CAPÍTULO 3 - ROMAN

1515 Words
Observo o relógio e ando de um lado para o outro na cozinha, tentando não ficar estressado enquanto falo no telefone em plena segunda, com um problema do tamanho de um prédio inteiro cheio de gente. Quando tinha seis anos, eu adorava quando ligava a TV ou via algo bom demais pra ser ignorado, campanhas publicitárias, comerciais, tudo que possa imaginar. Eu era maluco até pra saber como eles faziam, eu gostava da criatividade e com doze anos participei de um projeto, na época ninguém da escola entendeu, trabalhei junto com os amigos e arrecadamos quase dois mil dólares, tudo pela minha genialidade publicitária sobre o nosso produto. Naquele momento, eu soube que eu queria ser como aqueles caras que faziam comerciais na TV ou até fora dela. Fui tão obstinado, que me formei sendo o melhor da turma, ainda consegui puxar minha irmã depois, pegando o lado criativo e comunicativo dela, embora Ranya era bom com relações pessoas, acordos e reuniões. - Não vai querer café, filho? - Eu estou bem, mamãe - Escuto o que Matt fala do outro lado da linha. - Segura o cliente mais tempo, não quero que ele saia daí antes de falar com ele. Me espere, por favor. Desligo e olho o relógio pela milésima vez. Eu não gostava de atraso, na verdade, desde sempre eu sempre era o primeiro a chegar nos lugares, nunca admiti atrasos para coisas importantes, claro, com uma boa justificativa poderia relevar tudo, mas é quando não havia? Que as vezes era só uma espécie de descuido de tempo. Céus. Detesto atraso. - Quem você está esperando pra ir para o trabalho. Você está atrasado, não quer mesmo tomar um café? - Eu sei dona Amélia, estou esperando a moça que arrumamos. - Ele deve chegar agorinha. - Eu espero que sim, não poderia falhar num dia tão importante na empresa. A agência de publicidade Keller, uma coisa minha e da família, pareceu loucura quando comecei, mas vejam, o louco ainda continua de pé. - Onde está sua irmã? - Em uma consulta. - Ela está bem? - Sim mãe, ela está - Escuto o barulho da porta e me mexo. - Deve ser ela, atrasada, mas ela. Menos m*l. Me mexo, quando abro a porta fico parado, vendo a loira da semana passada. Melina. A nova pessoa que iria ser responsável por dona Amélia quando eu não estivesse. Mas, embora isso seja um fato, tenho que lembrar do atraso e da responsabilidade daqui pra frente. - Espero que a senhorita tenha um bom motivo para o seu atraso. Falo, com um tom nada humorado, mas um que diz que precisa apenas de uma explicação plausível pra seguir rumo sem pensar que aquilo foi descaso e que não vai voltar a acontecer. - Senhor Keller, me desculpa pelo atraso, eu acabei tenho um imprevisto - Ela dá um passo para o lado, então um garoto aparece no meu campo de visão. Fico parado vendo o motivo dela, um garoto de cabelos escuros magrelo. Está com uma mochila e uniforme, ele me encara e eu encaro ele. Bem, aquilo explicava como as coisas funcionavam comigo. Eu não era um chefe r**m, não, pelo contrário, eu era um ótimo chefe. Bem, a maioria dos meus funcionários tem ano ao meu lado, então isso deve significar alguma coisa. Mas, olhando para a criança e para Melina, tento recordar se ela falou isso na entrevista, mas não me vem a cabeça nada. Pra esse tipo de trabalho era bom esse tipo de informação, não por escolher uma que não tem filho ao invés da que tem, se você pensar bem, a que tem uma criança pra cuidar vai precisar e se conscientizar do que ela precisa e deve fazer, não é mais fácil alguém que vai dar duro pela vaga? Embora, você faz isso sabendo que ela pode precisar de algumas coisas mais flexíveis, não por ela, mas pela criança. - Você tem filhos? - A pergunta sai, a garota parece perceber minha naturalidade, ela até arquei uma sombrancelha. - Sim, eu tenho um filho, de seis anos - Ergo o olhar até o garoto, mas fico quieto por um tempo, pensativo. - Você disse que não teria problema com o horário - Eu não iria criticar a criança, talvez o horário e a falta de aviso. - Foi um imprevisto hoje, sinto muito. Apenas por hoje gostaria que ele ficasse, eu prometo que ele não faz bagunça e nem nada do tipo. Isso