• Capítulo 02 •

2225 Words
⠀⠀⠀ >> Paulo Kauê - PK >> ⠀⠀⠀ Esse lugar é, sem dúvidas algumas, muito melhor do que o lugar que fiquei nos últimos sete meses. A segurança daqui parece ser muito mais fácil de ser burlada e isso me dava ainda mais esperanças de planejar uma fuga com os crias de responsa se aqueles engravatados não conseguirem me tirar de trás das grades. Eu respirei fundo e coloquei as duas mãos em baixo da minha cabeça enquanto olhava para o meu colega de cela, que nesse momento escrevia algo que parecia ser uma carta com o miolo de uma caneta e um papel velho. Desde que cheguei ele não falou absolutamente nada comigo, nem um oi… tá na hora de mudar isso. ⠀⠀⠀ — Não seria mais fácil enviar uma mensagem? — Perguntei para o mesmo rindo e ele olhou para mim por cima dos ombros por alguns segundos antes de se virar para frente e voltar a se concentrar na cartinha de amor. ⠀⠀⠀ — Não dão celular de presente aos detentos, acha que tá na Disney? — Resmungou sem sequer me olhar e eu dei risada. Ainda bem que já sou bem vacinado contra gente m*l-humorada… ⠀⠀⠀ — Lava a mão de um dos tiras e ele te arruma um rapidinho — Disse o óbvio e ele respirou fundo. Parece impaciente. ⠀⠀⠀ — E em compensação a Donovan me coloca na solitária no dia seguinte — Ele retrucou e eu revirei os olhos. ⠀⠀⠀ Não boto nem um pouco de fé nessa mulher… acho loucura o fato dela tentar colocar ordem num monte de marmanjo que olha para ela e tudo o que ver é uma mulher gostosa. ⠀⠀⠀ — Quem manda por aqui? — Perguntei como quem não queria nada e escutei o mesmo soltar um riso nasal. ⠀⠀⠀ — A diretora?! — Respondeu firmemente, como se fosse o óbvio, e eu revirei os olhos me sentando na cama. ⠀⠀⠀ — Isso é o que ela acha. Tô falando de quem manda nessa bagaça de verdade. — Expliquei para ele que ficou um tempo em silêncio, se concentrando em escrever alguma palavra que parecia ter evaporado da sua mente. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ — Dizem que o Braga tá no meio desses lances aí de venda de droga — Ele resmungou e eu franzi a testa olhando para ele. Esse moleque tá aqui a mais tempo que eu e não sabe da a p***a de uma informação com certeza… que merda ele faz aqui dentro então? ⠀⠀⠀ — Quem? — Perguntei e ele respirou fundo. ⠀⠀⠀ — O maluco da cela aí na frente — Ele diz enquanto aponta com o polegar para algo atrás de você, eu olho para o outro lado do enorme e largo corredor e vejo um homem n***o na cela. ⠀⠀⠀ — humm — esperei que ele continuasse. ⠀⠀⠀ — Mas a Donovan tá jogando os planos dele de escanteio, ela tá na cola e é boa no que faz. Se você não vacilar com ela, a sua estadia aqui dentro vai ser mó de boa — Completou — Você é o tal do PK que veio da máxima, né? — Assentir com a cabeça. ⠀⠀⠀ Boa uma p***a… A megera tirou a droga da minha visita íntima, a melhor forma que eu tinha de trazer as coisas para cá para dentro. Mulher r**m da p***a… ⠀⠀⠀ — Se você for de usar essas paradas, na humildade, use aqui dentro não. Tô a três meses de meter o pé daqui e tudo o que eu não quero é arrumar confusão com ela — Pediu em uma quase súplica e eu dei risada enquanto negava com a cabeça. Passei os meus olhos pelas outras celas até encontrar uma coberta com o pano. Hmm… ⠀⠀⠀ — Tem muito baitola por aqui? — Perguntei como quem não queria nada e ele me olhou como se eu tivesse perguntado se ele tinha drogas — Me olha assim não, mermão. Eu tenho que me prevenir! ⠀⠀⠀ — Vai ficar aqui pelo resto da sua vida e a sua maior preocupação é quem vai querer comer a sua b***a? — Ele perguntou enquanto negava com a cabeça rindo e eu senti dor só de imaginar a cena. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ — Ninguém vai comer a minha b***a! — Deixei claro e ele continuou a negar com a cabeça rindo — A quanto tempo essa tal de Donovan tá no comando? ⠀⠀⠀ Tirei do meu bolso uma caixinha de cigarro e coloquei na boca. Ela proibiu fumar em lugares fechados, então não me dou o trabalho de acender o mesmo. Não faz parte dos meus planos me envolver em um problema com ela, muito pelo contrário. ⠀⠀⠀ — Uns quatro a cinco meses — Ele responde como se não fosse nada de mais. E eu fiquei olhando para ele por um tempo. O mano parecia ter a minha idade, senão mais novo do que eu. