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Capítulo 5 Malu narrando Se Perigo acha que vou ficar aqui nesse morro trancada só porque ele quer, ele está muito enganado! Eu cansei de levar ordem dele, de obedecer cegamente e abaixar a cabeça. Cansei de sentir medo e me sentir presa, sem qualquer poder sobre a própria vida. Eu precisava me livrar dele de alguma forma. E, se não desse para fugir, pelo menos eu precisava achar uma forma de fazer Rd comer na minha mão, mostrar que eu ainda tinha controle sobre algo nesse caos. A porta do meu quarto está trancada, mas a janela não. Olho para baixo e sinto um frio na espinha — a casa era muito alta, e se eu pulasse provavelmente seria minha morte. Ainda mais com vários vapores armados em volta da casa, vigiando cada canto. Uma boca de drogas bem na frente dificultava ainda mais qualquer tentativa de fuga. Mas isso não me intimidava, só me deixava mais alerta. A porta do quarto se abre e uma mulher entra. Eu já a tinha visto algumas vezes conversando com Perigo e até com meu pai, quando ele ainda estava vivo. Ela me olha com aquela frieza que só quem convive com o perigo tem. A primeira-dama pode sair do quarto – ela fala, firme. – Pode andar pelo morro, mas se tentar fugir ou alguma gracinha, a ordem é te matar. Sinto meu coração acelerar, mas mantenho a postura. Você conhecia meu pai, não? – pergunto, tentando medir sua reação. Ela me encara, sem demonstrar nada. Eu não sei quem é seu pai – responde com frieza. Sabe sim. Aquele outro traficante falou o nome dele – insisto. – É que eu já vi você conversando com ele várias vezes. Ela permanece impassível. Não sei do que está falando. O recado está dado, não abuse da nossa boa vontade. Meu sangue ferve de raiva, mas tento manter a calma. Ei, espera – digo, indo atrás dela. – Por que não respondeu o que perguntei? Ela me encara com desprezo. Não me dirija mais a palavra, senão eu te mato. Arqueio a sobrancelha, sorrindo ironicamente. Obrigada por ser tão simpática – grito, e ela desce as escadas sem olhar para trás. Agora que estava liberada para andar pelo morro, eu sabia que não poderia desperdiçar a oportunidade. Precisava explorar o lugar onde estava sendo forçada a viver, entender cada canto, cada risco. Subo para o quarto de RD. Meu quarto não tinha roupas, então pego uma camiseta dele e desço para a cozinha. Estava com um shorts, procurando por uma tesoura. Encontro e, com cuidado, corto a camiseta, transformando-a em um mini cropped que se ajusta perfeitamente ao meu corpo. Sinto uma pontada de vitória ao ver como a peça ficou — minha forma de marcar território, de afirmar que eu também podia impor presença ali. De repente, ouço uma voz. Quem é você? Levo um susto e me viro. Uma menina está parada me encarando, mais baixa e magra que eu, mas com os olhos cheios de desafio. Malu. E você? – pergunto, mantendo a calma. Ana – ela responde, ríspida. – A namorada do RD. Sorrio de canto, divertida. Namorada? – pergunto, fingindo surpresa. – Ele não me disse nada sobre você. Ana franze a testa. O que você faz aqui nessa casa? E por que está vestindo a camiseta dele preferida e ainda por cima cortou ela? Era camiseta dele preferida, é? – pergunto, fazendo uma expressão de surpresa. – Ele também não me disse nada sobre isso, achei que iria gostar de ver como eu arrumei ela em meu corpo. Ela me encara, incrédula. Vocês estão ficando? Eu sou a fiel dele, você está louca? Vaza daqui, garota! Sorrio, confiante. Eu acho que RD não quer que eu vá embora – digo, provocando. Ana explode de raiva. Eu mandei você vazar! Me inclino para frente, olhando nos olhos dela. Ué, que eu saiba, ele não tem fiel assumida, não. Então você deve ser mais uma p*****a que ele coleciona na casa dele – sorrio. – Quer dizer, na casa dele não, até porque a única que está aqui sou eu. Ela avança, pronta para me atacar, mas seguro suas mãos quando ela tenta me dar um tapa. Me larga! – grita, furiosa. Sua i****a, vai tirar satisfação com ele, não comigo. Ele te deve fidelidade se ele é seu namorado, e não eu – respondo, firme. – Eu nem sabia que ele era comprometido, até porque homem comprometido e fiel usa aliança e não passa o p*u dele em todas por aí. Solto-a com um empurrão leve, deixando-a cair no chão. Agora, me dá licença. Preciso fazer compras e conhecer o morro. Eu passo por ela, sentindo o prazer silencioso de estar no controle da situação, ainda que por pouco tempo. RD narrando Patrão – Jn entra correndo – não quero fofoca, mas a fiel do Perigo está desfilando por aí, comprando o morro todo e colocando tudo na tua conta. Enquanto ela estiver fazendo dívida para o Perigo e não me incomodando, está ótimo – digo, contando o dinheiro em cima da mesa. Agora entendi por que Perigo é gamado na morena – PH comenta. – p***a, que mulher gostosa. E problemática – respondo, sem tirar os olhos dela. – Mulher de parceiro a gente não olha. Ana entra na boca da favela como um furacão. Rd, o que está fazendo aqui, maluca? – pergunto, surpreso. Você colocou uma vagabunda dentro da sua casa? – ela pergunta, raivosa. – Quem é aquela garota? Malu? – pergunto, confuso. É – responde. – Estava lá cantando de g**o na sua casa, cortando suas camisetas. Peraí, cortando o quê? – pergunto, incrédulo. Dizendo que você não tinha falado nada sobre mim na noite anterior e que eu deveria vir tirar satisfação com você – ela responde. – Tu tá maluco? Maluca tá você, c*****o! – me levanto, irritado. – Desde quando te devo satisfação de alguma coisa, Ana? Vaza! Ela me encara, bufando, bate o pé, mas acaba saindo da boca. Caralho, a garota tá afim de te arrumar problema – Ph comenta. Ela quer é brincar com fogo – digo, cruzando os braços. Ela cortou tuas camisetas, esquece isso não – Jn acrescenta, rindo. Pego minha arma em cima da mesa e vou para casa. Quando chego, ela não estava lá. Imediatamente, aciono todos os vapores pelo rádio: quem a ver, manda para casa na mesma hora. Não demora muito, e ela chega, cheia de sacolas, vestindo um cropped feito com a minha camisa do Flamengo. Essa é a minha camisa? – pergunto, incrédulo. Você me deixou sem roupas, como eu iria sair? – ela responde, com um sorriso maroto. Você tá maluca, c*****o! Essa camisa é minha, autografada pelo maior ídolo do Flamengo! – falo, tentando controlar a raiva. Ela me encara, calma. Eu sei, bobo – sorri. – Deixei o autógrafo intacto, olha. Ela se vira, mostrando que não cortou a parte assinada, e eu sinto uma mistura de irritação e fascínio. Eu vou te matar – digo, entre dentes. Calma aí – ela responde, aproximando-se de mim. – Te devolvo a camiseta, se é esse o problema. Ela está sem sutiã, se aproxima de mim e me entrega a peça. Pronto, aqui está sua camiseta – diz, com um sorriso irônico. – Vai dizer que o shorts também é seu?
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