Capítulo 3: Primeiro Contato

1049 Words
Houve uma pausa. Um silêncio pesado que fez com que ela quase se arrependesse de ter ligado. Mas então, ele respondeu, com um tom que misturava surpresa e cautela: > **"Eliza... Uau. Faz muito tempo."** Ela riu nervosamente, tentando aliviar a tensão. **"Sim, eu sei. Desculpe aparecer do nada assim. Eu... voltei para a cidade há poucos dias e achei que seria bom falar com você."** ### **A conversa inicial** Lucas parecia hesitante no início, como se não soubesse o que dizer. Eliza também sentia-se fora de lugar. Era como se estivessem tentando se conectar por cima de uma barreira invisível construída ao longo dos anos. > **"Então, você voltou,"** ele disse, mais como uma afirmação do que uma pergunta. > **"Sim. Não tinha certeza de como seria, mas precisava tentar. Queria... ver como as coisas estão por aqui."** Lucas soltou um leve riso. **"As coisas por aqui não mudam muito, você sabe disso."** Aquela observação simples trouxe um pouco de conforto. Era como se, por um breve momento, eles estivessem de volta aos velhos tempos, quando as conversas fluíam sem esforço. > **"E você? Como está? Ainda trabalhando com fotografia?"** Lucas hesitou antes de responder. **"Sim, ainda fotografo. Tenho meu próprio estúdio agora. Nada muito grande, mas funciona. E você? Seguiu seus sonhos, pelo que parece."** Eliza sentiu uma pontada de culpa. Sabia que ele estava se referindo à sua partida, ao fato de que ela havia deixado tudo para trás em busca de uma vida diferente. > **"Sim, segui. Mas nem tudo saiu como eu esperava,"** admitiu, tentando manter o tom leve. ### **O convite** Depois de alguns minutos de conversa, Eliza reuniu coragem para propor um encontro. > **"Eu sei que é meio repentino, mas... será que poderíamos nos encontrar? Talvez tomar um café e colocar o papo em dia?"** A linha ficou em silêncio novamente. O coração de Eliza parecia estar em sua garganta enquanto esperava pela resposta. > **"Claro,"** disse Lucas, finalmente. **"Amanhã de manhã? No café perto da praça, aquele que você adorava?"** Eliza sorriu, sentindo uma onda de alívio e nervosismo ao mesmo tempo. **"Sim, perfeito. Às dez?"** > **"Estarei lá,"** ele respondeu, antes de se despedir. ### **Preparação e reflexões** Depois de desligar, Eliza ficou olhando para o celular, tentando processar o que havia acabado de acontecer. Ela finalmente havia dado o primeiro passo, mas isso significava que agora precisava encarar Lucas pessoalmente – algo que parecia ainda mais assustador. Passou o resto do dia tentando se concentrar em outras coisas, mas seus pensamentos continuavam voltando para o encontro. Lembrou-se do tempo que passaram juntos, dos momentos felizes e das dores que ela deixou para trás quando foi embora. Quando a noite chegou, Eliza começou a se preparar emocionalmente para o dia seguinte. Tentou imaginar como seria vê-lo novamente depois de tanto tempo. Será que ele tinha mudado muito? Será que ela ainda o reconheceria, além do físico? Enquanto se deitava para dormir, uma mistura de ansiedade e empolgação tomava conta dela. Amanhã, ela estaria frente a frente com o passado, e isso poderia mudar tudo. O relógio marcava 9h45 quando Eliza chegou ao pequeno café próximo à praça central da cidade. Apesar do ar fresco da manhã, ela sentia suas mãos suadas de nervosismo. O local parecia exatamente como ela se lembrava: o letreiro antigo de madeira, as cadeiras de ferro pintadas de branco e o aroma inconfundível de café recém-passado misturado com pão de queijo. Ela escolheu uma mesa perto da janela, com vista para a praça, e se sentou, tentando disfarçar sua inquietação. Observava os moradores caminhando tranquilamente, alguns acenando para conhecidos. Aquela cidade tinha um ritmo próprio, algo que ela não percebia na época em que queria ir embora a qualquer custo. Enquanto esperava, seus pensamentos a levaram de volta ao último momento que passou ali com Lucas. Haviam dividido uma fatia de torta de maçã e riram até tarde, falando sobre os planos que tinham para o futuro – planos que, na época, pareciam tão diferentes, mas agora pareciam se cruzar novamente. ### **O reencontro** Quando o relógio marcou exatamente 10h, Eliza viu uma figura conhecida entrar no café. Lucas. Ele estava diferente, mas ao mesmo tempo tão familiar. Seus cabelos castanhos agora tinham mechas sutis de grisalho nas laterais, e suas roupas – uma camisa de algodão e jeans escuros – mostravam um estilo mais maduro e prático. Lucas olhou ao redor, seus olhos encontrando os dela. Ele sorriu, aquele sorriso meio tímido que Eliza reconheceria em qualquer lugar. Ela se levantou instintivamente, sentindo o coração acelerar. > **"Oi,"** ele disse, aproximando-se da mesa. **"Cheguei na hora certa, como sempre."** Eliza riu, aliviada com o tom descontraído. **"Você sempre foi pontual."** Eles se cumprimentaram com um aperto de mão, mas por um breve momento, pareceram indecisos sobre se um abraço seria mais apropriado. Optaram por manter a formalidade, pelo menos por enquanto. Lucas puxou uma cadeira e se sentou. Havia um momento de silêncio entre eles, mas não era desconfortável – era como se ambos estivessem processando o fato de estarem ali, juntos, depois de tantos anos. ### **As primeiras palavras** > **"Então,"** Lucas começou, com um sorriso, **"o que te trouxe de volta?"** Eliza respirou fundo, tentando organizar seus pensamentos. **"Eu precisava de uma pausa. As coisas na cidade grande ficaram... intensas. Achei que seria bom voltar às raízes, sabe? Reconectar-me com quem eu era."** Lucas assentiu, como se entendesse completamente. **"Essa cidade tem um jeito estranho de nos puxar de volta, não é? Por mais que tentemos escapar."** Eles pediram café e uma fatia de torta de maçã, como nos velhos tempos. A conversa começou com pequenos comentários sobre a cidade, as mudanças que aconteceram desde que ela partiu, e o que cada um estava fazendo atualmente. > **"Então você abriu um estúdio de fotografia,"** disse Eliza, interessada. **"Isso é incrível, Lucas. Sempre soube que você tinha talento para isso."** Lucas deu de ombros modestamente. **"Foi um longo caminho, mas estou feliz. E você? Fez tudo o que queria quando deixou a cidade?"** A pergunta era simples, mas carregava um peso que Eliza não podia ignorar. > **"Eu tentei,"** ela admitiu, mexendo no café. **"Consegui muitas coisas, mas também perdi outras pelo caminho. E algumas vezes me pergunto se tomei as decisões certas."**
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