Ronan ainda segura Damien pela garganta, um rosnado gutural ecoando no peito. Mas antes que ele termine a ameaça —
A sala escurece. O tempo parece desacelerar.
Um rastro escarlate corta o ar — veloz, como uma flecha feita de fúria e vingança.
Lilith se move. Não corre. Não pula.
Ela é lançada. Como se a própria noite a tivesse empurrado.
Seus olhos brilham como brasas líquidas. Raios vermelhos riscam o espaço onde ela passa, deixando nuances como auroras em chamas.
As presas surgem com um som seco. As unhas crescem em lâminas negras. O rosto dela, agora numa expressão ancestral, fria, letal, divina.
Ela não grita. Ela silencia. E nesse silêncio há morte.
Ela atinge Ronan com o peso de um passado sombrio e milênios de poder acumulado.
Eles atravessam a parede, caindo no corredor. Ronan rola, tentando se recompor, mas Lilith já está sobre ele, uma perna sobre o peito, a mão espalmada sobre o rosto dele.
Lilith (sussurrando, olhos queimando):
"Você errou o alvo, cão.
Aqui... quem caça sou eu."
Ela crava as unhas no rosto dele, como se desenhasse com sangue puro. Ronan urra, o som mais parecido com um trovão engasgado.
Damien se recupera, ofegante, observando Lilith lutar. Mas o olhar dele carrega um peso diferente agora.
Não é só admiração.
É reconhecimento.
Como se já tivesse visto aquele poder antes.
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RONAN USA A MAGIA PROIBIDA
Com um último esforço, Ronan ativa uma runa tatuada em seu peito. Um brilho púrpura explode.
Lilith é lançada para trás, atravessando uma janela. Ela cai no beiral do hotel, pendurada sobre o vazio de Chicago.
Ronan (ensanguentado, rindo):
"Você é forte... Mas não é a única que tem segredos antigos."
Lilith no parapeito, raios vermelhos ainda vibrando ao seu redor, cheia de raiva e poder.
Damien se aproxima lentamente da janela, o sangue escorrendo da boca.
Damien (baixo, quase num sussurro):
"Lilith... o que você é?"
A resposta vem apenas com o som do trovão.
Mas os olhos dela, agora olhando para Ronan respingam poder, mistério e fúria.
E no fundo... ela está sorrindo.
Ronan recita mais uma magia sombria, baixo como um cântico, sussurros de línguas antigas fazem o nariz de Lilith sangrar e a faz cair, sem forças perdendo totalmente a consciência.
chuva cai mais forte agora.
Relâmpagos riscam o céu de Chicago como cicatrizes dos deuses.
Damien está de joelhos. Lilith está nos braços dele, desacordada. O rastro escarlate dos olhos dela ainda brilha fracamente no escuro, como brasas morrendo.
Ronan sumiu na fumaça, mas seu rastro de destruição ainda vibra no ar. O feitiço que ele usou foi antigo... e venenoso.
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Damien
O olhar dele está diferente.
O charme cínico foi embora.
Agora ele está cru, furioso, vulnerável.
Uma gota de sangue escorre da testa dele, misturando-se à chuva.
Damien (sussurrando, pra Lilith):
"Você devia ter me deixado morrer..."
Ele a ajeita com cuidado nos braços, como se ela fosse feita de vidro.
Mas o peso da vampira mais perigosa da cidade é o de um passado inteiro.
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FUGA
Damien desce os lances de ferro com Lilith nos braços. As garras dele saem nos pés, cravando nos degraus molhados para não escorregar. Cada respiração é um trovão de dor.
Um carro preto passa na rua. Dois capangas da máfia vampírica saem armados.
Capanga Neros (apontando):
"Ali! Ele tá com ela!"
Damien (rosnando, baixo):
"Não. Ela tá comigo."
Ele salta da escada direto para o telhado de um caminhão abaixo. O impacto é seco. O caminhão range. Mas ele não para.
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EXT. BECOS DE CHICAGO – CORRIDA CONTRA O TEMPO
Damien corre com Lilith nos braços pelos becos, passando por sombras e néon.
Cada passo é uma escolha. Cada esquina, um risco.
Ele ouve tiros. Pula muros. Desvia de gárgulas.
Tudo isso, com a mulher que ele deveria odiar... mas que agora é a única coisa que ele se recusa a perder.
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Finalmente, ele entra por uma passagem secreta atrás do altar. Um espaço úmido, com velas apagadas, livros antigos e frascos de poções.
Ele coloca Lilith numa cama improvisada. O rosto dela está pálido. Uma veia escura pulsa no pescoço – a maldição da runa ainda ativa.
Damien (ajoelhado ao lado dela, encostando a testa na dela):
"Não é assim que sua história acaba.
Lilith acorde, seja forte. Não vou deixar te levarem."
Ele pega um frasco com líquido azulado e começa a preparar um ritual. As mãos dele tremem.
Não de medo.
De apego.
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A última vela se apaga. Tudo está escuro.
Um batimento cardíaco ecoa... fraco... depois um segundo, mais forte, como um trovão cavalgando sobre as nuvens