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Um coração Instável

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Blurb

Conforme fomos crescendo nos ensinam a distinguir entre um herói e um vilão, nos ensinam o bem e o mal , que existe o certo e o errado , mas se eu te contar que a única diferença é quem conta a história?

Que a diferença entre o vilão e o bonzinho é que um morre como herói e o outro vivesse o bastante para se tornar o vilão.

Nunca existiu vilões e sim versões, e essa é uma versão de como a garota má se tornou má, de como a decepção e dor corta tão fundo que alguém tem que pagar por isso.

Uma historia aonde aprendemos que o passado está sempre conosco , apenas esperando para bagunçar o presente.

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Uma surpresa desagradável
Me olho no espelho . Estou consideravelmente bonita para sair para um lugar que não faço a minima ideia de onde seja. Voltei para casa faz apenas dois dias , estava em Puerto Vallarta ,México, com minha melhor amiga mas tivemos que voltar por conta das aulas que iria recomeçar na segunda-feira . Estava deitada quando Julia me ligou perguntando se eu queria sair ,eu nem se quer perguntei para onde iriamos apenas disse que sim e que estaria pronta em menos de uma hora. Estava deitada no sofá da sala quando ouço a buzina do carro da Julia. — Está atrasada — Falo entrando no carro. — Não estou não, marquei de te pegar as dez horas — Se defende dando partida , pego meu celular a mostro a ela o horário. — É exatamente dez e dezessete minutos. — Ah, Qual é! me atrasei só desseseis minutos. Você normalmente se atrasa muito mais do que alguns minutos. — Resmunga. Decido não debater com Julia apesar do que ela disse ser absolutamente a verdade . Normalmente eu sempre me atraso. Ela para o carro na frente de um clube que atê então pra mim era desconhecido o que no meu caso era quase um milagre já que a noite nessa cidade era minha segunda casa e eu batia ponto em todas as baladas . — Abriram assim que fomos para no México —Fala — O pessoal já deve estar lá dentro. — Pessoal ? — Pergunto descendo do carro. — Sim , Suzy me mandou uma mensagem avisando que a maioria das pessoas do colégio marcou de vir aqui hoje . — Ah que maravilha! — Fingo empolgação. — Eu sei o que acha da Suzy já que eu acho a mesma coisa — Ri — Mas ela me enviou uma mensagem sendo educada e além do mais ainda não tínhamos vindo ainda aqui . — Ela me abraça de lado — E as rainhas das noites não poderiam faltar — Desta vez quem ri sou eu por reconhecer um pouco de deboche em sua fala . — Mas é claro que não , o que os súditos iriam pensar de nós? — Zombo. Não precisamos pegar fila o que me deixou feliz já que odeio esperar. — Eu não acredito vocês venho mesmo —Suzy fala surgindo do nada com o seu grupo patético assim que colocamos nossos pés para dentro do clube. Julia olha mim que reviro os olhos no mesmo momento. — Mas é claro que sim, você já viu eu ou a Lara dizer não para algum rolê ? - Julia é quem responde. — Não , mas é que você não me respondeu... então achei que não viriam! Suzy reponde com um sorriso falso no rosto, olho pra ela de cima pra baixo e não acredito no que vejo , ela está com um sobretudo rosa . Quem usa um sobretudo para vir ao um clube a noite e no calor que estava fazendo? E ainda por cima rosa? — Bem decidimos vir como você mesma pode ver então se não se incomoda preciso de um bebida — Respondo recebendo um olhar nada agradável de Suzy que fazia questão de entupir nossos ouvidos o ano todo no colégio dizendo que não precisávamos encher a cara pra nos divertimos e claro que álcool mata, Reviro os olhos só de lembrar de seus discursos mesquinhos. — Você sabe que o álcool vai matando a pessoa aos poucos e que consequentemente ...