Desde que eu era pequena, eu tenho que cuidar sempre de alguém, foi assim como mamãe, até o último suspiro dela na cama de um hospital, eu tinha apenas dezoito anos quando ela foi embora, não tinha pai, apenas uma irmã mais nova, uma que eu cuidei com tudo que eu podia.
Poderia me lembrar de mamãe chegando em casa em uma tarde, cansada como todos os dias, ela trabalhava em um restaurante, eu lembro que ela sentou no sofá e fechou os olhos, naquele momento eu e ela percebemos que ela não estava apenas cansada, havia uma expressão diferente, uma falta de brilho nos olhos.
Dizem que o câncer não tem cara e nem tipo, mas tem, ele eleva coisas que num dia normal poderia parecer normal.
Na manhã seguinte ela foi ao médico e não saiu do consultório tão bem, ela foi de 0 a 100 muito rápido e o diagnóstico total se formou em pouco tempo.
A luta apenas começou a partir do diagnóstico.
A luta para as três. Porque éramos um trio lá em casa, quando mamãe foi diagnosticada precisamos ficar ainda mais próximas.
Eu tive que ter ainda mais responsabilidade.
Trabalhei em tanta coisa que até me esqueço. Aos dezoito anos eu tinha uma dívida de um hospital e tinha também uma irmã de doze anos pra cuidar, pra não deixar o serviço social levá-la de mim.
Serena, minha irmã, não seria mais uma criança perdida por aí em alguma casa com alguém estranho, acho que fiquei traumatizada com o que fui vendo ao longo da vida e acho que ajudou a lutar por ela com unhas e dentes, fazendo ela estar comigo até hoje, cuidado dela com tudo que tinha.
Trabalhei dos dezoito anos até os vinte como uma condenada, eu não respirava e eu nem tive chance de terminar o colégio, eu não tinha expectativa com nada. Mas eu cuidava de um apartamento, de uma criança e de mim mesma. Passamos necessidades e não éramos pobres, éramos abaixo disso, éramos tão ruins de dinheiro, poderia me lembrar das vezes que eu ia no mercado e eu tinha que fazer o que tinha render alimentações.
Era engraçado como eu aprendi rápido, mesmo que no começo eu tive uma revolta e quis entregar aquilo tudo pra quem realmente pudesse cuidar.
Mas, Serena ajudou no processo, se tivesse sido como metade dos adolescentes da idade dela, que não entendia as coisas, eu teria me afastado dela e ela de mim, mas a nossa dificuldade nos uniu.
Mas então, conheci um cara, um que se pudesse não teria conhecido nunca, embora foi ele que me deu o maior presente da minha vida, Thomas, como me deu a oportunidade mais maluca da minha vida, não uma legal, mas uma que me abriu uma porta de oportunidade.
Meses depois de conhecer ele, eu engravidei e aí a história de amor acabou, acabou antes de saber da gravidez, mas ele se foi bem quando falei que estava grávida.
Foi minha tragédia ficar grávida e estar sozinha com mais uma responsabilidade pra cuidar, mas eu dei o peito e aceite o que estava por vir, nada de tirar, eu iria ter o bebê.
Thomas chegou pesando quase três quilo, eu não tive barriga direito e ele nasceu abaixo do peso, pequeno demais, com os olhos da mamãe e trazendo uma nova meta pra mim, pra minha irmã e para ele.
De ser alguém melhor para Serena e Thomas, minha família.
Quatro meses depois de ter dado a luz e entrar em ordem com o corpo, eu voltei ao que eu era, eu voltei a fazer o que comecei fazendo com o pai de Thomas., só que dessa vez ninguém mandava em mim, me associando então ao clube, vindo logo depois Leona, minha cara metade que trabalhava em um clube de garotas de programa particulares e caras, o rosto bonito e o contato certo me ajudaram entrar.
Não sabia se conseguiria, mas as coisas foram mais fáceis quando criei um personagem para aquilo tudo.
No caso, Leona.
- Seu patrão deve ser um cara ótimo, sabe que isso é fantástico, não é? - Serena fala, então dá um sorriso, sentando na ponta da cama e me vendo arrumar as malas.
A garota tem um brilho nos olhos, tem vida e nunca passou pelo que eu passei, ela nem mesmo sabe o que eu fazia no meu emprego passado. Era melhor assim.
- Sim, ele é um cara ótimo, mas me diz, você vai ficar bem durante a semana?
- Sim, pode ficar tranquila, cuido do nosso lar e dos meus estudos, prometo que vou te honrar na faculdade até o fim.
- Eu sei que vai, garota de ouro - Brinco, sabendo que ela tinha um futuro pela frente, no que eu pudesse ajudar, eu ajudaria. - Thomas ficou tranquilo durante o dia?
- Sim, o bom é que com essa oportunidade vou ganhar muito bem e estar perto dele, não sabe o quanto fiquei feliz.
- Eu sei que você não gostava de trabalhar no escritório do clube, agora está formada e com um bom trabalho.
- Vou formar a senhorita e depois a gente vai se arrumar de outro jeito, pode confiar.
