão toda. Sejam quais fossem as opções, eu estava agradecida por meu pai não ter descoberto nada ainda.
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