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ — Caiu em cana por que mesmo? — Perguntei como se eu tivesse esquecido, mas a verdade é que eu nunca nem perguntei para ele. Não sabia nem o nome dele, imagina o motivo dele ter vindo parar aqui. O cabeça de cogumelo demorou alguns segundos para responder: ⠀⠀⠀ — Assassinato! — Respondeu seco e eu senti toda a minha calma sair do corpo. Dividir sala com um assassino vey… que m*l eu fiz a essa mulher? ⠀⠀⠀ — Matou quem? — Perguntei como se não estivesse com o cu piscando com a minha nova descoberta. ⠀⠀⠀ — Coisa minha! — Respondeu seco, olhando para mim como se quisesse deixar claro que não era para me meter nos seus assuntos e eu curvei o canto dos meus lábios em um sorriso. ⠀⠀⠀ — E eu aqui pensando que já atava virando teu best friend forever… — Sacaneei o mesmo que revirou os olhos e voltou a atenção para o papel — Qual dos tiras aqui é sujo? ⠀⠀⠀ — Não me meto nessas paradas não… — Resmungou e eu respirei fundo. c*****o, mano! Nem o MC é tão chato… ⠀⠀⠀ — Qual é, cara! Eu tava na máxima por 7 meses, quero falar com a minha família! — Quase choraminguei para o mesmo enquanto sentia a palavra família querer se engasgar na minha garganta. ⠀⠀⠀ — Ouvir boatos sobre o Roberjan… mas ele está tentando se manter na linha desde que a Donovan assumiu o comando — Respondeu sem dar muita importância para o assunto. ⠀⠀⠀ — Uma mulher na frente de um presídio lotado de homem… vou ficar até calado… — n**o com a cabeça rindo. ⠀⠀⠀ — Ela é boa no que faz, cara! — Ele afirma, outra vez, fazendo com que eu olhasse para ele com a testa franzida — Vê se não causa problemas para ela, beleza? ⠀⠀⠀ Levantei a mão como se estivesse me rendendo e me deito outra vez, com as mãos em baixo da cabeça e encarando o teto. ⠀⠀⠀ Boa no que faz… até parece. ⠀⠀⠀ {...} ⠀⠀⠀ >> Emily G. Donovan >> ⠀⠀⠀ Eu estou a um fio de estourar. ⠀⠀⠀ É como se eu fosse uma bomba relógio esperando o momento certo para explodir e destruir tudo o que está ao meu redor. Como se já não bastasse o Nathaniel que insiste em pressionar o dedo sempre na mesma tecla e o novo detento que reclama de tudo. Também tem o Braga querendo fazer da cadeia o seu império de drogas; ⠀⠀⠀ — Chame toda a equipe se achar necessário. Quero que revistem todas as celas, sem exceção, e qualquer um detento que for pego com aparelhos celulares, drogas ou qualquer coisa além do que é permitido aqui dentro vai direto para a solitária. Entendido? — Perguntei para a mesma enquanto caminhava em direção a minha sala, Pamela me seguia enquanto assentiu com a cabeça para cada uma das palavras que saia da minha boca. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Essa é a segunda vez só essa semana que um detento vai parar na enfermaria devido ao uso de droga. Deixar que uma merda dessas aconteça de novo é como dar de bandeja ao conselho a oportunidade de fuder com a minha vida. Não vou deixar que o craque ou qualquer outra droga se espalhe dentro do meu presídio. ⠀⠀⠀ — Vou fazer isso agora mesmo. — Ela disse enquanto se sentava na sua mesa e eu caminhava até a minha cabeça — Tem outra coisa… ⠀⠀⠀ Informou e eu olhei para a mesma antes de virar a maçaneta. A mulher de cabelos preto iluminado com mechas loiras reprimiu um pouco os lábios em uma careta antes de falar: ⠀⠀⠀ — Nathaniel ligou tem uns dez minutos, eu disse a ele que você retornaria a ligação assim que tivesse disponível — Pâmela e eu éramos amigas a muitos anos e ela mesmo não indo com a cara do Nathan, sempre me apoiou no relacionamento. ⠀⠀⠀ — Obrigada! — Agradeci e entrei na minha sala logo depois, caminhando até a minha cadeira e me jogando nela