Alice ajeitou o tripé improvisado sobre a mesa. O celular apontado em sua direção era a única testemunha da decisão mais difícil que tomara desde que fugira: se mostrar. Ao menos em parte. Do outro lado da chamada de vídeo, Henrique Duarte orientava com voz firme: — Respira. Fala com o coração, mas com clareza. E lembra: você está se defendendo, não se justificando. A verdade está com você. Alice assentiu. A câmera começou a gravar. Por um segundo, ela hesitou. Depois, com um suspiro firme, começou: — Meu nome é Alice — disse, com o rosto parcialmente à sombra. — E por muito tempo, eu fui silenciada pelo medo. Silenciada pela violência. A imagem cortou para fotos. Algumas mostravam hematomas nos braços, uma marca roxa no pescoço, um olhar perdido diante do espelho. Outras revelavam ca

