O galpão continuava abafado, o ar carregado de tensão e poeira. Isabela observava tudo com atenção. Seus olhos, mesmo exaustos, não perdiam nenhum detalhe. Ela havia percebido um padrão: um dos homens que a vigiavam — mais jovem, magro, sempre inquieto como se temesse ser repreendido — parecia desconfortável com o que via. No fim da tarde, quando ele trouxe a água do dia, Isabela deixou que seus dedos roçassem os dele ao pegar o copo. Olhou em seus olhos e sussurrou: — Obrigada por ser gentil. Ele a fitou, surpreso, sem saber como reagir. Era a primeira vez que alguém ali lhe demonstrava empatia. Nos dias seguintes, ela manteve o contato sutil: um agradecimento, um sorriso discreto, uma pergunta inocente. Não forçou nada — apenas deixou espaço para que ele se aproximasse. Sabia que não

