Prólogo + Capítulo 1

3010 Words
1 Pandora Acordo com gritos e percebo que sou eu que estou gritando, penso comigo mesma quando vou superar toda essa merda que eu estou metida. Ofegante, sento-me na cama, olho para o criado-mudo e vejo que ainda são 3:00 horas da madrugada, sei que não dormirei, então me levanto e vou até a cozinha tomar uma água, antes de sair pego meu celular e verificar as câmeras. Quando chego à cozinha vou até a geladeira, abro e retiro uma garrafa de água, bebo até matar toda a sede, vago pela casa pelo que parece ser horas, mas passaram-se apenas trinta minutos desde o horror que sempre vejo nos meus sonhos. Inquieta, volto para a cama na esperança de tentar dormir mais um pouco, sei que não posso tomar remédios para dormir, perderia aula e estou tentando viver normalmente, mesmo sabendo que estou totalmente fodida. Acordo com meu celular tocando o alarme, são cinco horas, levanto, coloco minha roupa de treino e vou para o outro lado do meu apartamento, você deve estar se perguntando qual o tamanho do meu apartamento, digamos grande o suficiente para caber tudo o que eu preciso. Inclusive minha própria academia e sala de treino, talvez eu não tenha mencionado, mas eu tenho muito dinheiro e vivo bem, apesar de toda a porcaria que a minha vida é. Termino meu treino e me dirijo para a cozinha, preciso preparar algo para comer, mas não tenho vontade, enfim, depois de praticamente enfiar goela a baixo a comida, tomo banho, me arrumo e vou em direção à escola, tentando ser a garota normal que nunca poderei ser. Entro com minha Yamaha R6 no estacionamento da escola, Joe um dos seguranças da escola dá um leve aceno de cabeça quando me vê, retribuo o mesmo movimento sem mais nenhuma palavra me dirijo à sala de aula. Entro em silêncio e sem olhar ninguém coloco minha mochila em meu lugar habitual e sento. Faltam dez minutos para que o sinal toque e as aulas comecem. Esperava que hoje fosse a mesma chatice, mas eu estava bem enganada. Saí da sala para ir ao banheiro já sentindo a mesma melancolia de todos os dias. Entro no banheiro e quando saio vejo algumas garotas cochichando alguma coisa sobre um garoto novo na escola. Sinceramente, não estava nem ouvindo, até que uma delas chamada Liza fala comigo. — Você é a Pandora não é? — Sim. Por quê? — Respondo no mesmo instante já querendo sair antes que meu autocontrole vá pelo espaço. — Você sabe quem somos né? Estudamos na mesma sala que você. — Eu sei sim. Mas se me dão licença já vou, não quero me atrasar. – vou em direção à porta quando ela me barrou na entrada. f**a-se o autocontrole, vou matar essa garota se ela não sair da minha frente. — Saia da minha frente. — Rosno. — Não vamos sair até você dizer que vai fazer a nossa lição durante uma semana inteira. O que? Porque eu faria isso? — Ora Liza deixe-me passar agora.— Digo totalmente aborrecida. — Já disse queridinha, só quando você concordar em fazer o que pedimos. Fala com aquele sorrisinho “você não tem escolha” na cara. Perco minha paciência e começo a gritar com ela. — Mas que p***a é essa Liza! Saia da minha frente ou passarei por cima de você sua louca! — Já disse, você só sai daqui quando aceitar, ou você faz por bem ou por m*l. — Diz ela com desdém. Estou com tanta raiva que poderia facilmente quebrar o pescoço dela e de suas amigas, mas respiro fundo e tento não soar tão louca da vida quanto estou. — Oh, f**a-se qualquer proposta sua! — digo exasperada. — Sua v***a, saia da minha frente ou acabarei com você. Ela ri com desdém, perco toda a minha paciência e empurro a garota que cai do lado de fora do banheiro, ela fuzila com o olhar, passo por cima dela e digo: — Nunca mais me ameace ou você saberá que não ficará só em empurrão, eu não gosto de você muito menos de suas amigas. Então, eu sugiro que você me deixe em paz, ou baterei a merda fora de você e de suas amigas idiotas. – digo. Saí quase correndo, respiro fundo e tento me acalmar até chegar à sala, chego atrasada, entro e percebo que a Senhora Lills está me olhando. Desculpo-me dizendo que tive um pequeno problema, mas que já está tudo resolvido. E vou para meu lugar, mas