não vai se repetir. Eu analiso a situação, até hoje nunca aconteceu isso, na verdade não é uma situação que eu saiba lidar, olho para a expressão de Melina, está me encarando, espera uma resposta, pela expressão garanto que seja uma reposta positiva. Analiso também a criança, vejo ele tímido perto dela, os cabelos loiros cobrem um pouco os olhos e tem olhos dela também. Olho para o relógio no pulso, me lembro da reunião e prefiro dar um voto de confiança. Viram, esse é o tipo de flexibilidade que você tem que ter com uma grávida ou uma mãe. Não tem nem mais o que dizer, entregar as coisas na mão dela e confiar que no fim do dia as coisas vão estar melhor que agora. - Certo, tudo bem, entrem, o café está na mesa - Eu deixo que entrem e me mexo. - Deixei tudo anotado na cozinha, rotina, o que pode ou não. Basicamente um manual pra senhora - Pego minha pasta e me mexo até a cozinha. - Mamãe, essa é Melina, ela vai te fazer companhia, ela com o? - Thomas. - Thomas, espero que a senhora seja gentil e apresente a casa - Dona Amélia se mexe e sorri quando olha para o garoto. Podia lembrar daquele mesmo olhar quando eu era um garoto, mamãe sempre dava aquele olhar. - Você já tomou café? - Vendo ela olhar para o garoto só consigo lembrar de Ranya e a gravidez, sabendo que o bebê terá uma ótima avó. O garoto balança a cabeça, ela puxa a cadeira pra ele. Parece quieto. Até demais pra um garoto de seis anos. - Melina, tome café da manhã, tudo que você precisa está no caderno sobre o balcão. - Tudo bem - Eu me mexo. - Irei seguir como pede. - Se precisar de alguma coisa tem todos os telefones na agenda, perto do aparador. - Certo. Paro por um segundo, parece tudo bem por aqui, quero acreditar. - Eu não almoço em casa, só vai me ver a tarde, tudo bem? - Certo - Vou até minha mãe e me despeço, depois me movo. - Bom trabalho para o senhor. Por um segundo me viro e encaro ela, a voz dela me lembra alguém e eu não consigo dizer quem, vejo ela desviar o olhar de mim e então se mexe, eu apenas faço o mesmo, saindo dali. Enquanto desço as escadas eu tento saber de onde conheço aquela voz, de quem me lembra, mas parece que tem uma pedra na minha memória auditiva. Não é como se eu precisasse lembrar da voz de alguém, pelo contrário, nunca precisei, mas me vejo fazendo isso com uma estranha. Ela tem uma criança. Talvez isso possa atrapalhar o trabalho, até ela ficar nele, uma criança de 6 anos depende da mãe, mas talvez dependa do dinheiro também. Eu sempre pensei o tipo de funcionária que gostaria, ser mais velha e não ter dependentes constantes parecia um tipo bem básico, além de necessário pra disponibilidade de tempo. Mas não posso falar isso se não saber como ela é, como ela trabalha, como ela lida com dona Amélia. Bem, de qualquer forma, preciso dar uma chance. Encaro o telefone antes de entrar no carro, mando uma mensagem para empresa dizendo que logo estarei lá, vejo uma mensagem de Ranya, depois uma foto da ultrassom dela. Um sorriso bobo entra no meu rosto, admirando ela por estar sozinha nessa, por escolher isso. Mas no fim ela apenas precisou ficar mais forte. Mesmo que o pai não soubesse que era pai e que ela estava assumindo isso sozinha. Nunca Imaginei Ranya sendo mãe e nem eu como tio de alguma criança, na verdade, metades das coisas que acontecem não espero, não dá pra ter controle o tempo todo. Suspiro fundo. Bem, era hora de começar a semana, esperava sem mais atrás ou contratempos. Sou um Keller, não dá pra parar. Além disso, sou ótimo no que faço. AVISO IMPORTANTE - Mais um capítulo fresco pra vocês (FINALMENTE), para ficar por dentro da história de Roman e Melina, adicione o livro na biblioteca com todo amor e carinho do mundo, comente sempre nos capítulos! Assim eu vou poder saber o que vocês acham do livro e se estão gostando, além de me deixar ainda mais empolgada, deixe suas palavras maravilhosas pra mim ou me sigam para receber novidades e atualizações diárias, além de novos livros incríveis que temos aqui na plataforma. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até logo!!
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