— Suzy iria introduzir novamente seu discurso "álcool mata e blábláblá" mas é interrompida por uma voz grossa conhecida . — Ela sabe ,só não se importa . Não é mesmo Larinha? — Kaique fala usando um apelido que me deu quando tínhamos 12 anos ,reviro os olhos . — Aparentemente você também não Pãozinho de queijo — Uso o apelido escroto que sua mãe o chama e aponto para seu copo. Ele imita meu ato de revirar os olhos antes de me responder . — Normalmente pessoas como nós não se importam com certas coisas . —Da de ombros. Pessoas como nós ? sério isso? ele está mesmo comparando uma bebida alcoólica a nossa situação financeira ?. Decido não responder . Me viro pra Julia . —Estou indo ao bar, vai querer alguma coisa ? — Ah, não precisa quero rondar o local antes — Ela fala passando por mim e piscando . Quando ela falava rondar o locar significava que ela andaria pelo clube até achar um local aonde pessoas estivessem apostando o que me leva acreditar que não foi só a Suzy que a convidou para esse clube. Respiro fundo. Essa história de jogos um dia acabaria muito mal pra Julia. Vou a bar sozinha mesmo e peço uma dose de tequila só pra começar a noite. — Tequila pra começar — Ouço a voz grossa de Kaique atrás de mim —Acho que a noite irá render não é ? —Pode ser que sim ...pode ser que não Viro o copo de uma vez só fazendo a tequila descer queimando e me viro na direção da pista, me livrando logo da companhia de Kaique . Deveria ser aproximadamente uma hora da manhã quando Julia me chamou para irmos embora achei meio estranho de inicio por estar um pouco cedo mas por mim tudo bem dar por encerrado a noite já que o que basicamente fiz foi beber e dançar e claro tentar ao máximo evitar Suzy e o seu grupo medonho e Kaique e seu humor de merda que na maioria das vezes me tirava do sério. Assim que entramos no carro percebi que Julia segurava de uma forma um tanto raivosa o volante. — O que aconteceu? —Perguntei. — Nada. — Ah qual é Julia , sou eu Lara, sua melhor amiga, agora desembucha logo porque não vou perguntar uma segunda vez . — Eu perdi no jogo . — Tá e o que que tem ? Sabe que é um jogo de azar e sorte. — Eu sai de casa tão certa que iria ganhar hoje Lara e realmente eu quase ganhei. — Ela choraminga. — É mas aparente não ganhou — Falo o obvio —Quanto você apostou desse vez? —Ela encolhe os ombros e olha para a estrada e fala. — 18 . — Reais? — Não, mil. — Apostou 18 mil num jogo de azar ou sorte ?— Pergunto espantada. — Sim —Da de ombros olhando para frente . — Bem já gastei mais do que isso em uma bolsa, mas...— Suspiro — Você não acha que isso já está passando dos limites ? — Dos limites ? — Sim. — Eu não acho, porque acharia isso se sempre tenho tudo sobre controle ? Julia me encara e tenho quase certeza que não ela não tinha nada sobre controle .mas decidida a dar uma chance a ela deixo passar dessa vez . —Tudo bem então...se está dizendo vou acreditar em você e bem como eu disse já paguei mais em uma bolsa. — Faço parecer pouca coisa . — Você não deve estar entendendo direito a minha situação Lara — Ela fala rápido — O dinheiro não era meu para gastar, era do meu pai que peguei sem que ele percebesse porque realmente achei que ganharia e o pior e que eu nem posso devolver o dinheiro pra ele porque gastei todo o meu dinheiro comprando roupa no México .— Olho pra ela ela esta realmente desesperada — Malditos sejam aqueles saltos— Ela amaldiçoa os saltos o que me faz rir. — Isso ri mesmo da desgraça de sua amiga Lara Gonzales — Ela fala entrando no meu condomínio. — Seu pai vai te matar . — Acha que ele vai perceber que o dinheiro sumiu? — Bom , estamos falando do seu pai então...com toda certeza vai . — Acha que ele vai pirar muito quando ver que desapareceu 18 mil reais do cofre ? sem dúvidas nenhuma ele vai vim me fazer um monte de perguntas e ainda me acusar que peguei o dinheiro e voltei a apostar. — É o que você tecnicamente fez não é ?