EPISÓDIO 6

1689 Words
— E que tal um padre louco e gostoso? Essa é uma boa razão para explorar a Igreja? Devo ter parecido horrorizado. Principalmente porque as suas palavras estavam afetando o meu tenso autocontrole. E ela riu. O som era quase estupidamente brilhante e agradável, o tipo de risada criada para ecoar pelos salões de baile ou perto de uma piscina nos Hamptons. — Relaxe. Ela disse. — Eu estava brincando. Quero dizer, você é muito gostoso, mas não é por isso que estou interessada. Pelo menos...Ela me lançou outro olhar de cima a baixo que fez a minha pele parecer coberta de chamas, — Não é o único motivo. E então o sinal mudou e ela saiu correndo com um pequeno aceno. Eu estava tão fo*dido. Fui direto para casa e tomei o banho mais frio que pude suportar, permanecendo debaixo d'água até que os meus pensamentos ficassem claros e minha ereção finalmente cedesse. Embora, se os acontecimentos recentes servissem de indicação, isso voltaria no momento em que visse Poppy novamente. Ok, talvez eu não conseguisse eliminar esse desejo de mim mesmo, mas poderia exercer mais autocontrole. Não há mais fantasias. Chega de acordar e descobrir que eu tinha fo*dido meu colchão sonhando com ela. E talvez conversar com ela fosse exatamente o que eu precisava: eu a veria como uma pessoa, um cordeiro perdido em busca de seu Deus, e não apenas como s*x*o com pernas. Pernas perfeitas. Coloquei uma calça por cima da cueca boxer e vesti uma camisa preta limpa, arregaçando as mangas compridas até os cotovelos, como sempre fazia. Não hesitei antes de pegar a coleira. Seria um lembrete muito necessário. Um lembrete para praticar a abnegação e também um lembrete do motivo pelo qual pratico a abnegação em primeiro lugar. Eu faço isso pelo meu Deus. Faço isso pela minha paróquia. Eu faço isso pela minha irmã. E era por isso que Paula Poppy era tão perturbadora. Eu queria ser o epítome da pureza s*x*ual para minha congregação. Queria que voltassem a confiar na Igreja. Eu queria apagar as marcas feitas no nome de Deus por homens horríveis. E eu queria alguma forma de lembrar de Lizzy sem que o meu coração se partisse de culpa, arrependimento e impotência. Você sabe o que? Eu estava fazendo um grande alarido do nada. Tudo ficaria bem. Passei a mão pelo cabelo, respirando fundo. Uma mulher, por mais gostosa que fosse, não iria desvendar tudo o que eu considerava sagrado sobre o sacerdócio. Ela não iria destruir tudo que eu trabalhei tanto para criar. .... Nem sempre vou para casa nas quintas-feiras de folga, embora os meus pais morem a menos de uma hora de distância. Mas fui esta semana, mental e fisicamente tenso por evitar Poppy durante minhas corridas matinais e também por tomar aproximadamente vinte banhos frios durante o dia no espaço de dois dias. Eu só queria ir a algum lugar, sem a coleira. Jogar videogame e comer a comida que minha mãe tinha feito. Eu queria tomar uma cerveja (ou seis ou sete) com papai e ouvir o meu irmão adolescente lamentando sobre qualquer garota que ele estava sendo “amigo da zona” neste mês. Em algum lugar onde a Igreja, Poppy e o resto da minha vida estivessem abafados e eu pudesse simplesmente relaxar. Mamãe e papai não decepcionaram. Meus outros dois irmãos também estavam lá, embora todos tivessem lugares e vidas próprias, atraídos pela comida de mamãe e pelo conforto inquantificável que advém de estar em casa. Depois do jantar, Sean e Aidan me deram uma surra no jogo , enquanto Ryan mandava uma mensagem para a última garota no seu telefone, e a casa ainda cheirava a lasanha e pão de alho. Uma foto de Lizzy nos observava de cima da televisão, uma garota bonita homenageada para sempre em 2003 com franja lateral, cabelo tingido de loiro e um sorriso largo que escondia todas as coisas que não sabíamos até que fosse tarde demais. Fiquei olhando para aquela foto por um longo tempo enquanto Sean e Aidan conversavam sobre seus empregos, ambos trabalham em investimentos, e enquanto mamãe e papai jogavam Candy Crush nas suas poltronas reclináveis ​​lado a lado. Sinto muito, Lizzy. Desculpa-me por tudo. Logicamente, eu sabia que não havia nada que pudesse ter feito naquela época, mas a lógica não apagou a memória de seus lábios pálidos e azulados ou dos vasos sanguíneos que explodiram em seus olhos. De entrar na garagem à procura de baterias de lanterna e, em vez disso, encontrar o corpo frio da minha única irmã. A voz baixa de Sean penetrou em meu devaneio sombrio, e gradualmente voltei ao momento, ouvindo o rangido da poltrona reclinável de meu pai e as palavras de Sean. —…apenas um convite. Ele disse. — Há anos que ouço rumores sobre isso, mas só quando recebi a carta é que pensei que era realmente real. — Você vai? Aidan também estava falando baixinho. — Po*rra, sim, claro que eu