como se estivesse a precisar dela para sobreviver. ⠀⠀⠀ Mal tive tempo para respirar quando me sentei e o meu celular já começou a tocar, tirei o mesmo do bolso da minha calça e respirei fundo quando vi que era uma videochamada do meu namorado. Me arrumei na cadeira e atendi o telefone com um sorriso fraco. ⠀⠀⠀ — Como andam as coisas por aí? — Perguntei para o mesmo que - aparentemente - ainda estava no aeroporto. ⠀⠀⠀ — Bem, acabei de chegar. Não sei se terei tempo de avisar quando chegar no pavilhão, então decidi fazer isso logo! — Nathan é policial e foi designado para uma missão em outra cidade por três meses. Sei que vou sentir saudades, mas essa fase chata que estamos passando faz com que eu sinta um pequeno de alívio ao saber que ele não estará reclamando no pé do meu ouvido o tempo todo sobre a decisão que tomei — Você parece exausta. ⠀⠀⠀ — Não está sendo um dos meus melhores dias… — Disse com um sorriso fraco enquanto balançava as petecas de craque perto da minha cabeça para que ele pudesse ver. Ele fez uma careta. ⠀⠀⠀ — Esse trabalhando está acabando com você — Ele comentou e eu sorri com escárnio. ⠀⠀⠀ — Escutar isso do meu namorado melhorou, e muito, a minha autoestima — Ironizei para o mesmo enquanto transferia as petecas de uma mão para a outra diversas vezes e mantinha o olhar preso no celular que estava apoiado no monitor. ⠀⠀⠀ — Não estaria passando por isso se você me… ⠀⠀⠀ — Eu tenho que desligar! O dever me chama. — Não deixei que ele terminasse de falar ou sequer me respondesse, mandei um beijo para o ar em direção a tela do celular e desliguei o aparelho. Me jogando na cadeira enquanto soltava todo o ar que eu nem sabia que estava preso em meus pulmões, até agora. ⠀⠀⠀ Nathaniel nunca esteve de acordo com os meus planos e desde que eu aceitei esse cargo tudo o que ele faz é reclamar da minha falta de tempo e disposição para o nosso relacionamento quando na verdade é ele o lado da relação que vive viajando em missão. ⠀⠀⠀ Levantei da cadeira e caminhei em direção a janela que me dava acesso total ao pátio, onde alguns detentos nesse momento aproveitavam do seu banho de sol e outros jogavam basquete. Aqui não é um presídio de segurança máxima, todos os detentos são tratados como seres humanos normais, desde que se mantenham na linha. ⠀⠀⠀ Passo o meu olhar por todo o pátio outra vez até que um detento em especial me chama atenção, ele estava me encarando e eu poderia sentir o meu sangue ferver com raiva que eu sentia do seu sorriso debochado que - aparentemente - não saia do rosto. Pablo estava com o seu macacão laranja amarrado na cintura, com uma regata preta que fazia com que quase todas as suas tatuagens ficassem à mostra. ⠀⠀⠀ Se eu conhecesse esse homem em qualquer outra circunstância da vida eu acreditaria que ele era apenas um traficante que não faz nada de m*l a ninguém a não ser fornecer drogas para quem quiser comprar. Mas a ficha que descreve detalhadamente o que aconteceu no dia que ele foi preso mostra o monstro por debaixo do seu rostinho bonito. Ele me parece um daqueles homens astutos e manipuladores que faz de tudo para conseguir o que quer… todo cuidado era pouco ao lidar com alguém como ele e isso me fazia entender um pouco a preocupação do Nathaniel já que foi ele que trouxe boa parte desses detentos para cá. ⠀⠀⠀ O PK ter sido transferido para cá foi para infernizar a minha vida, disso eu tinha certeza, mas eu estava pronta para provar para eles e para qualquer pessoa que se oponha contra a minha decisão que eles estavam completamente errados. Continuei a olhar para o detento até que o sem vergonha teve coragem de levantar a sua mão e me dar outro dos seus tchauzinhos ridículos, enquanto mantinha um sorriso largo no seu rosto. Quem olha para essa cara de babaca nem imagina o monstro que ele é por dentro. ⠀⠀⠀ O cara m*l chegou e eu já não gosto nem um pouco dele... ⠀⠀⠀
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