— Ela estaciona o carro e me olha com uma cara como se fosse me matar .— Não me olha assim , estou sendo sincera. — Obrigado pela sinceridade mas não é dela que preciso no momento já que parece não se lembrar do que meu pai disse que iria fazer comigo caso descobrisse que voltei as jogar Nego com a cabeça antes de tirar o cinto e desçer do carro. — Anda , vou resolver seu problema. — Vai me dar 18 mil reais ? —Ela pergunta esperançosa. — Não , vou te emprestar 18 mil reais. — Emprestar é sem duvidas nenhuma melhor do que aturar meu pai reclamar no meu ouvido . — Ótimo, vem logo. Saio andando em direção a porta a qual me embolo um pouco para abrir por conta das chaves mas assim que coloco meu pés dentro de casa que mais parecia uma mansão tenho uma surpresa terrivelmente desagradável . — Aonde estava ? — Minha progenitora pergunta — Estou aqui desda onze horas te esperando —Respiro fundo e passo por ela . Precisarei de outra bebida ,penso. Tiro meu contorno e jogo ao lado do sofá. — Eu realmente vou te agradecer pra sempre...— Julia para de falar assim que vê Marielle sentada no meu sofá ,ela rapidamente olha pra mim e diz — Vou esperar no seu quarto — Ela não espera minha resposta e sai andado, me deixando com a vaca da Marielle. Vou atê a mezinha que fica perto do sofá e pego a garrafa de Uísque e encho o copo que também estava lá em cima . — Deveria te lembrar que é menor de idade ou procurar uma clinica de reabilitação ? — Ela pergunta. — Deveria tomar conta da sua vida . Tomo um gole do Uísque e inclino o copo um pouco em sua direção. — Mas deveria procurar uma clinica de reabilitação caso você tenha tido uma recaída . Marielle teve uns problemas com drogas anos atrás,quando para minha infelicidade entrou mesmo que indiretamente na minha vida . Ela odeia quando mencionavam essa parte de seu passado e eu por outro lado, adorava. — Já vi que não da pra ter uma conversa com você hoje....ou nunca — Ela fala a última parte baixinho mas eu ouço . Reviro os olhos. —Nunca dará — Tomo outo gole. —É aparentemente nunca dará ... —Pelo Amor Marielle ! O que você ta fazendo aqui ? — Pergunto rude , ela se levanta do meu sofá e caminha atê mim com uma pasta na mão, coloco o meu copo em cima da mezinha e puxo a pasta de sua mão não me importando em ser bruta. Quando abro a pasta vejo varios papeis, cláusulas. Bufo. — Não vou assinar nada. -Ah! mais você vai, preciso deles para fechar um contrato . — Não falo nada , e recebo um olhar raivoso dela. — Por acaso você tem algum problema auditivo? Não vou assinar nada agora. — Não fiquei sentada aqui a noite toda pra você não assinar eles! — Ela fala tentando manter a voz calma . — Eu não lembro de ter a obrigado a ficar aqui me esperando . — Eu preciso desses documentos assinados agora .— Fala autoritária. — Que pena , querida . — Tá legal .. Vou repetir apenas uma última vez ,eu preciso desse documento assinado. Fala como se eu tivesse algum problema e para que eu entendesse precisasse falar devagar. Eu poderia muito bem assinar e mandar ela ir embora só pra eu não olhar mais pra cara dela e confesso que é o que eu gostaria de fazer mas quando se trata de Marielle é sempre bom desconfiar ainda mais quando se trata do meu maior bem material ,tanto quanto emocional quanto no quesito valor : a empresa Gonzalez. — Não me interessa o que você precisa ou não , já disse que não irei assinar agora e ponto final! — Vejo ela andar de um lado pro outro resmungando. - Não acredito que fiquei aqui sentada esperando que uma menina metida , mimada e egocêntrica que tem tudo o que quer,quando poderia ter ficar com os meus.. — O final de sua palavras foi morrendo conforme ela ia falando e eu a observava . — Com os seu filhos ? Sim a vaca da Marielle tinha mais dois filhos , gêmeos para ser mais especifica ,um casal . Esses ela não abandonou como fez comigo. — E isso que iria dizer ? — Ando novamente atê a mezinha e coloco a pasta lá em cima e pego novamente meu copo o qual tomo um outro gole só que desta vez de vagar. — Talvez eu atê seja mimada e metida, mais egocêntrica?