quando chego tenho uma surpresa. Há um cara sentado na cadeira do meu lado. Meu humor que já estava sombrio agora se tornou mortalmente horrível, chego ao lado de minha cadeira e digo: — Com licença, eu preciso passar, se importa de levantar um pouco? – Digo com tamanha aspereza que seria impossível não notar meu mau humor. — Pode passar querida! Eu não me importo se você roçar em mim. — diz ele com um sorriso presunçoso no rosto. Mas que merda é essa! Quem esse i*****l pensa que é? — Ora seu i****a! Levante-se daí. Não estou a fim de discutir, vamos logo, levante seu traseiro daí e sai do meu caminho antes que perca a paciência que já não tenho. – digo exasperada. — Nossa além de linda é m*l humorada, adorei! Tem certeza que não quer passar?— pergunta o i****a. — Ah, seu e******o de merda! Levante-se daí agora. – perco novamente minha paciência e já estou prestes a bater nele, quando a Senhora Lills nos interrompe. — Já chega, vocês dois. Senhor Cross levante-se e deixe à senhorita Millar passar e vamos começar a aula logo. O i****a me deixa passar com um sorriso e******o no rosto e logo que eu me sento, a senhora Lills começa novamente a falar: — Turma! Hoje temos novos alunos na classe, o Senhor Aaron Cross e seu irmão Andrew Cross. Espero que todos estejam atentos porque vamos começar a aula. A aula passa rápido, mas não estou nem aí. O sinal toca para o intervalo e espero que o garoto Cross ao meu lado levante, mas para minha surpresa ele não o faz. Viro-me para ele já com meu mau humor retornando a toda e digo: — você não vai levantar e sair? — Ele me olha um pouco sério e depois abre um sorriso de lado e diz: — Primeiro as damas! Pensei comigo mesma em acertá-lo na cabeça com meu livro, ou dar um belo soco nele. Que merda ele achava que estava fazendo?! Sorte dele que olhando bem, o cara é fodidamente lindo. Ah, que merda, de onde tá vindo esses pensamentos?! Depois de jogar todos esses pensamentos fora o olhei novamente e falei: — Ora vamos, deixe de agir como um i****a, saia logo para que eu possa passar. — mas ele deu de ombros. Virou-se para mim e disse: — Qual seu nome? Mas o que é isso? Quer dizer que ele não me deixa passar e simplesmente pergunta qual é o meu nome? Ah! Mais que uma bela dor na b***a eu ganhei. O que esse babaca acha que tá fazendo? Vamos Pandora, acalme-se, respire. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez… Beleza. Acho que agora dá pra encarar essa sem querer matá-lo. Antes que eu pudesse responder alguma coisa, fui tirada de meu devaneio com uma voz grave e rouca em meu ouvido dizendo: — E então boneca, não vai falar nada? – sorriu – Tá esperando o que para me responder? – pergunta ele. Mas o que estava acontecendo ali. Só o olhava fixamente, limpei a garganta e disse: — Seu maldito i****a, saia da minha frente ou eu passarei por cima de você agora mesmo. – disse entredentes. Estava além de irritada e como se não bastasse ele me olhava como se eu fosse um pedaço de carne, mas que i****a! — Ok, ok me desculpe por começar assim. Que tal tentarmos outra vez certo? Olha, eu sou novo aqui e não quero brigas logo no meu primeiro dia. O que acha? – sorriu para mim como se acabávamos de nos ver pela primeira vez. Tudo bem não custa nada tentar, lembre-se Pandora você está tentando ser normal, mesmo que isso esteja sendo uma grande dor na b***a. — Tudo bem! Vamos tentar mais uma vez, mas não seja um babaca desta vez ok? Já estou cheia de babaquices por hoje. – avisei. Ele sorriu abertamente e disse: — Tudo bem! Já gostei de você. Parece ser bem-humorada. – ela sorriu com esse pensamento, se existe uma pessoa que não é bem-humorada esse alguém só podia ser ela. – Bom, vamos às apresentações novamente! Eu sou Aaron Bennett Cross, e você? Olhei para ele pensando se dizia meu nome verdadeiro ou não, mas alguma coisa nele me inspirava confiança. — Eu sou a Pandora Millar, prazer em te conhecer. Agora saia da minha frente ou eu vou chutar a sua b***a, e eu não estou brincando. –sorri das minhas palavras, às vezes é muito f**a ser eu. – Vamos! Ande logo eu não tenho o dia todo. – disse sorrindo docemente. Ele gargalhou