A tempestade desabava sobre os telhados como se a cidade quisesse apagar seus próprios pecados, o local é escuro, o mofo e o silêncio dominam aquelas paredes rachadas, Um antigo hotel dos anos 1900, abandonado e elegante em ruínas.
Lilith examina a sala com um olhar que diz: "já estive aqui antes". Damien tranca a porta com uma cadeira.
Damien (frio, direto):
"Quanto tempo temos?"
Lilith (sem emoção):
"Menos do que você gostaria. Mais do que você merece."
Ela se afasta para a janela. Ele observa. Estuda seus gestos como quem analisa um inimigo — ou uma obra de arte mortal.
Damien:
"Por que eles estavam atrás de você?"
Lilith (virando-se devagar):
"Você é mais esperto do que parece, lobo. E isso é um problema."
Damien (encostado na parede, tirando a pistola do coldre):
"Confiança é um luxo. E eu não sou rico."
Silêncio. Longo. A tempestade lá fora. Os dois se medem no escuro.
Som de passos vindo pelas escadas. Lilith e Damien se preparam para lutar novamente.
Lilith se aproxima lentamente, sem ameaçar. Para a poucos centímetros de Damien. Os olhos vermelhos dela o estudam.
Lilith (voz baixa, quase um sussurro ameaçador):
"Se você for mesmo ficar por perto... vai precisar entender uma coisa."
Ela se inclina, como se fosse contar um segredo. Mas apenas o observa, fria.
Lilith:
"Eu não sou o monstro que eles temem.
Sou o que eles chamam quando querem que o medo funcione."
Damien (sem desviar o olhar):
"Eu espero que isso seja verdade, princesa. Porque eu sou o que vem quando isso falha."
Eles permanecem ali, estáticos. Nenhum beijo. Nenhum toque. Só a promessa de algo perigoso que ainda vai explodir.
Do lado de fora, passos se aproximam. Lilith se afasta devagar, pegando uma adaga escondida no casaco. Damien checa o carregador da pistola. Ambos prontos. Mas não para fugir.
Lilith (de costas para ele):
"Quando abrirem aquela porta... não confie em mim."
Damien (baixo, quase para si mesmo):
"Não confio em ninguém que saiba mentir com os olhos."
FLASHBACK – HOTEL EVERMORE, 1897
INT. HOTEL EVERMORE – SALÃO PRINCIPAL – NOITE (TONS PASTEL, DESFOCADOS)
Um salão iluminado por candelabros e cheio de risos. O som suave de um piano ao fundo. Homens de chapéus altos. Mulheres com vestidos de veludo e penas nos cabelos. Tudo parece um sonho enevoado.
No centro da sala, uma jovem caminha — Lilith, com pele morena e olhos inocentes. Tem um colar de prata com pedra vermelha no pescoço.
Ela dança com um homem bonito, mas há algo errado no sorriso dele. Muito branco. Muito simétrico.
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Lilith, agora sozinha, caminha por um corredor vazio. Seus passos ecoam como prenúncio. Ela se vira ao ouvir um sussurro. Nada.
De repente, mãos a agarram. O homem da dança aparece das sombras — mas seus olhos estão negros. Presas. Ele a encurrala contra a parede.
Homem Vampiro (sorrindo):
"Você dança como se não tivesse medo da morte... Que bom. Isso facilita as coisas.
Ela é jogada na cama, seu colar se parte. Mas antes que o vampiro possa viola-la — um vulto invade o quarto.
É Ária, sua guarda costas vampira do clã Vance — olhos cor de âmbar, beleza assustadora. Ela mata o agressor com um estalo de dedos que o transforma em pó. A fumaça paira no ar.
Ária (encarando Lilith):
"Você é corajosa. Isso é raro.
Mas coragem, sozinha, só te torna um cadáver bonito."
Ela estende a mão. Lilith hesita. Mas pega. E assim, sua lembranças voltam devagar.
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INT. HOTEL EVERMORE – PRESENTE – MESMO QUARTO
Lilith está parada exatamente no mesmo ponto do quarto, agora abandonado. Olha para o teto, como se pudesse ver o passado projetado ali.
Damien entra atrás dela, silencioso. Observa. Não pergunta nada.
Lilith (sem virar, fria):
"Foi aqui que lembrei que sou predadora."
Lilith ainda olha para o chão, para o colar partido coberto de poeira.
Damien a observa, lutando contra algo dentro dele. O silêncio entre os dois não é vazio – é denso, cheio de verdades não ditas.
Damien (baixo, hesitante):
"Eu... quando te vi no club me fez sentir que eu te conheço Muito antes de saber quem você era."
Lilith o encara, olhos semicerrados. Ele dá um passo à frente. O clima muda.
Lilith se vira por completo, tensa. Os olhos dela agora são gelo e lâmina.
Lilith (seca):
"Você sabe demais pra alguém que finge não saber nada."
Desconfiada e com o coração fechado, desconfia até das pessoas que tentam protegê-la.
INT. CORREDOR DO HOTEL – AO MESMO TEMPO
Barulho de passos pesados. Uma porta é arrombada com brutalidade. Um vulto passa pela escuridão – pele pálida, cabelos raspados dos lados e longos no topo, amarrados num coque. Um casaco de couro, garras saindo das mangas. Olhos dourado-furiosos.
É Ronan, um lobisomem rebelde, exilado da alcateia de Damien. Traidor. Assassino. Monstro sem mestre.
Ronan entra, uma parede viva de músculo e ódio.
Ronan (rosnando com sarcasmo):
"Vocês dois formam um par adorável... pena que um de vocês precisa morrer."
Lilith reage instantaneamente, sacando duas lâminas finas das botas. Damien avança, olhos brilhando em fúria.
Damien (rosnando):
"Ronan... você devia estar morto."
Ronan (sorrindo):
"Devia. Mas eu voltei com fome."
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A LUTA começa. Lilith gira com as lâminas, ágil como uma sombra. Damien e Ronan se chocam como titãs, garras contra punhos, lobo contra lobo. A parede racha. Sangue espirra. A fúria domina.
Ronan segura Damien pela garganta, prestes a esmagá-lo. Lilith tenta separa-los com um chute nas costelas do lobo invasor mas Ronan pega sua perna e a lança longe, ele é muito forte e brutal, o olhar queimando de raiva.
Ronan (olhando pra Lilith):
"Vou te levar quando acabar com esse cadáver ambulante vou matar o último laço que você não entende."
Lilith se ergue lentamente, os olhos brilhando em vermelho puro. A voz dela sai como gelo quebrando:
Lilith:
"Se você encostar nele... vai desejar ter ficado morto."