Desejo, paixão ou amor?

1006 Words
  A expedição pelo shopping estava muito divertida, exceto pelo fato que tinham de evitar os guardas, depois de tanto correrem, Henrique parou em uma exposição de camas e deitou em uma delas, não tinha tanto pique de ficar correndo, enquanto deveria estar dormindo. - Já cansou?! - É minha segunda noite sem dormir, me dá um descanso. -o rapaz deitou em cima dele, deixando o homem sem ar. - Sai, estou todo dolorido já. - Seu chato! -ele deitou do outro lado da cama, Henrique riu daquele jeito tão infantil e o abraçou por trás, era impressionante como aquela pessoa parecia ser uma criança, não só pelo jeito, o corpo esbelto e o jeito de se vestir também ajudavam a chegar nessa conclusão. - Quantos anos será que essa crianças tem? - Não sou criança! - Não sei nem seu nome, vai saber se tem quatorze anos! - Nem tenho cara para isso. - Tem sim! -Henrique o virou de barriga para cima, subiu em cima dele, segurou os braços pra trás e o ficou encarando. - Nem lhe conheço, como faz eu cometer esses delitos, que jamais imaginei fazer na vida? - Nunca obriguei ninguém a nada, você faz porque talvez lá no fundo sempre quis, mas ficou com medo de ir contra os padrões da sociedade! - Você não tem pais garoto? -perguntou o provocando, enquanto o jovem tentava se soltar, mas só acabava mais preso. - Não, já disse que não sou criança. - Então me diz sua idade e o nome! - Não! - Então não vou te largar. -o rapaz arregalou os olhos, olhando para trás de Henrique. - Que foi? - Ei vocês, o que estão fazendo?! -perguntou um guarda, que estava os olhando do segundo andar, Henrique soltou o rapaz. - Estamos batendo um papo de forma muito respeitosa, mas já estamos de saída! Gritou o jovem, correndo com Henrique, eles entraram em um depósito e lá encontraram uma pequena a******a de ar, por onde saíram do shopping, correram pelo estacionamento e pularam o portão, ainda correram um pouco pela rua, só pararam em um posto de gasolina. - Lá se vai a noite no shopping! -reclamou tentando puxar ar. - Mas foi bem divertido, coitado daquele guarda! -disse Henrique indo até uma máquina de doces. - Tem razão! Eles pegaram alguns doces, salgados e ficaram andando pelas ruas ainda escuras, falando suas guloseimas favoritas e vários assuntos aleatórios sobre comida, sempre que Henrique tentava entrar em questões que diziam respeito sobre a vida pessoal do rapaz ele mudava de assunto imediatamente, até que o sol começou a nascer. - Tenho que ir! - Agora? -perguntou Henrique, decepcionado e querendo desfrutar mais daquela companhia. - Que tal irmos a mais algum lugar, ou conversarmos um pouco mais? - Isso é perigoso sabia? -perguntou aproximando seus rostos, o rapaz riu e saiu andando. - Então quando e onde lhe vejo de novo? - Segunda, no prédio mais alto da cidade! - Meia noite? - Claro! Como na outra noite o rapaz sumiu, Henrique se sentia bem com ele, aquelas duas noites deixaram o homem mais leve, aquela felicidade não era momentânea como as que ele costumava ter, só de lembrar do que havia feito, Henrique sorria e tinha vontade de repetir, não porque gostava de infringir regras, mas gostava da pessoa que estava ao lado dele, enquanto praticava aqueles pequenos delitos. No sábado ele dormiu a manhã inteira e na maior parte da tarde, quando acordou só conseguia pensar naqueles olhos verdes, nos lábios carnudos, naquele jeito destemido e as roupas esquisitas. Henrique estava quase suspirando enquanto olhava para o nada e desenhava mentalmente as formas de seu companheiro de delitos, foi quando alguém tocou a campainha do espaçoso apartamento onde estava vivendo, com um sorriso no rosto ele abriu a porta, mas o tirou quando viu sua ex mulher segurando uma caixa. - Boa tarde Henrique, vim trazer algumas coisas que esqueceu na nossa antiga casa e conversar um pouco... Se você quiser, claro. -Léia era uma mulher lindíssima, qualquer um teria sorte de estar com ela, seu corpo era impecável, tinha cabelos castanho bem longo, olhos azul claro e um rosto muito simpático. - Ah... Obrigado, pode entrar. Mesmo não querendo, Henrique não podia negar a ela o direito de conversar, Léia merecia explicações e não era digna de qualquer sofrimento. Ela entrou, colocou a caixa na mesinha de centro da sala e sentou no espaçoso sofá com a expressão séria, mas tentando não transmitir qualquer sofrimento com a separação. - Léia, eu sei que pedi o divórcio de forma repentina, saiba que não foi culpa sua, você sempre foi uma mulher incrível! -ele sentou na poltrona em frente a ela. - Se eu sou tão incrível, por que me deixou? -perguntou com a voz suave que sempre teve, nunca chegou a alterar o tom, sempre esteve calma, mesmo quando a irritavam, poderia com toda certeza ser chamada de uma perfeita dama. - Eu... Léia, isso pode ser difícil de ouvir, mas eu tenho que dizer... Eu nunca lhe amei, aguentei ficar todos esses anos com você pois você sempre foi ótima, mas eu não posso mais permitir que uma pessoa tão boa perca seu tempo, com alguém que não a ama de verdade... -Léia começou a chorar, Henrique foi até ela e enxugou suas lágrimas. - Eu sinto muito, você não merece isso... - Você tem outra pessoa, né? -perguntou tentando parar de chorar. - Não, sempre fui fiel a você, isso posso garantir. - Não estou dizendo que você me traiu, sei que não faria isso, mas quando eu cheguei você estava sorridente, aposto que já conheceu alguém... - Bem... Eu realmente tenho tentado fazer coisas novas e conheci alguém, mas meu relacionamento com essa pessoa seria algo impossível. -Henrique fez uma cara de pensativo, no fundo de sua mente várias coisas como: “eu nem sei a idade dele, Deus por favor que ele tenha uns vinte anos pelo menos, não sei nem o nome!!!” - Dizem que amores impossíveis, são os mais duradouros após serem conquistados... -afirmou ficando séria, apesar de algumas lágrimas ainda correrem.
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