— Ando em sua direção , ficando assim cara a cara com ela. — Justo eu que pago humildemente e tão generosamente o seu salário ? —Falo fingindo uma falsa inocência . A olho de baixo para cima percebendo assim o seu Scarpin rosa claro e seu vestido Dior que juntos valem quase uma parcela de uma casa . — O salário o qual você paga uma casa com um valor extremamente significativo? - Tomo mais um gole — Imagina se realmente me da uma crise de egocentrismo e decido cortar todo o dinheiro e luxo que sei que recebe a custa do meu sobrenome ? — Marielle não se mexe e começa a ficar pálida ela tinha essa mania de começar a perder cor quando eu falo nesse assunto . Sorrio pois sei que toquei no seu calcanhar de aquiles : o dinheiro, mais precisamente o meu dinheiro. — Não foi isso que eu quis ...— Ela começa a se explicar mas eu a corto , estou cansada demais para ouvi-lá ,só quero a minha cama. — Não me importo — Saio de perto dela — Apenas saia daqui — Ela bufa antes de ir atê o sofá e pegar a sua bolsa e quando tenta pegar a pasta em cima da mesa eu a paro . — Deixa ai. — Se não vai assinar irei levar embora comigo. — Eu disse que não iria assinar nada agora não que não leria com mais calma amanhã. — Não precisa ler nada você apenas precisa assinar já que não é formada em absolutamente nada. — Não sou formada em nada e talvez nem precisa já que posso muito bem me contentar apenas com o título de dona da empresa ao contrário de você que sempre vai ficar em volta do que é meu por direito , como uma galinha maldita quiquando aonde não deve. Marielle me encara e vejo em seus olhos todo o seu ódio e sorrio . — A saída é o mesmo caminho que você fez para entrar. Quando ela estar prestes a passar por mim algo passa pela a minha cabeça , levanto minha mão a impedindo. — Como entrou aqui ? — Agora e a vez dela sorrir presunçosa. — O Porteiro liberou minha entrada. -Ae? ele liberou ? —Arqueio a sobrancelha . — Sim , e olha que só tive de dizer que você é minha filha. — Filha ? Por que essa simples palavra na voz dela para mim soa tão asqueroso? — E você também colaborou deixando a porta aberta a qual tive o prazer de fechar assim que entrei , então não sei preocupe querida ,não entrou ninguém indesejado aqui —-Ela fala irônica. Ótimo! a pessoa que é responsável por cuidar/controlar a entrada de pessoas desconhecidas no condomínio permitiu que uma estranha entrasse. Sim , Marielle para mim era uma completa estranha. Respiro fundo e tomo de uma vez só todo o uísque que ainda tinha no copo e tento controlar minha respiração. Como um porteiro me deixa alguém entrar no condomínio só porque a alegou que eu era sua filha? Como ele faz isso ? Involuntariamente jogo o copo na parede, assustando assim minha progenitora que dá um pulo para trás quando o copo se choca contra a parede . E como se nada tivesse acontecido passo por ela e pego meu contorno. — Lara... — Marielle começa a falar hesitante mas logo adquire confiança — Eu vou precisar dos papéis assinados atê quarta-feira. — Terá os papeis assinados quando eu quiser que os tenha e não ao contrario e por favor não se esqueça de falar para o porteiro começar a procurar um emprego , pois amanhã mesmo ele assinara a sua demissão e farei questão de dizer que o motivo foi por ele ter deixado ratos entrar no condomínio - Saio andando. Eu já estava no corredor quando me permito voltar apenas um passo para dizer claro e em voz alta . — Quando sair tranque a porta . ○●○●

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