- Eu gostaria de falar sobre isso com você - Término com a bolsa com algumas coisas de Thomas e depois minhas, finalizando o que eu iria precisar pra semana. - Eu quero trabalhar também, quero poder ajudar, você sempre faz tudo, desde meus doze anos somente você trabalho aqui, eu sei que não tem mais obrigação comigo, mas com Thomas, nosso garoto precisa de você mais que eu.
Dou um sorriso.
Orgulhosa dela.
Mas com minha ideia fixa dela se dedicar aos estudos como uma filha da mãe.
Queria que ela não passasse o que que passei, na verdade, se pudesse não queria que mulher nenhuma tivesse que fazer isso pra ter ganho com o próprio corpo.
- Eu quero isso.
- Você sabe que eu posso mudar de ideia, não é?
- Você já não dá aquelas aulas de reforço? Pra que precisa arrumar mais alguma coisa, não precisa.
- Mas aquilo não é dinheiro. Apena um trocado de vez em quando. Quero ajudar você, já está mais que na hora.
- Mas já ajuda você e aqui em casa, então tá perfeito, preocupa em estudar, eu arrumo dinheiro Serena, assim é melhor. No futuro você contribui isso.
Falo, me mexendo e saindo do quarto. Paro na sala e vejo Thomas olhando o peixe dele, parece inerte, me aproximo e me abaixo.
- Mamãe, podemos levar o Naruto? - Acaricio os cabelos dele.
- Não filho, não podemos, lembra que a mamãe vai estar lá para trabalhar, você vai estar comigo, mas lá não é nossa casa, apenas nosso trabalho, tudo bem? Você agora está com a mamãe, as regras lá são diferente das de cá, já expliquei um pouco pra você, não é?
- Se ele precisar de mim?
- Sua tia Serena vai cuidar dele, não de preocupe, não vê como ela é ótima com criança?
- Ela deixou o Reboque morrer, era um peixe tão bonzinho - Ele da um suspiro. - Eu gostei da senhora Amélia, ela é legal, talvez ela goste de peixe.
- Melhor não querido, mas pensa pelo lado bom, você sempre vai estar perto, vamos ficar lá somente no meio da semana. No fim de semana vamos correr pra socorrer o naruto, o que me diz?
- Isso é bom - Ele fica de pé e abre a boca, bocejando.
- Agora vai escovar os dentes e ir pra cama, eu já vou lá dar milhões de beijos em você, assim você não tem sonho nenhum r**m.
- Pode contar uma história?
- Posso sim, agora vai, amanhã temos que acordar cedo.
Ele sai correndo, eu me levanto e vejo Serena me olhar.
- Você está tão radiante, o que houve além desse trabalho?
Me aproximo e me sento, balançando a cabeça em negativa e negando qualquer coisa ou o fato de já conhecer meu chefe, Roman Keller de um Carnaval antigo, mesmo ele não sabendo quem eu sou pelo uso de uma máscara.
- Nada, só estou satisfeita de ter Thomas por perto, não sabe o quanto isso me agrada e me motiva nessa nova jornada.
- Cinco anos no clube, na verdade seis se for contar o começo, nunca achei aquele lugar bom, muita coisa errada acontece lá, claro, mas sei lá, tem uma energia que eu nunca entendi.
- Mas isso é passado, tenho certeza que daqui pra frente as coisas vai apenas melhorar. Estou em um bom trabalho.
- Se precisar de qualquer coisa pode me ligar, saio da faculdade as cinco e estarei em casa.
- Lembre das regras, nada de garotos até tarde e nada de trazer gente demais pra cá, você agora é responsável pelo nosso lar, veja o ambiente que tanto lutamos pra ter, bonito, decorado, espaçoso, não deixe isso de lado.
- Vou sentir falta de você - Ela se aproxima e coloca a cabeça no meu colo, me encarando, os cabelos loiros cumpridos e o rosto de menina ainda, o corpo magricelo e até o nariz arrebitado. - De você cozinhando pra gente e eu pra você, de Thomas pegando meu estojo pra brincar, pedindo pra mexer no meu celular, falando do peixe Naruto. Sabe, vou me sentir sozinha.
- Estarei com ele no fim de semana, você vai sobreviver.
- Você se certificou disso, não é?
- Se precisar dona Maria, do 22, pode ajudar você, o porteiro e até o síndico, são pessoas de bem e com coração enorme.
- Tudo bem, relaxa, vou ficar bem.
Thomas aparece no corredor e se aproxima, se senta na beira do sofá.
- O que foi?
- Posso deitar no seu colo, como a tia Serena?
- Você ainda pergunta? - Ele se mexe, Serena ajuda ele e ele se encaixa, ficam os dois me olhando. - Vocês dois são minha família, a coisa mais importante que eu tenho, nunca se esqueçam disso.
- Amamos você, Melina.
- A senhora é minha super h*****a.
Dou um sorriso, bem, o dia estava encerado com chave de ouro.
AVISO IMPORTANTE - Mais um capítulo fresco pra vocês (FINALMENTE), para ficar por dentro da história de Roman e Melina, adicione o livro na biblioteca com todo amor e carinho do mundo, comente sempre nos capítulos! Assim eu vou poder saber o que vocês acham do livro e se estão gostando, além de me deixar ainda mais empolgada, deixe suas palavras maravilhosas pra mim ou me sigam para receber novidades e atualizações diárias, além de novos livros incríveis que temos aqui na plataforma. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até logo!!