das minhas palavras, como se eu estivesse fazendo alguma piada, mas que merda ele estava achando engraçado. — Tudo bem, Pandora pode passar, mas é tão bonita e não devia ser tão m*l-humorada. Isso deve ser falta de carinho. – ao dizer estas palavras o i****a levantou com um sorriso de criança no rosto, como se tivesse ganhado um doce. Levantei da cadeira e quando passei por ele falei entre dentes – Pense como quiser seu maldito cretino, mas vou lhe avisar. Não me aborreça ou vou bater a merda toda fora de você. Espero que tenha entendido, eu não avisei duas vezes, nunca! – e saí quase correndo da sala, para não estrangular aquele babaca de merda que eu deixei dentro da sala e que agora eu vou ter que aguentar por um bom tempo. Ah, que merda essa minha vida. Acho que não tem como se enfiar mais nessa bagunça toda, não mais do que eu já estou. Onde eu estava com a cabeça, que estava achando que eu podia ter uma vida normal e tal… Mas já vi que essa parada de normalidade não é para mim, ainda mais se tratando do mundo em que eu cresci. E o problema é que é tudo muito diferente do que eu entrei hoje. Pouco a pouco as minhas esperanças de viver normalmente apesar do que eu fiz se esvaem, e começo a achar que não me encaixo nesse mundo, e que nunca vou me encaixar. Aproveitando que já estou fora do alcance daquele Mané que deixei dentro da sala, começo a pensar que talvez se eu não fosse tão fechada e falasse mais com as pessoas, talvez… Eu conseguisse me entrosar melhor, falar mais com as pessoas, ser mais aberta e legal. Pensando bem, o que é que eu tô pensando? Eu nunca conseguirei agir como uma pessoa normal, justamente por eu não ser normal. Eu tenho dezoito anos e um passado sombrio, minha alma escura jamais terá paz, apesar de eu já ter tido a minha vingança. Sou tirada de meus devaneios com um encontrão que sem querer dou em alguém, mas estou tão estressada que não posso nem ser educada e me desculpar. Ao invés disso eu digo: — Por acaso você é cego, não olha pra onde anda seu…. – parei abruptamente meu discurso, quando do chão onde caí sentada, olhei e vi 1,80 e todos de pura gostosura estendendo a mão para mim com um sorriso envergonhado no rosto. Segurei sua mão grande e ele me puxou com tanta força que bati as mãos no seu peito forte e musculoso. Sem saber o que dizer, fico olhando para belos olhos castanhos escuros que me observavam atentamente, sem dizer mais nada fui novamente tirada de meus pensamentos quando sua voz macia e forte preencheu os meus ouvidos. — Você está bem? — Pensei um pouco e quando meu cérebro resolveu funcionar novamente respondi. — Estou, foi só um susto, me desculpe, a culpa foi minha que estava distraída. Você está bem? – perguntei envergonhada. Depois do que pareceram uns dez minutos ele assentiu. – Tô sim, valeu por perguntar. – mas quando ele estava prestes a dizer alguma coisa, senti que estávamos sendo observados. Ele olhou acima da minha cabeça e sorriu então me soltou. — Qual seu nome? – perguntou. — Eu sou Pandora e você? – perguntei. — Eu sou o…. – mas quando ele estava prestes a falar seu nome, ouvi a voz que eu já estava começando a odiar. — Hey, mano acabei de conhecer…. – mas parou quando me viu, e deu um sorriso malicioso e continuou. – Ah, vejo que já conheceu a Srta. Esquentadinha. Cuidado hein, ela é um pouco agressiva e ríspida. – virou-se e falou: — Pandora, conheça meu irmão Andrew Ryan Cross. Andy essa é a Pandora esquentadinha, ela tem um humor dos infernos. E pode estar certo que ela vai tentar bater em você. – disse entre risos. Ah, que i****a esse Aaron Cross, ele tem sorte de ser tão bonito e de ter essa boca totalmente beijável, esse corpo másculo e…. Mas que merda é essa que eu tô falando agora? Certamente eu tô sem cérebro hoje, fiquei totalmente maluca, só pode! Desvio meu olhar fuzilante para ele. E juro que tenho vontade de bater nesse merdinha. Depois de ele me olhar de volta com divertimento, levantei meus ombros num ato de segurança. — Ah, vai se f***r seu maldito bastardo de merda. – ele ri com minhas palavras, maldito bastardo. – Do que está achando graça seu i****a. – pergunto. Depois