vou. — Indo aonde? Perguntei. — Você não se importaria, garoto padre. — É o Chucky Cheese apenas para convidados? Estou tão orgulhoso de você. Sean revirou os olhos, mas Aidan se inclinou. — Talvez Anselmo devesse ir. Ele provavelmente precisa se livrar de um pouco de excesso... de energia. — É apenas para convidados, idi*ota. disse Sean. — O que significa que ele não pode ir. — Deveria ser o melhor clube de strip do mundo. Continuou Aidan, imperturbável pelo insulto de Sean. —Mas ninguém sabe como se chama ou onde fica, não até que você seja convidado pessoalmente. O que se diz é que eles não deixam você vir até que seu sálario anual chegue a um milhão. — Então por que Sean foi convidado? Perguntei. Sean, embora três anos mais velho que eu, ainda estava progredindo na empresa. Ele ganhava um salário muito bom (incrível, do meu ponto de vista), mas não chegava nem perto de um milhão de dólares por ano. Ainda não. —Porque – i****a – eu conheço pessoas. Estar conectado é uma forma de moeda mais confiável do que um salário. A voz de Aidan estava um pouco alta quando ele falou. — Especialmente se isso lhe der uma escolha de fo... — Meninos. Papai disse automaticamente, sem tirar os olhos do telefone. — Sua mãe está aqui. — Desculpe, mãe. Dissemos em uníssono. Ela nos dispensou. Mais de trinta anos, mãe de quatro meninos a tornaram imune a praticamente tudo. Ryan entrou na sala, murmurando algo para o pai sobre querer as chaves do carro, e Sean e Aidan se aproximaram novamente. — Vou na próxima semana. Confidenciou Sean. — Eu vou te contar tudo. Aidan, alguns anos mais novo que eu e ainda um júnior no mundo dos negócios, suspirou. — Eu quero ser você quando eu crescer. — Melhor eu do que o Sr. Celibato aqui. Diga-me, Anselmo, você já tem pelos na mão direita? Joguei uma almofada em sua cabeça. — Você está se voluntariando para vir me ajudar? Sean se esquivou do travesseiro com facilidade. — Diga a hora, querido. Aposto que poderia fazer bom uso de um pouco daquele óleo da unção dos enfermos. Eu gemi. — Você vai para o infe*rno. — Anselmo! Papai disse. — Não diga ao seu irmão que ele vai para o infe*rno. Ele ainda não tirou os olhos do telefone. — De que adianta todas aquelas noites solitárias se você não pode condenar alguém de vez em quando, hein? Aidan perguntou, pegando o controle remoto. — Sabe, TinkerBell, talvez eu devesse encontrar uma maneira de levá-la ao clube. Não há nada de errado em olhar o cardápio, desde que você não peça nada, certo? — Sean, eu não vou a um clube de strip com você. Não importa o quão sofisticado seja. — Tudo bem. Acho que você e seu pôster de Santo Agostinho podem passar a noite de sexta-feira sozinhos. De novo. Joguei outro travesseiro nele. Os Business Brothers saíram por volta das dez, voltando para seus porta-gravatas e máquinas de café expresso em casa, e Ryan ainda estava lá fora, fazendo qualquer coisa para a qual tanto precisava do carro. Papai estava dormindo em sua poltrona reclinável, e eu estava estirado no sofá, assistindo Jimmy Fallon e pensando em que filme escolher para o período do ensino médio no próximo mês, quando ouvi a pia da cozinha ligada. Eu fiz uma careta. Os Business Brothers e eu (e um Ryan reclamante) lavamos toda a louça depois do jantar expressamente para que mamãe não precisasse fazer isso. Mas quando me levantei para ver se poderia ajudar, vi que ela estava esfregando o aço inoxidável em círculos selvagens, com vapor formando nuvens ao seu redor. — Mãe? Ela se virou e pude ver imediatamente que ela estava chorando. Ela me deu um sorriso rápido e depois fechou a torneira, enxugando as lágrimas. — Desculpe, querido. Apenas limpando. Era Lizzy. Eu sabia que era. Sempre que estávamos todos juntos, toda a ninhada Bell, eu podia ver aquele olhar nos olhos dela, o jeito que ela imaginava a mesa com mais uma posta, a pia com mais um jogo de louça suja. A morte de Lizzy quase me matou. Mas isso matou mamãe. E todos os dias depois disso, era como se mantivéssemos mamãe viva artificialmente com abraços, piadas e visitas, agora que éramos mais velhos, mas de vez em quando dava para ver que uma parte dela nunca havia se curado totalmente, nunca realmente ressuscitado, e nossa igreja tinha sido uma grande parte disso, primeiro levando Lizzy a se matar e depois virando as costas para nós quando a história se tornou pública. Às vezes eu sentia que estava lutando pelo lado errado. Mas quem faria melhor se eu não o fizesse? Puxei mamãe para um abraço, seu rosto se contraindo enquanto eu passava meus braços em volta dela. — Ela está com Deus agora. Murmurei, meio sacerdote, meio filho, uma espécie de mistura dos dois. — Deus a tem, eu prometo. — Eu sei. Ela fungou. — Eu sei. Mas às vezes me pergunto…
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