Capítulo 2: Caixas de Memórias

1063 Words
Lucas havia tentado convencê-la a ficar, mas ela estava decidida a ir embora. Na época, tudo parecia tão claro: o futuro estava além dos limites daquela cidade pequena, longe das ruas que conhecia tão bem, longe das memórias que carregavam tanto amor quanto dor. Agora, segurando aquela carta, Eliza sentia o peso das decisões que tomou. > **"Por que nunca entregou isso pessoalmente?"** ela se perguntou em voz alta, o som ecoando na sala silenciosa. A verdade era que ela nunca teve coragem de olhar para trás. Sempre foi mais fácil seguir em frente do que encarar o que deixou para trás. Mas agora, lendo aquelas palavras, percebia que Lucas era uma parte de si que ela não conseguia enterrar completamente. ### **As memórias de Lucas** Eliza lembrou-se das tardes que passavam juntos na pracinha. Lucas tinha um sorriso que iluminava até os dias mais difíceis. Ele sempre sabia o que dizer para fazê-la rir, mesmo quando ela estava no fundo do poço. Houve um momento específico que voltou à sua mente: uma noite antes de seu baile de formatura. Eles haviam se sentado no capô do carro dele, estacionado em uma colina com vista para as luzes da cidade. Lucas havia perguntado se ela tinha certeza sobre ir embora. > **"Eu só quero que você seja feliz, Eliza,"** ele dissera, os olhos fixos no horizonte. **"Mas tenho medo de que você esteja correndo de algo, e não em direção a algo."** Na época, ela tinha ficado irritada com ele. Como ele poderia entender seus sonhos, suas ambições? Mas agora, anos depois, aquelas palavras pareciam carregadas de sabedoria. Será que ele estava certo? Será que ela havia passado tanto tempo fugindo que nem sabia mais do que estava correndo? ### **A decisão de procurá-lo** A carta de Lucas a deixou inquieta. Mesmo após guardar todos os outros itens na caixa, aquela carta continuava ecoando em sua mente. Ela se sentia compelida a fazer algo, a buscar respostas, mas também tinha medo. Lucas estaria na cidade ainda? Ele teria seguido em frente? Teria construído a vida que sempre quis, sem ela? Eliza pegou o celular e ficou encarando a tela. Ela ainda tinha o número dele? Por hábito, digitou o nome "Lucas" na lista de contatos. Para sua surpresa, o número ainda estava lá. Sua mão pairou sobre o botão de chamada. > **"Não agora,"** murmurou, desligando a tela do celular e o colocando sobre a mesa. ### **Explorando mais das caixas** Tentando distrair-se, voltou às outras caixas. Cada uma parecia conter uma parte diferente de sua vida. Livros de romance que lia vorazmente, um antigo CD com a playlist que Lucas havia feito para ela, e até mesmo fotos com Katy e Clary em seus anos adolescentes. Ao encontrar uma foto específica, seus olhos marejaram. Era uma imagem de todos eles juntos: ela, Lucas, Katy, Clary e... Álvaro. O nome ecoou em sua mente como uma ferida m*l cicatrizada. Álvaro havia sido seu primeiro amor sério, alguém que acreditava que seria para sempre, mas cuja relação terminou de maneira tão abrupta quanto começou. > **"Você também é um fantasma que eu nunca consegui exorcizar,"** pensou, segurando a foto como se ela pudesse trazer de volta as respostas que precisava. ### **O peso do passado** Conforme a noite avançava, Eliza percebeu que cada objeto naquelas caixas era uma âncora. Não importava o quanto tentasse, não conseguia escapar de quem havia sido ou das pessoas que marcaram sua vida. No entanto, a carta de Lucas a incomodava mais que qualquer outra coisa. Talvez fosse o tom de aceitação, o fato de ele ter escrito aquelas palavras sem esperar nada em troca. Ou talvez fosse o fato de que, no fundo, ela sabia que ainda tinha algo não resolvido com ele. Enquanto fechava a última caixa, sentiu uma nova determinação. Ela não podia continuar vivendo com tantos "e se". Se estava de volta à cidade, era porque o destino estava lhe dando uma chance de consertar as coisas – ou pelo menos tentar. > **"Eu vou falar com ele,"** decidiu, em voz alta, como se precisasse ouvir a própria resolução para acreditar nela. ### **Conclusão do capítulo** Antes de dormir, Eliza deixou a carta de Lucas ao lado da cama, como se ela fosse uma bússola para os próximos passos. Deitou-se, mas o sono foi inquieto. Em seus sonhos, flashes de seu passado se misturavam com a imagem de Lucas, sorrindo para ela como fazia na adolescência. Quando acordou, sabia que aquele seria o próximo passo. Não tinha certeza de onde a decisão a levaria, mas algo dentro dela dizia que não poderia continuar sem, pelo menos, tentar. O amanhecer trouxe uma luz suave para o quarto de Eliza, mas seu coração estava inquieto. A carta de Lucas ainda estava ao lado da cama, dobrada com cuidado, como uma lembrança tangível do passado que ela havia enterrado. Ela passou alguns minutos fitando o teto, reunindo coragem. O número de Lucas ainda estava em seu celular, mas apertar o botão de chamada parecia assustador demais. E se ele não quisesse falar com ela? E se ele tivesse mudado completamente? E, mais importante, e se ele não tivesse esquecido a mágoa de sua partida abrupta? ### **Decidindo agir** Eliza se levantou, ainda imersa em suas dúvidas. Preparou uma xícara de café forte e tentou convencer a si mesma de que entrar em contato com Lucas era apenas um passo simples. Enquanto o aroma do café preenchia a cozinha, ela encarou o celular em cima da mesa como se fosse um oponente em um jogo de xadrez. > **"Chega de enrolar,"** murmurou, pegando o celular com uma mão trêmula. Com um suspiro profundo, abriu o contato de Lucas. O número estava lá, intacto, como uma relíquia que ela nunca teve coragem de apagar. Suas mãos suavam enquanto ela deslizava o dedo sobre o botão de chamada. Depois de mais um momento de hesitação, finalmente apertou. ### **O som da espera** O som do telefone chamando parecia interminável. Cada segundo era uma tortura, e ela quase desligou antes que ele atendesse. Mas então, uma voz grave e familiar ecoou na linha. > **"Alô?"** O coração de Eliza disparou. Era ele. A voz de Lucas parecia diferente – mais madura, talvez mais contida –, mas ainda assim carregava aquela mesma suavidade que ela lembrava. > **"Lucas? É... sou eu, Eliza."**
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