de expressar todo seu divertimento, o garoto olha para o irmão que ainda está tentando digerir tudo o que está acontecendo entre nós, e nos olha atordoado. – Não disse que ela tem um humor dos diabos, talvez ela seja sempre assim. Você é sempre tão divertida assim, dominatrix? – fala o i****a. Já prestes a pular no pescoço do cara, tomo uma respiração muito profunda e preciso de todo o meu autocontrole para não chutar as bolas dele aqui e agora. – Não, não sou. Só sou assim com babacas que colocam apelidos em mim e ficam me incomodando o tempo todo, agora saia da minha frente. – rosno. Olho para seu irmão e dou o meu melhor sorriso de boas-vindas e digo calmamente. – Seja bem-vindo Andy, é prazer te conhecer, se precisar de alguma coisa é só me chamar tá bom. – dou-lhe um beijinho casto no rosto e saio deixando ambos de boca aberta e Aaron com uma cara nada agradável. Enquanto praticamente corro para o banheiro da escola, me deparo com Liza e suas amiguinhas novamente. Aparentemente já me esperando na entrada e com uma cara nada boa. Paro a alguns passos de distância desta garota irritante e ela me encara e dispara: — Ora, ora. Então você só não quer aceitar fazer as nossas lições, como também agora quer chegar à nossa frente e roubar os garotos em quem nós estamos interessadas? Você é uma p**a v***a mesmo Pandora. Isso não vai e nem pode ficar assim! Você vai ter que fazer o que a gente manda pra ficarmos quite, ok? – diz ela. No limite, olho para ela sem aguentar mais nada, saio gritando. – f**a-se Liza. Não me vem com suas idiotices pra cima de mim. E não me encha mais o saco. Já estou farta de você pegar no meu pé, fique com os garotos Cross, pouco me importo com isso. – saio descontrolada no corredor entrando no pátio da escola enquanto ela vem atrás falando como louca. – Você não vai fugir assim de mim sua louca. Vai ter que me pedir desculpas agora. – e segurou meu braço. – Vamos, peça desculpas e eu serei menos dura com você. – diz ela. Nesse momento todo o meu autocontrole foi pro brejo, a garota surta querendo me escravizar, diz que eu tô roubando um garoto que nem é nada dela e ainda por cima me chama de louca e que se eu me desculpar por uma coisa que não fiz vai ser menos dura comigo. Dane-se a escola eu vou bater nessa patricinha de merda nesse instante se ela não me soltar. Olho ao redor e percebo que quase toda a escola assiste nossa discussão. Que ótimo só me faltava essa agora, publico pra ver isso. — Liza me solte agora ou não sou responsável pelos meus atos. – falo entredentes. — Não vou soltar sua louca, até que você se desculpe comigo pelo que fez.— fala com desdém. Foda-se tudo! — Liza eu não fiz nada e não me chame mais de louca eu não gosto nem um pouco disso e já disse para me soltar. – falo já com as mãos em punho, os nós dos dedos já ficando brancos. Ela ri. A ordinária simplesmente ri. – Você é louca sim de bater de frente comigo e não soltarei você sua maldita louca, você é surda! – grita. É. Eu bem que tentei. Agora eu só preciso de um empurrãozinho pra bater a merda fora dessa garota. Meu olhar queima e estou prestes a jogar essa garota no chão, e bater tanto nela até ela ficar bem roxa, ou com uns dentes quebrados. Odeio quando me chamam de louca, me tira do sério totalmente. — Liza me chama de louca só mais uma vez pra você ver. –falo. Ela me olha com desdém e ousa realmente falar outra vez. – Louca. Você é uma maldita v***a muito, muito LOUCA! – grita e ri de mim como se tivesse acabado de contar a melhor piada de todos os tempos. Ah! f**a-se as regras e a normalidade eu já não me importo de ser presa, ou qualquer coisa do tipo. Não vai ser a primeira vez que eu vou matar alguém. v***a vai pagar por não me deixar em paz. Ela vai saber agora o que acontece quando alguém me desafia. Eu não vou facilitar as coisas para ela, mesmo que isso signifique problemas para mim. Eu não me importo, a polícia está toda no meu bolso e eles sabem bem o que acontece se forem contra a minha vontade, todos sabem que eu não tomo esse tipo de medida com um civil levianamente.
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